Review: Orion – O filho das trevas

Muitos jovens criticam, ao meu ver injustamente, a literatura brasileira por ter poucas obras voltadas para essa faixa etária. No entanto, se procurarem um pouco verão que há sim livros para esse grupo. Recentemente eu encontrei um desses livros e farei a review de “Orion – o filho das trevas”.

Escrito por Rodrigo Kilzer e publicado pela editora Novo Século em 2014, Orion conta a história de Fábio Flores, um rapaz humilde e querido pelos amigos. Fábio tinha uma vida comum até que ocorre um acidente em sua vida e, no auge de sua depressão, acaba se envolvendo com um homem misterioso que acaba colocando o garoto num mundo sobrenatural que ele pensaria nunca que existisse.

A partir da sinopse eu fiquei curioso para saber como o autor faria para trabalhar com um cenário recorrente (seres sobrenaturais, em especial o mundo dos vampiros) sem trazer mais do mesmo. Felizmente, Kilzer soube utilizar do cenário trazendo algo novo. Com uma diversidade de seres (vampiros, demônios, fantasmas, caçadores) e uma localização geográfica peculiar (afinal, quem já leu um livro de fantasia que se passa em Niterói/RJ?), Orion me mostrou que tinha sim sua identidade própria e, consequentemente, uma maneira de estimular o seu leitor.

Os capítulos são divididos em pequenos blocos onde o narrador observa determinado personagem. Assim, vemos os planejamentos do demônio Sammael, os dilemas de Flávio, a vida de Poubel e Guilherme, a tristeza de Ana Clara que, além da amizade, guarda um sentimento maior por Fábio e o relacionamento conturbado de Cecília, amor de Fábio, e Luciano, rival do jovem protagonista na escola. Essa escolha do autor permite observar melhor o desenvolvimento de cada personagem e como a transformação de Fábio não afeta apenas a si mesmo, mas também os seus amigos. No entanto, há alguns dilemas que são sempre retomados e acabam se tornando repetitivos e deixam a leitura um pouco cansativa.

Orion também é marcado pela divisão da vida e não-vida de Fábio. No primeiro momento Kilzer nos emerge no ambiente de uma escola elitizada de Niterói. Temos pessoas ricas que se acham superiores, suborno aos professores, bullying e etc. Confesso que não gostei muito desse primeiro momento, mas reconheço ser necessário para as questões futuras do livro (como por exemplo o conflito de caráter que Fábio enfrenta ao perceber que sua humanidade está sendo levada). O único “elemento adolescente” que realmente me incomodou durante a leitura foi o uso excessivo de linguagem coloquial nas falas dos personagens que, embora estejamos falando de um diálogo entre adolescentes, soa artificial demais e até um pouco irritante.

Já no segundo momento temos um ar mais sombrio e com cenas de ação e misticismo que levam ao leitor a uma experiência próxima de uma narrativa de RPG num cenário contemporâneo. E é nessa parte que eu diria que o autor mais acerta. Com boas cenas de ação, luta e perseguições, Kilzer consegue dar a Niterói, uma cidade comum, uma nova cara e faz com que o leitor imagine sua própria cidade nas situações que Fábio passa.

Com isso posso dizer que Orion foi uma boa surpresa que tive. Existem alguns problemas no desenvolvimento da história, mas acredito que serão melhorados em sua continuação (fica evidente que a aventura de Fábio não acabou). Vale ainda ressaltar que é o primeiro livro publicado do autor e já podemos ver seu talento e afeição pela escrita. Orion é um livro que recomendo para quem gosta de uma boa história de mistério e vampiros.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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