Crítica: “1922” é uma das melhores adaptações feitas pela Netflix.

O longa, adaptado do conto de Stephen King, faz jus à obra original e entrega uma trama agoniante.

Depois do assombroso fracasso da adaptação de Death Note produzida pela Netflix, fiquei um pouco traumatizado. Quando vi que o serviço de streaming se preparava para lançar uma adaptação de uma obra de Stephen King, confesso que temi pelo pior. Estaria sendo muito pessimista? Talvez. Fato é que quando comecei a assistir “1922“, eu tinha um frio na barriga. Durante o longa, permaneci tenso, mas felizmente foi apenas devido à própria trama. O novo filme da Netflix entrega ao leitor uma história arrepiante, agoniante, um prato recheado de suspense e terror.

“1922” é baseado em um conto homônimo assinado por Stephen King. O conto está inserido no livro “Escuridão total sem estrelas“, publicado no Brasil pela editora Suma de Letras. A propósito: o livro todo é excelente, mas já aviso que esse conto é o melhor de todos. A história se passa no ano que dá nome à história, em uma fazenda do Nebraska, na qual a família James vem tendo dificuldade de chegar a um acordo. Wilfried James é apaixonado por sua terra e por seu filho, Henry. Arlette, sua esposa, por outro lado, não vê a hora de vender a sua parte do terreno, mudar-se para Omaha e levar seu filho com ela. Como resolver essa situação?

Com um assassinato, claro. O que mais você esperava de uma obra de Stephen King?

Paranoia ou assombração?

O grande ponto positivo do conto original e que felizmente foi preservado no filme é a incerteza sobre a natureza de alguns eventos ocorridos. Após o protagonista Wilfried levar a cabo seu plano, coisas estranhas começam a acontecer em sua fazenda e na vida das pessoas ao seu redor. Em um filme de terror comum, obviamente estaríamos falando da influência de uma entidade sobrenatural. Mas nessa obra, é difícil precisar o que está acontecendo.

Wilfried começa a ser perseguido – e punido pelos seus atos – mas não é fácil separar o que é sobrenatural do que é paranoia. Acidentes domésticos e as precárias condições de vida em uma fazenda do meio oeste americano em 1922 também fazem o espectador se questionar o quanto essas situações macabras não são simples frutos desses elementos mundanos. Essa é a magia de Stephen King: confundir o leitor e mantê-lo desconfiado de tudo que lê – ou, nesse caso, assiste.

Ela tá atrás de mim, não tá?

 

Wilfried, o homem calculista

O personagem principal do filme e principal aspecto positivo da obra é Wilfried James. Thomas Jane interpreta o fazendeiro obstinado de maneira brilhante. Ele consegue mostrar, em sua atuação, as diversas faces do personagem. O pai determinado a deixar um legado ao filho; o homem calculista, invejoso e obcecado em destruir seus inimigos; o homem acuado, apavorado pelos fantasmas do passado.

Thomas Jane colocou em seu personagem uma série de trejeitos que ajudam a dar personalidade ao personagem. Sua fala, o modo de andar, o jeito de olhar, tudo ajuda a compôr e diferenciá-lo dos demais. Nesse tópico, um ponto me incomodou. Wilfried tem um sotaque muito peculiar: não sei identificar de onde é, mas é perceptível que ele fala de maneira diferente dos demais personagens. E isso que me pareceu estranho: ninguém mais em todo o elenco falava como ele, mesmo pertencendo, às vezes, ao mesmo ambiente e local que ele.

Lista de tarefas de hoje: fumar meu cachimbo e planejar assassinatos.
Conclusão

“1922” é uma excelente adaptação da Netflix. À altura do conto original, o longa mantém a atmosfera de suspense e terror que consagraram Stephen King. Continue ligado na Drop Hour para acompanhar mais notícias e críticas relacionadas à Netflix e aos livros do mestre do terror!

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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