Roberto Aprova #11 Kaori de Giulia Moon

“Vampiros à moda antiga em meio ao contemporâneo”

Fala, galera! Mais um Roberto Aprova, hoje trazendo a primeira dica de livro para vocês. as três obras que compõem a Saga Kaori, escrita por Giulia Moon. Conheci a simpática autora na Bienal do Livro de 2011. Em minha peregrinação pelo local, ela me abordou e perguntou se eu gostava de animes, para em seguida começar calmamente a me explicar todo o livro. Nessa época a febre Crepúsculo imperava por aqui e eu certamente torci o nariz quando Giulia pronunciou a palavra vampiro. Mas logo ela falou que os vampiros de seu livro eram os vampiros convencionais, seres da noite, sugadores de sangue. Movido pela curiosidade e pelo carisma de Giulia Moon, comprei o primeiro livro da série, “Kaori: Perfume de Vampira”, que acabei devorando de tão ótimo que é. Não me arrependi.

Kaori: Perfume de Vampira

A belísima capa do primeiro livro.

Em 1648, período da Era Tokugawa, Kaori é uma bela menina com uma característica única, ela exala um perfume natural doce e agradável. Daí que vem o seu nome: “Kaori” significa perfume, fragrância, em japonês. Ela vive com seu pai Gombei, um humilde vendedor de Dangôs em Edo, antiga Tóquio. Por ter essa característica e ser muito bonita, Gombei é importunado diversas vezes por Missora, proprietária de uma casa de prazeres, pedindo que Kaori seja uma de suas cortesãs. Só que segundo as lendas locais, coisas estranhas acontecem, como meninas que são mandadas até lá nunca mais serem vistas. De começo ele vê vantagem: sua filha poderá ganhar muito dinheiro e assim ele poderia reformar sua loja de dangôs. Mas as lendas locais sempre fazem com que ele volte atrás. Missora quer a todo custo Kaori para si nem que para isso use sua influência para cometer atrocidades como assassinar Gombei. Kaori se vê perdida, e ao buscar uma forma de superar Missora, encontra um ser milenar que a transformará em um Kyuketsuki, uma vampira.

Ao mesmo passo no ano de 2008 na grande São Paulo, temos a história de Samuel Jouza, vindo de uma família de tchecos, que perdera a conta de quantas vezes erraram seu sobrenome e escreveram Souza. Samuel é um olheiro de vampiros, um vampwatcher que trabalha para o IBEFF, Instituto Brasileiro de Estudo de Fenômenos Fantásticos. Ele deve apenas observar os vampiros, anotar seu cotidiano e nada mais. Samuel tem um caso com Beatriz, uma bióloga que também trabalha no IBEF e estuda os famélicos, seres parecidos com cães que podem assumir a forma humana e são encarregados de comer os restos deixados pelos vampiros. A vida de Samuel se torna um inferno quando decide salvar um garoto de rua de ser atacado por um vampiro e descobrirá coisas muito além de seu estranho trabalho como vampwatcher.

Os capítulos do livro são intercalados entre o Japão feudal, onde o leitor conhecerá cada passo da história de Kaori e a São Paulo contemporânea onde ela encontrará Samuel. O livro apresenta muitas cenas de ação, referências ao folclore japonês e passagens carregadas de sensualidade. O estilo de narrativa, com os capítulos intercalados funciona muito bem, rumando para um final de tirar o fôlego. “Kaori: Perfume de Vampira” é um prato cheio pra quem gosta de suspense, ação na medida certa, cultura japonesa e é claro vampiros!

Kaori 2: Coração de Vampira

Capa do segundo livro da série. Kaori: Coração de Vampira.

Após os acontecimentos do primeiro livro, Kaori decide ficar reclusa no Rio de Janeiro, mais precisamente em Copacabana. Tudo parecia bem normal, até os olhos de Kaori se encontrem com Yoshi, um garoto de programa mestiço entre japonês e brasileiro. Yoshi possui um talento natural com as mulheres, podendo conseguir a que ele desejar facilmente. Kaori, que há muito tempo fechou seu coração para o amor, se vê em conflito, se entregar ao desejo e atração que Yoshi transpira, ou manter-se distante de um sentimento que ela deseja esquecer? E Yoshi, é claro, tentará ter seu prazer com a belíssima Kaori sem saber que ela é na verdade uma vampira.

