Contos do Luklab: A Lua

“Ganhar essa aposta era o caminho perfeito para a eternidade”

Há muito, muito tempo atrás, a humanidade ainda se perguntava sobre o universo. Por exemplo: o que era aquele objeto branco que aparecia no céu durante as noites? Os magos já a chamavam de Lua, mas ninguém sabia ao certo de que era feita ou qual sua origem.

Um belo dia, três grandes amigos, quase irmãos, apresentaram-se e disseram ser capazes de resolver tal mistério. Eles reuniram o povo da vila onde viviam e avisaram que, naquele mesmo lugar, daqui a um certo número de dias, quando o estranho objeto surgisse, seria a hora de um deles se consagrar como o primeiro a tocar a Lua e dizer com o que ela se parecia.

Depois de uma longa discussão de qual seria a logística do desafio, eles decidiram que todos teriam sua chance, mas um de cada vez, de forma ordenada. O primeiro a tentar deveria ser o mais velho. Este era o mais forte dos amigos, e o mais convencido também. Era o típico caso de pessoa que acha que o mundo existe apenas para servi-lo. Segundo ele, nenhum esforço era necessário para que ele tocasse na Lua, pois quando ele proferisse uma ordem, e apenas nesse momento, ela viria até ele, ansiando por ser tocada por aquelas mãos másculas e perfeitas.

E assim, o mais orgulhoso de todos ordenou: “Lua, vinde a mim!”. Mas, para sua surpresa, e para riso geral da população, aquele objeto enigmático continuou no mesmo local. Os mais malvados disseram até que tiveram a impressão dela ter se afastado. E foi devido à vergonha que o primeiro desafiante fugiu da cidade e nunca mais foi visto.

O segundo amigo era o mais inteligente dos três. Sabia que aquele corpo deveria ser inanimado e obviamente não responderia a um apelo. Apenas o conhecimento frio seria capaz fazê-lo alcançar a Lua. Durante o período anterior ao dia marcado, ele fez cálculos, testou equipamentos, criou e recriou inúmeras teorias de como poderia ganhar o desafio. Mas, por mais que este fosse genial e conhecedor da mais profunda ciência da época, ele não encontrou uma solução. Então, no dia escolhido para o desafio, ele humildemente se desculpou com todos da cidade e se escondeu em seu refúgio, no qual ficaria até o fim da vida tentando desvendar o segredo para realizar a façanha.

Mas ainda havia uma esperança. O terceiro rapaz recebeu a última e única chance de alcançar aquele objeto e resolver o mistério. Ele era tido como o mais corajoso dos três competidores, mas principalmente era famoso por ser o mais “sonhador”. Problemas práticos não eram interessantes pare ele, que sempre queria fazer o impossível, queria realizar feitos extraordinários para que gerações e gerações posteriores contassem sobre sua vida. E ganhar essa aposta era o caminho perfeito para a eternidade.

Para tanto, ele bolou um plano bem simples: pular do precipício mais alto de sua vila e se pendurar na Lua. Ele não tinha inteligência suficiente para saber que era um péssimo plano. E não tinha tanto orgulho assim para querer se resguardar em vez de correr o perigo. Mas lhe sobrava ousadia. E assim ele correu como nunca havia corrido antes. E pulou como nunca tinha pulado antes. E durante um breve momento, uma fração de segundo, ele tocou na Lua. Ou pelo menos pareceu tê-lo feito. E dessa forma, ele eternizou um momento.

Logo após o salto, veio a queda mortal na escuridão do abismo. Quando os habitantes da vila desceram e chegaram até seu corpo, viram que este, apesar da destruição proveniente do impacto, possuía o rosto intacto, com um sorriso que refletia a luz do luar. O terceiro rapaz morreu feliz.

Mas o povo mergulhou em profunda tristeza, já que não conseguiu descobrir com o quê a Lua se parecia.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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