Review: O Aprendiz de Assassino

“O Aprendiz de trilogia de sucesso”

Quem tem o hábito de ler muito sabe o desafio que é visitar uma livraria. Olhar todas as sinopses é praticamente um ritual obrigatório. A vontade de comprar 50 livros é gigantesca. Mas grana é curta e o tempo para ler tudo isso é praticamente inexistente. Logo, somos obrigados a escolher com cuidado qual será nossa próxima leitura. No feriadão, resolvi investir no “O Aprendiz de Assassino”, obra de Robin Hobb. Hoje, ao terminá-lo, percebo que fui feliz em minha decisão.

“O Aprendiz de Assassino” é o primeiro livro da chamada “Saga do Assassino”, escrita por Robin Hobb, escritora estadunidense nascida na Califórnia. Publicado em 1995, o livro chegou ao Brasil pelas mãos competentes da Editora Leya apenas em 2013 – o delay brasileiro é fantástico. O segundo livro da trilogia, intitulado “Assassino do Rei”, chegou ao Brasil nesse ano, e o último ainda não possui título traduzido nem previsão de lançamento.

O-Aprendiz-de-Assassino-capa-leyaA nova capa da publicação

Recentemente terminei de ler todos os livros de George Martin lançados no Brasil, mas eu queria mais. Não exatamente do seu mundo, da sua leitura, mas de acompanhar um universo ao menos semelhante. E a sua indicação positiva acerca de “O Aprendiz de Assassino”, estampada na capa do livro, foi o estopim para a minha decisão. George Martin elogiou o livro, e eu faço o mesmo.

A obra se passa na era medível, mais precisamente em um pequeno mas poderoso reino chamado “Os Seis Ducados”. Governado pelo Rei Sagaz e pelos seus filhos Cavalaria, Veracidade e Majestoso, o reino vive dias difíceis, sofrendo diversos ataques em seu litoral de autoria dos Salteadores dos Navios Vermelhos. Esse complexo momento político é abalado pela aparição do personagem principal da trama: Fitz, o bastardo do Príncipe Herdeiro Cavalaria. Fitz é abandonado aos cuidados do mestre dos estábulos e fiel escudeiro do príncipe, o solitário Bronco, quando o jovem príncipe decide abandonar o seu cargo e a linha de sucessão ao trono. E a corte real nunca mais seria a mesma após esse dia.

o-aprendiz-de-assassino

Um Barathe….quer dizer, um cervo, símbolo da família real

A trama é contada através dos olhos do jovem Fitz. Os leitores acompanham sua infância conturbada, seu aprendizado, suas descobertas, até o início de sua agitada adolescência. Por mais que seu pai seja um personagem ausente, muitos outras figuras fantásticas o substituem: Bronco é uma espécie de segundo pai, respeitado, temido e amado, tudo simultaneamente, por Fitz; o agora Príncipe Herdeiro Veracidade é a figura mais próxima de tio legal que alguém poderia sonhar; Majestoso é tão seboso e invejoso quanto é possível alguém ser. Esses são apenas alguns exemplos de como as personagens do livro são bem construídas a ponto de serem quase palpáveis.

O universo no qual a historia se passa é relativamente pequeno e simples, mas considero isso uma qualidade do livro. Ao centrar a historia em Fitz, o leitor sente mais os acontecimentos, compartilha suas emoções com o personagem, sente as mesmas dores que ele. E acreditem, elas são muitas. Por mais que não tenhamos um índice de mortalidade literária tão alto quanto em “As Crônicas de Gelo e Fogo”, prepara-se para dizer adeus a algumas figuras carismáticas.

No mais, o livro conta uma historia de fantasia medieval fiel ao gênero, então espere encontrar magia, fenômenos sobrenaturais, batalhas, assassinatos… Tudo na medida certa, intercalando bem momentos épicos com questionamentos e angústias mundanas. Fitz é um garoto que vive as situações mais incríveis nesse complexo reino de Seis Ducados, mas no fundo sua maior dúvida é uma das mais frequentes em nosso cotidiano: qual é o meu lugar no mundo?

“Vivíamos os dois trancados nas nossas solidões, e olhando-nos cara a cara, a cada serão, víamos um no outro a quem atribuíamos a culpa disso”.
(Fitz Cavalaria)

“O Aprendiz de Assassino” me conquistou, tanto que já comprei o segundo livro da trilogia e já comecei a sua leitura. Personagens carismáticos, ação e reflexão na medida certa e uma trama que se revela apenas o suficiente para lhe deixar intrigado sobre o que ocorrerá a seguir são os ingredientes desse sucesso. O livro é barato, curto, e o investimento vale muito a pena.

Facebook Comments

Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Um comentário em “Review: O Aprendiz de Assassino

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *