Review: O Assassino do Rei

“Uma tímida continuação”

Recentemente publiquei na Drop Hour a minha crítica sobre a obra “O Aprendiz de Assassino”, o primeiro livro da Trilogia do Assassino escrita pela estadunidense Robin Hobb. Quem quiser conferir minha opinião, basta clicar aqui. Assim que terminei a leitura, corri para a livraria para comprar o seu sucessor, intitulado “O Assassino do Rei”, e hoje escrevo a review desse livro que pode ser considerado uma boa continuação, mas não muito mais do que isso.

A narrativa em “O Assassino do Rei” pouco difere de seu antecessor. A história continua centrada em Fitz, o bastardo do falecido Príncipe Herdeiro Cavalaria, e sua vida em Torre do Cervo. Personagens icônicos ainda estão lá: Bronco, uma espécie de segundo pai para o protagonista; o seu mestre assassino, Breu; o ardiloso Majestoso e o Rei dos Seis Ducados, Sagaz. Mas felizmente novos personagens são acrescentados a essa mistura: Moli, amiga de infância de Fitz, agora já mulher feita ocupando a função de criada da corte; a destemida cônjugue de Veracidade, Kettricken, ainda se acostumando aos costumes de sua nova casa; e o companheiro inseparável de Fitz, Olhos-de-noite, um lobo selvagem.

A-Saga-do-Assassino-O-Assassino-do-Rei-Robin-HobbBonita capa, Fernandinho

Os novos personagens assumem papéis diferentes nesse novo momento em que vivem os Seis Ducados. Fitz é acolhido por Veracidade e torna-se praticamente um soldado a seu serviço, e tenta conciliar essa nova função com seu romance secreto com Moli. Kettricken ainda tenta entender qual sua função dentro da Torre do Cervo, e por diversas vezes toma a frente na guerra contra os Salteadores Vermelhos. O Rei Sagaz, antes imponente, agora se apresenta cada vez mais doente e incapaz de executar seus deveres reais. Majestoso, por sua vez, ganha cada vez mais prestígio e poder dentro da corte.

Além da Torre do Cervo a situação vai de mal a pior. E acreditem: esse é o enredo do livro da página 10 até a página 700. Os Salteadores Vermelhos destroem mais vilas, mais pessoas são forjadas – nome dado aqueles que tornaram-se figuras malignas, sem sentimentos, que agem apenas por instinto de sobrevivência e menor é a esperança de vitória nessa guerra sem fim. Inclusive esse é um dos motivos pelos quais considero o “O Assassino do Rei” maçante: não há reviravoltas no plano geral, apenas uma piora gradativa.

Royal-Assassin-Del-Rey-Alejandro-ColucciCapa internacional do livro…Juro que imaginava o Fitz mais ou menos assim mesmo

Quem rouba a cena no segundo título da trilogia é Olhos-de-noite. O lobo executa um papel essencial: oferecer a Fitz uma nova perspectiva de vida. Porque não se entregar a Manha e tornar-se um animal selvagem. A proposta é tentadora: lobos não tem reis, não tem obrigações com suseranos, não tem que lidar com intrigas mesquinhas…O bastardo se vê em um dilema existencial intenso e é obrigado a colocar na balança o seu amor por Moli, suas obrigações para com Sagaz e Veracidade e sua própria felicidade.

O grande problema de “O Assassino do Rei” é a repetição desnecessária de eventos. Fitz fica doente ou fora de combate pelo menos 5 vezes durante o livro, e já na terceira se torna chato acompanhar suas lamúrias sobre dor, mal-estar e etc. A quantidade de vezes que há um embate entre Majestoso e o protagonista dentro do quarto do Rei Sagaz chega a irritar. E é impossível não se irritar com a inércia de Veracidade: que filho deixaria o pai e o sobrinho sofrerem tanto sem tomar uma atitude mais enérgica?

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SOON…

“O Assassino do Rei” é um livro interessante pelos mesmos motivos de seu antecessor: personagens fortes e carismáticos, narrativa envolvente e uma trama que instiga sem se revelar completamente. Mas esperava mais do segundo livro da trilogia, principalmente pela diferença de tamanho: enquanto o primeiro possui pouco mais de 400 páginas, o segundo passa das 700, mas esse aumento em quantidade não se reflete na qualidade. Estou ansioso pela conclusão da trilogia, ainda sem previsão de lançamento aqui no Brasil.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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