Crítica: Splinter Cell (Livro) é o gênero de agentes secretos em sua essência.

Talvez você já tenha ouvido falar de Splinter Cell. Se ouviu, provavelmente está se perguntando porque acrescentei um “livro” no título desse texto. Splinter Cell é, de fato, uma franquia de games pertencente à Ubisoft, baseada na obra de Tom Clancy, o famoso escritor americano – que há pouco tempo veio a falecer, infelizmente. Mas hoje eu escrevo a review não de um jogo, mas do primeiro livro baseado no universo de Splinter Cell. A mídia mudou, mas a qualidade do produto é a mesma: excelente.

“Splinter Cell” foi publicado internacionalmente pela editora Berkley Books – nenhum editora brasileira se prontificou a lançar os títulos por aqui – e escrito por David Michaels. Esse livro é de 2004, mas é apenas o primeiro título de uma sequência de seis já publicados. Apesar de ser o início da caminhada de Splinter Cell nos livros, a ação já começa no primeiro capítulo e o leitor não tem tempo nem de respirar.

A capa do livro

O enredo não é exatamente inovador, mas de forma alguma pode ser considerado tolo ou desinteressante: os Estados Unidos tentam combater um grupo terrorista originado no Oriente Médio. O inimigo da vez é uma organização chamada “The Shadows“, que vêm praticando atentados na Europa e tornando-se cada vez mais audaciosos. O grupo terrorista é financiado por uma outra organização, intitulada “The Shop“, que vende armas e outros serviços para quem pagar o valor mais alto – e sem fazer perguntas. Para proteger o ocidente dessas duas ameaças entra em cena a Third Echelon, encabeçada pelo seu melhor agente: Sam Fisher.

R.I.P. Tom Clancy 

O livro é muito eficiente em explicar ao leitor quem é Sam Fisher e que parada é essa de Third Echelon. Essa organização é um braço da NSA – Agência Nacional de Segurança Americana – especializado em operações…secretas. MUITO secretas. Seus agentes, os Splinter Cell, tem carta branca para quebrar leis e até matar. Mas tais responsabilidades tem um revés: caso sejam capturados, nenhum órgão dos Estados Unidos se responsabilizará por suas ações, abandonando-nos completamente. Sam Fisher foi o primeiro Splinter Cell da história e até hoje é o melhor da equipe. E durante o livro você percebe porque ele merece essa alcunha.

“You’re not going to see our battles on CNN. At least i hope not. If you do, then we’ve failed”
(Sam Fisher)

Apesar de acompanharmos a história por diversos pontos de vista, é através de Sam que aproveitamos o melhor do livro. Fisher é um veterano, um soldado quarentão, pai de Sarah – uma universitária no início dos 20 – e muito bom em seu serviço. Especialista em invasão e fuga, perito em Krav Maga, fluente em mais de cinco línguas, silencioso e mortal, Sam divide seu tempo entre as operações de campo e sua pacata vida de solteiro. Durante a leitura, conhecemos tanto seu extenso treinamento quanto sua vida pessoal, o que torna o protagonista muito rico para o leitor.

The Lannister send their regards…não, pera.
(Imagem de “Splinter Cell: Chaos Theory”)

Ao decorrer do livro, Sam percorre diversos países do Oriente Médio, e o autor sempre aproveita as visitas do personagem para contar um pouco da história desses países. Também aprendemos bastante sobre o complicado panorama político e econômico da região da época – lembrem-se que o livro foi escrito 11 anos atrás. Vez ou outra temos um questionamento de Sam ou de outro personagem com relação à política externa estadunidense e suas investidas na região, mas de maneira geral o discurso utilizado é pró EUA. Não esperava algo diferente, mas é sempre bom deixar claro que sempre há uma ideologia por trás de cada obra e ponto de vista exposto por um personagem.

Outro ponto interessante da obra é o cuidado do autor em descrever todas as funcionalidades do vasto equipamento utilizado por Sam Fisher. Desde os famosos óculos utilizados pelos Splinter Cell – até os gadgets utilizados, como as pequenas câmeras e minas de parede. Tudo é apresentado detalhadamente, com descrições sobre método de uso, alcance, potencialidades e limitações, etc. Isso ajuda o leitor a se aproximar desse mundo da espionagem.

Como dito anteriormente, apesar do enredo não ser de toda forma original, a história se desenrola de forma satisfatória, intercalando momentos de investigação e bate-papo com a ação propriamente dita. Além disso, diversos núcleos compõe o livro: as operações de Sam Fischer, a vida de Sarah, as reuniões do “The Shop”, os planos os terroristas…A mudança constante de perspectiva ajuda a tornar a trama mais completa, deixando poucos pontos sem explicação ou obscuros.

“Splinter Cell” faz jus a sua franquia original. Nesse livro temos a oportunidade de conhecer um pouco mais do difícil serviço da Third Echelon e seu melhor operativo, Sam Fisher, por quem temos a oportunidade de nos apegar durante a leitura, devido à rica construção do personagem. Se você não é do tipo que curte videogames, não abandone Splinter Cell: esse livro foi feito para você!

Facebook Comments

Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *