Review: Scott Pilgrim contra o Mundo

“Hilário, único e hilário de novo.”

Antes de mais nada é preciso esclarecer algo sobre esse texto: essa é uma review sobre o quadrinho lançado no Brasil com o nome de “Scott Pilgrim contra o Mundo”, não o filme, intitulado da mesma forma. Mas ambos tratam da mesma história, então caso você não tenha lido a HQ, fique à vontade para ler essa crítica e descobrir se vale a pena ou não dar uma chance a ela.

O quadrinho original intitula-se apenas “Scott Pilgrim” e foi lançado em 6 edições no Canadá e Estados Unidos, entre 2004 e 2010. O criador do personagem e da HQ, tanto pelo roteiro quanto pela arte, é o canadense Bryan Lee O’Malley. O segundo capítulo da saga intitula-se “Scott Pilgrim vs The World”, e graças à popularidade do filme acabou “substituindo” o título original – semelhante ao que ocorreu com “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Game of Thrones”.

No Brasil, o quadrinho começou a ser publicado apenas em 2010 pela Companhia das Letras. Em vez de 6 edições, recebeu apenas 3, com dois capítulos em cada fascículo. Antes de falar da história em si, cabe aqui um elogio ao material: excelente papel e tradução bem feita. Claro que isso deveria ser algo constante nas publicações brasileiras, mas como temos que sofrer com muitas HQs com papel inferior e traduções cheias de regionalismos bobos e revisões mal-feitas, fica aí o parabéns para a editora.

Aqui vai uma sinopse do enredo e já adianto que dificilmente você já se deparou com algo parecido. O’Malley conta a historia de Scott Pilgrim, um rapaz canadense de 23 anos que tem uma vidinha bem mais ou menos. Momentaneamente desempregado, dividindo um mini-apartamento com seu amigo gay, Wallace Wells – um dos personagens mais divertidos que já encontrei em uma HQ – Scott divide seu tempo entre os ensaios da sua (péssima) banda de garagem e seu namoro com uma colegial, a chinesa Knives. Mas sua pacata rotina sofre uma mudança brusca quando ele conhece a linda e cheia de atitude Ramona Flowers, a garota com um passado misterioso. A paixão é instantânea, mas a dor de cabeça é bem longa. Scott descobre que para conseguir namorar Ramona em paz, ele deve derrotar os 7 ex-namorados da menina, que decidiram se juntar em uma liga do mal com objetivo de controlar a vida amorosa de Ramona!E quando eu falo em derrotar, quero dizer que Scott realmente terá que sair na porrada com eles! Às vezes com espadas envolvidas no duelo!

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Todos já vivemos essa situação embaraçosa após chegar numa menina…

E pronto: temos um plot já curioso nas mãos de um ator sem medo de ser engraçado. As piadas não são forçadas, O’Malley não tem medo de brincar com estereótipos quaisquer, as referências a ícones da pop culture pipocam sem parar, e um saudável desrespeito com linearidade e lógica em sua narrativa tornam a HQ hilária. E mais importante do que isso: única.

Sobre a arte: considero-a perfeita para a história. Não ia querer ler Scott Pilgrim com traços super-realistas. O traço infantil, quase minimalista e preto e branco se adapta bem ao enredo simples e de fácil entendimento. É quase como se estivéssemos lendo um gibi infantil – tirando que aqui temos referências a sexo, traição, violência, etc. Até o jogo, lançado para diversos consoles, segue a mesma lógica: todo desenvolvido em 8Bits, tudo para manter a simplicidade.

the power of loveUm dos muitos plot twists dessa história

“Scott Pilgrim contra o Mundo” tornou-se famoso no Brasil graças ao excelente filme, estrelado pelo carismático Michael Cera. Mas a HQ, obra original, é melhor, oferece uma visão mais completa do universo de Scott Pilgrim e umas 200 risadas a mais. A história é até meio boba, mas os personagens são muito interessantes e apesar de já estar sendo redundante, me sinto obrigado a dizer: nunca li nada tão engraçado quanto “Scott Pilgrim contra o Mundo”.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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