Review: Os Supremos

“A releitura dos Vingadores que todo garoto do século XXI precisa dar uma chance “

No início do século XX a Marvel decidiu lançar uma nova linha de quadrinhos e a batizou de Universo “Ultimate”. Esse universo paralelo ao universo clássico – também conhecido como Terra 616 – tinha como proposta oferecer uma releitura mais “adulta” dos clássicos personagens da Casa das Idéias. O Homem-Aranha foi a cobaia e obteve um feedback positivo. Era chegada a hora de testar outros grandes nomes como X-Men e Vingadores. E quando os heróis mais poderosos da terra receberam sua chance, nasceram “Os Supremos”.

“Os Supremos” é tanto o nome da revista quanto da super-equipe. Essa mudança de intitulação do grupo gerou nos fãs a seguinte pergunta: jogada de marketing ou realmente teremos uma mudança de conceitual na equipe? Felizmente vimos o segundo ocorrer. Nada daquela história de “houve um dia como em nenhum outro no qual os heróis mais poderosos da terra se viram unidos contra uma ameaça em comum…e nesse dia nasceram os Vingadores”. Dessa vez a equipe é reunida por um homem: Nick Fury. E ele tem um objetivo: proteger o planeta do número crescente de ameaças super-humanas.

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A épica capa e contracapa de “Os Supremos”

Mas quem são os homens e mulheres escolhidos para compôr esse esquadrão super-humano? Todos nomes já conhecidos de longa data: Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Viúva Negra, Gavião Arqueiro, Vespa, Gigante… Mas isso não quer dizer que eles são os mesmos que cansamos de ver. Exemplos: o Capitão América ainda usa uma bandeira no peito e é um homem fora do seu tempo, mas pouco do patriótico herói se manteve: agora ele age no melhor estilo “tiro, porrada e bomba”. Ele bate em mulher, trapaceia, usa armas de fogo sem piedade e faz comentários etnocentristas. O Homem de Ferro é mais inventor do que um herói propriamente dito, e seu alcoolismo é levado à enésima potência. Hulk é uma máquina de destruição humana – irrefreável e insana.

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Finalmente Tony Stark tem espaço para colocar seu nariz no elmo da armadura…

Mas o destaque nesse quesito fica por conta de Thor. Esperava encontrar aquele barbudo deus nórdico com roupas extravagantes e linguajar rebuscado? Se enganou – e muito. Agora temos um uniforme novo, um martelo gigantesco assustador e uma postura para lá de curiosa. Thor agora é um ativista político, anti-capitalismo e defensor de causas ambientais. E talvez, quem sabe, ele nem seja mesmo um deus do trovão, apenas um maluco ultrapoderoso.

  Thor apelãoPrecisa já ter lido para saber que essa pancada vai doer?

Não só os personagens foram reciclados, mas o próprio enredo foge do padrão de comics estadunidenses. E aí os créditos vão para Mark Millar, o brilhante roteirista do primeiro e do segundo arco. Os Supremos são uma unanimidade na nação? Não. Suas ações são eticamente questionáveis? Bastante. Todos carregam aquela aura brilhante de grandes super-heróis, deuses entre seres humanos? Não, nem mesmo o Capitão América: todos tem defeitos, e alguns deles inclusive podem levar a equipe – e o planeta – à ruína. E a cada página ficamos torcendo um pouco mais para cada um supere seus problemas com suas qualidades únicas.

ultimates3Lembram de quando Thor chegava nos lugares na humildade e disciplina? Nem eu

Também cabe um destaque positivo para a arte de Bryan Hitch. O novo uniforme do Capitão América e, principalmente, o de Thor são os melhores que já vi os dois personagens usarem. O trovão lançado pelo deus do trovão dói em você. As caras e bocas de Tony Stark são impagáveis. Ah, e uma observação curiosa: foi em “Os Supremos” que Nick Fury apareceu pela primeira vez como um homem negro. E olha que coincidência: desenhado de maneira muito similar ao ator Samuel L. Jackson.

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A bandeira é a mesma, mas o resto…

É fácil adquirir um exemplar de “Os Supremos” hoje em dia: a Panini lançou uma edição de luxo e a Salvat dividiu o primeiro arco em dois volumes, nomeados “Super-Humano” e “Segurança Nacional”. E acredite em mim quando digo: compre, leia e guarde para sempre em sua estante. “Os Supremos” é engraçado, é épico, é a melhor releitura dos Vingadores que eu já tive oportunidade de acompanhar. Millar e Hitch trazem a equipe para o mundo no qual a minha geração nasceu: um mundo globalizado, traiçoeiro, cheio de parafernália tecnológica e comunicacional. Por mais que algumas referências na obra já tenham perdido a validade – vide Playstation 2 citado como tecnologia de ponta – o quadrinho ainda dialoga muito bem com nossa realidade, apresentando heróis modernos – ou pós-modernos – para um mundo que não aceita mais deuses do trovão ou palhaços com roupas espalhafatosas como seus protetores.

Uma observação: caso você já tenha visto o filme dos Vingadores – o que tenho quase certeza – notará algumas semelhanças entre as duas obras. Coincidência? Acho que não.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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