Ao mesmo tempo, em Sã Paulo, o IBEFF está estudando um fenômeno de proporções mundiais. Uma espécie de praga invisível está deixando todos os seres fantásticos enlouquecidos. E mais uma vez Samuel, Beatriz e outros investigadores do instituto terão muito trabalho pela frente e certamente os destinos de Samuel e Kaori se unirão novamente. Missora também está de volta arquitetando a sua teia de maldades. Terá ela alguma ligação com a tal epidemia?

Em Kaori 2: Coração de Vampira, Giulia Moon expande ainda mais o seu universo indo além da cultura japonesa e inserindo elementos do nosso folclore em sua narrativa como o boto e a Iara. O segundo livro da série vem mais carregado ainda de suspense e sensualidade e com o clima de mistério no ar que faz com que o leitor continue a ler sem descanso.

Kaori e o Samurai Sem Braço

Kaori e o Samurai sem braço: já na capa podemos ver uma das ilustrações de Giulia Moon ao fundo.

Kaori e o Samurai sem Braço é o terceiro livro da autora sobre Kaori, mas é um spin off da série, uma história paralela. Nela encontramos Kaori indo confortar seu amigo Takezo – que também é um vampiro – que está preocupado com os desastres naturais que aconteceram no Japão em 2011 e Kaori lhe conta uma história que aconteceu com ela no século XVIII, tempo em que também houve uma série de catástrofes e um período de fome conhecido como Grande Fome Tenmei. Ela vivia a margem da população, sempre se escondendo e saciando a sua fome de sangue quando era necessário. Junto com sua companheira Omitsu, uma kitsune, raposa mágica que pode se transforma em humanos, encontram um samurai conhecido como Migite no Kitarô que não possui um braço e extermina demônios com sua espada. Kitarô convence Kaori a viajar com ele para acabar de vez com um monstro ancestral devorador de almas chamado Shinkû.

Neste livro, Giulia Moon nos transporta para o mundo do Japão medieval com uma grande riqueza de detalhes. Ficamos imersos ainda mais na cultura japonesa, sua sociedade e suas lendas. E o livro é ricamente ilustrado pela própria autora entre os capítulos.

Hoje em dia é difícil ver autores de literatura fantástica tão bons. E a paulistana Giulia Moon me surpreendeu com seu estilo de escrita e mais ainda pelo seu carisma e carinho pelos fãs. E como 2015 é ano de Bienal, pode ter certeza de que estarei lá mais uma vez para dar um grande abraço nela como um bom fã. Leitura altamente recomendada para quem busca literatura fantástica nacional de qualidade.

Meu amigo Hernani, e eu juntos da simpática e sempre sorridente Giulia Moon na Bienal de 2011.

Pra quem quiser conhecer mais sobre a autora, ela possui um site próprio: http://www.giuliamoon.com.br/

E também tem o fã clube no Facebook onde ela interage com os fãs: https://www.facebook.com/groups/kaorilovers/?fref=ts

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Roberto

Fanático por Segunda Guerra Mundial, amante de cultura japonesa e viciado em café nas horas vagas.

Um comentário em “Roberto Aprova #11 Kaori de Giulia Moon

  • 11 de abril de 2015 em 05:35
    Permalink

    Yaaaay!! Desde que eu vi essa foto e você me contou desse livro, fiquei com vontade de ler. Mas a preguiça ainda impera (aliás, o Memórias de Uma Gueixa teu está há anos comigo – e não li AUHEUAHEUH).

    Mas saber mais da história me fez querer mais ler *-*. Eu adoro a cultura japonesa!! Tudo é tão diferente do que a gente está acostumado nas histórias do ocidente, né?

    Enfim, muito bacana de novo, Rob! E #PartiuBienal2015 8DD//

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