Review: Kenobi

“Tudo o que você não precisava saber sobre Obi-Wan, mas que bom que agora pode ficar sabendo”

Entre na grande livraria mais próxima e você perceberá um fenômeno: a multiplicação de livros de Star Wars. Desde o anúncio do sétimo filme da franquia, aos poucos diversos títulos relacionados começaram a dominar as prateleiras. Nem sei dizer ao certo quantos são agora, tampouco li a sinopse de todos para saber do que se tratam. Para ser franco, apenas 1 deles me chamou a atenção a ponto de me fazer querer saber mais sobre ele: Kenobi. Motivos: a capa é bonita à beça, a sinopse prometia tratar de um dos meus personagens preferidos de Star Wars e estava em promoção. Comprei, li e agora estou aqui escrevendo a crítica.

Ah, antes de começar, um aviso, cortesia do meu amigo realmente fã de Star Wars, André Serrão: esse livro não faz mais parte do canon oficial da franquia.

Foda-se, li mesmo assim e gostei. E agora vou te dizer porque gostei. Espero que ainda esteja me lendo, aliás.

conteudo_93398 (1)Obi-Wan badass as fuck nessa capa de “Kenobi”

“Kenobi” é de autoria de John Jackson Miller. A história foi iniciada em 2006 (pós-trilogia não-tão-mais-nova-assim), mas foi publicada apenas em 2012. No Brasil o livro chegou apenas em 2015, pelas mãos da editora Aleph. Os eventos retratados na obra ocorrem entre o episódio III e o IV. Não custa relembrar o que ocorreu no fim do III: os Jedi foram praticamente extintos graças às tramóias dos Sith. Apenas dois sobreviveram: Yoda e Obi-Wan. Após derrotar (e mutilar) seu ex-pupilo, Anakin Skywalker, Obi-Wan recebe a missão de esconder e proteger aquele que pode ser a única esperança da galáxia: Luke Skywalker, esse ainda um bebê. O Jedi amargurado então se isola em Tatooine, planeta natal de Anakin, para efetuar sua missão.

E é exatamente o começo dessa nova jornada que testemunhamos em “Kenobi”. Sentindo-se culpado por ter falhado com Anakin e com toda a república, com medo de ser reconhecido, mais ainda temeroso em não conseguir proteger Luke, Obi-Wan torna-se apenas “Ben” e tenta passar despercebido em sua nova casa. Infelizmente para ele e felizmente para os moradores necessitados do planeta, o velho Jedi não consegue a paz e tranquilidade que tanto procurava. Aos poucos Ben percebe que a população local, composta principalmente por fazendeiros, droids e o temível Povo da Areia são capazes de criar todo tipo de confusão possível – e sempre acabam envolvendo-o nelas. Quando ele percebe que pessoas indefesas precisam da sua ajuda, Ben decide que não pode mais ficar de braços cruzados e decide prestar serviços – ao melhor Jedi style.

O livro não possui um enredo mirabolante. Inclusive algumas seqüências de eventos se repetem: alguém faz merda, Obi-Wan resolve, todo mundo sai feliz mas confusos, perguntando-se o que aconteceu. A vida em Tatooine é descrita de maneira satisfatória, assim como seu clima, as dificuldades da população em conviver com falta de água, predadores bizarros e ainda por cima o povo da areia. Tudo ocorre em uma ambientação meio faroeste: o deserto, os bang-bang, o xerifão que manda em tudo, etc. O atributo que torna o livro mais interessante, no fim das contas, são as personagens.

Obi-Wan dispensa apresentações e acho que o autor captou bem a essência do personagem. Defensor dos fracos e oprimidos, sempre buscando a negociação antes do enfrentamento, com uma pitada de amargura e autoflagelação emocional. Mas os outros personagens também brilham e aqui destaco dois deles. Orrin Gault, o líder da milícia local de Tatooine, o governador informal da região e grande homem de negócios, Orrin acaba por fazer um contraste interessante à figura de Obi-Wan. A outra personagem, essa sim a grande protagonista do livro e uma das mais legais é Annileen Calwell, dona de um grande armazém local, mãe solteira de dois adolescentes com propensão a autodestruição e eternamente em dúvida sobre o que está fazendo de errado com sua vida. A interação entre essa tríade proporciona os melhores diálogos e momentos em geral da trama.

Para os fãs de Star Wars, não há grandes acréscimos à história. Nada do que Obi-Wan faz no livro realmente interfere nos eventos retratados no Episódio IV. Existem alguns easter-eggs aqui e lá, alguns deles que provavelmente eu mesmo nem devo ter reparado. De qualquer forma, se deparar com eles e entender a referências é recompensador para quem assistiu os filmes.

“Kenobi” é um bom livro passatempo para quem é fã de Star Wars e, mais ainda, de Obi-Wan. É interessante ver como o personagem lida com seus fantasmas após os terríveis acontecimentos do Episódio III, enquanto percebe que o mundo não para só porque ele está sofrendo. Ainda existe morte e sofrimento lá fora, assim como pessoas que precisam da ajuda de um Jedi. Pode não estar mais no canon oficial, mas está na minha lista de recomendações para você. Leia!

90

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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