Primeiras Impressões: Young Sheldon

Piloto de Young Sheldon foge da fórmula de The Big Bang Theory e entrega uma comédia familiar com algumas subcamadas

Quando algo faz sucesso na cultura pop, o natural é que tenhamos o produto explorado ao máximo. Pensando nisso, meu primeiro receio com Young Sheldon, série derivada da sitcom The Big Bang Theory, surgiu. No entanto, no seu piloto a série mostrou que pode ser bem diferente da sua “irmã mais velha”.

Young Sheldon é uma série que promete contar a infância do personagem mais excêntrico do grupo de The Big Bang Theory. Acompanhando o jovem Sheldon (Iain Armitage) aos 9 anos de idade, a série foge do humor pastelão e procura uma formula mais centrada na relação entre os personagens. O menino, filho caçula de uma família do Texas, precisa conviver com as diferenças e o fato de ser o estranho naquela sociedade tão simples. Misturando comédia e drama, o piloto agrada principalmente por mostrar que tem uma assinatura própria e não veio para ser apenas um caça níquel.

O foco nos personagens e a fuga dos esteriótipos

Com um primeiro episódio focado no início do ano letivo, e primeiro dia de Sheldon no ensino médio, a série apresenta de maneira fluida toda a família do protagonista que, pelo que vimos, terá bastante tempo de tela. Vemos seus costumes, características de cada um e as dificuldades que passam por terem um gênio na família. Por outro lado, vemos um Sheldon ainda mais inocente e reforçando a ideia da sua versão adulta de que inteligência não necessariamente nos torna espertos, principalmente no que diz respeito ao convívio e tato social. O choque entre o “nerd” e os “normais” é algo retomado nesse prequel, mas fugindo dos estereótipos de “mulher bonita encontra o físico” ou “os fãs de quadrinho que nunca vão pegar ninguém”, o que temos aqui é realmente um grupo de pessoas que olham para o menino com preconceito e, em alguns casos, tentam entende-lo e aceita-lo como é. Dessa maneira, a narrativa acerta em tocar em um assunto palpável sem precisar apelar para o estereótipo do geek, mas não consegue fugir de todos os estereótipos. Vale ressaltar a presença de George Jr (Montana Jordan), irmão mais velho do protagonista, que talvez seja o personagem mais desinteressante dessa estreia justamente por ser o “bullying jogador de futebol” que irá antagonizar com o caçula.

No entanto, os demais personagens da dinâmica familiar agradam e deixam o espectador curioso pelas suas relações e arcos próprios.   George (Lance Barber) e Mary (Zoe Perry), os pais, trazem à tona a discussão de conviver com um filho especial e como isso muda a dinâmica de pessoas que estavam acostumados a viver uma vida pacata. Missy, irmã gêmea do protagonista, é a personagem com o melhor humor desse piloto, com piadas sarcásticas e um tom debochado, a personagem vivida por Reagan Revord, se mostra deslocada naquele convívio familiar por ser “somente a gêmea do gênio”, mas já deixa ganchos para um desenvolvimento em paralelo com Sheldon.  Vale ainda destacar a atuação da Iain, interpretando a versão mirim de Sheldon, que sabe mesclar a peculiaridade do seu personagem com a inocência da criança.

Apesar de uma produção sem muita inovação, a ambientação é coerente

No que diz respeito a produção, vale ainda ressaltar a ambientação da série. Por se passar no final dos anos 80, vemos a preocupação com o figurino, mas também vemos a necessidade de ambientar o Texas, ainda que de maneira tímida, no piloto. Vale ainda ressaltar a câmera que, em momentos de ansiedade ou de medo do protagonista, se procura em criar um senso estético diferente das tomadas comuns. Não temos muito mistério ou um grande trabalho técnico, mas ele é competente, principalmente na sua ambientação.

Conclusão

Young Sheldon começou de uma maneira bem promissora e provando que pode crescer sem precisa copiar a série de origem. Com personagens interessantes, um humor melhor trabalhado e o drama familiar, o piloto agrada não apenas os fãs de The Big Bang Theory, mas também aqueles que gostam de uma boa comédia de maneira geral. Resta saber se a produção continuará nesse caminho ou apostará nos clichês, principalmente na briga entre irmão valentão x irmão nerd.

 

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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