Crítica: “TWD – Invasão” dá novos ares à franquia.

Parece que foi ontem que abri meu primeiro livro de The Walking Dead. Já conhecia a franquia através dos quadrinhos e da série – série aliás que já abandonei – e decidi partir para a adaptação literária. O primeiro título era “Ascensão do Governador“, magnífica obra sobre a origem de um dos melhores personagens criados por Robert Kirkman. Hoje, pouco mais de dois anos depois, estou aqui escrevendo a crítica do sexto livro de TWD, intitulado “Invasão“. Fico feliz em dizer que após tanto caminho percorrido dentro desse apocalipse zumbi, Jay Bonansinga, autor de todos os livros, ainda consegue nos conduzir à surpresas, descobertas e novas formas de sofrimento.

the-walking-dead-invasion-590x897Capa da edição americana. A arte da brasileira é a mesma. 

“Invasão” se passa pouco tempo após os eventos retratados em “Declínio”, quinto título da franquia. Aqui vão alguns spoilers, caso você não tenha lido esse penúltimo livro: Woodbury foi praticamente destruída, tomada por uma super big fucking horda de zumbis – walkers, errantes, enfim. Lilly Caul conseguiu escapar com uma meia dúzia de sobreviventes, que esconderam-se em túneis improvisados pelo multifuncional Bob, ex-médico de confiança do Governador. Outro que conseguiu escapar a tempo do declínio da cidade foi Jeremiah, o bom-mau pastor que havia tentado organizar um suicídio em massa na cidade anteriormente. Agora ambos os lados tem que tentar se virar com os poucos recursos que lhe restam e estabelecer suas novas prioridades. A de Lilly é tentar retomar a cidade do exército de mortos-vivos. A de Jeremiah é alcançar sua vingança com uma pitada de missão divina. Ou quem sabe seria o contrário?

Ao contrário de “O Caminho para Woodbury” e “Declínio”, esse livro não é sobre a Lilly, mas sim sobre Jeremiah. Claro, Lilly está lá, seus companheiros também, mas o mais importante e interessante é acompanhar como o pastor insano vai conseguindo se reerguer nesse mundo mesmo após ter perdido quase todo seu rebanho. Através de seu carisma, seu dom para oratória e alguns truques mortais Jeremiah vai conquistando mais e mais fiéis – ou soldados, dependendo da perspectiva. E a forma pela qual a fé do vilão começa a invadir a racionalidade dos seus planos, tornando-se uma ameaça constante para sua sanidade me fez lembrar os velhos e bons tempos do Governador.

” – Percebi que o Satã controlava as coisas agora – sua voz rouca, áspera de medo, é tão baixa que mal passa de um sussurro – E a gente tava no inferno – ele estremece um pouco – Eu percebi que estávamos no além agora – Reese fecha os olhos – Este é o inferno, e ninguém nem notou a mudança”. (Reese, pág. 17)

Entretanto, o grande diferencial desse livro são as novas formas que Jay Bonansinga cria entre humanos e zumbis. Novos detalhes sobre o comportamento dos mortos-vivos são relevados,  assim como novas maneiras pelas quais os sobreviventes se aproveitam desses “bugs”. Nesse título acontecem eventos que nunca tinha visto ocorrerem em quase 150 edições do quadrinho, as duas temporadas dos games e nos outros livros de The Walking Dead. Essa é a prova de que ainda há mais a ser explorado nesse universo e de que a criatividade é um fator imprescindível para tornar uma obra única ou apenas comum.

É claro que alguns elementos de “Invasão” ainda se encaixam na categoria do “mais do mesmo”. As descrições elaboradas sobre os errantes estão ali; as mortes sofridas e dolorosas de personagens queridos também; o banho de sengue próximo ao fim do livro ocorre novamente; a incrível capacidade dos habitantes de Woodbury de sobreviverem com os mesmos dois pentes de bala sobressalentes e o último galão de combustível dos últimos 3 livros continua tão surreal quanto antes, e por aí vai. Alguns novos personagens são introduzidos na trama, mas nenhum deles é tão interessante quanto os já velhos de guerra, o que é uma pena.

“Jeremiah fica firme, parado como uma rocha, e não se preocupa, não entra em pânico. Ele ouve a voz do pai, o raspar grave de uísque que provocava um assombro tão terrível na escuridão de seu quarto na maioria das noites: ‘é, ainda que eu ande no vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque sou o filho da puta mais cruel no vale’ ” (pág 176). 

“Invasão” é uma ótima adição à excelente franquia de The Walking Dead. Não é melhor do que “A Ascensão do Governador”, o melhor livro até agora, mas é forte concorrente a ocupar o segundo lugar dessa lista. Graças a novos eventos envolvendo os zumbis, uma pitada de criatividade na narrativa e um protagonismo muito bem-vindo do vilão Jeremiah, o livro conta uma boa história que do meio para o final torna-se difícil de interromper a leitura. Uma última observação: “Invasão” chega novamente pelas mãos da editora Galera Record e também novamente não vi uma propaganda desse lançamento. Seria legal se a editora começasse a divulgar melhor seus produtos, pois só descubro que um novo TWD foi lançado porque tenho o hábito constante de ir às livrarias. Alô galera do marketing, vamos trabalhar!

90

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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