Crítica: Dead Island (Livro) não encanta, mas diverte.

Eu nunca joguei Dead Island. Eu já conhecia a proposta do jogo, cheguei a ler algumas críticas sobre ele, mas nunca cheguei a experimentar o game. Essa falta de experiência acabou sendo benéfica a minha leitura do livro baseado na franquia, pois comecei a minha jornada sem preconceitos ou maiores expectativas. Simplesmente olhei a capa do título, gostei da sinopse e comecei a ler. Após terminar a última página, posso dizer que a aventura deu para o gasto.

“Dead Island” – o livro, o qual escrevo essa crítica agora – foi escrito por Mark Morris e publicado no Brasil esse ano pela Galera Record, mesma editora dos livros de The Walking Dead. A temática central também é a mesma: apocalipse zumbi e os horrores decorrentes desse fenômeno. A história se passa na fictícia Banoi, uma ilha tropical paradisíaca na qual turistas do mundo todo escolhem gastar seu tempo e dinheiro com luxuosas férias. Infelizmente é também em Banoi que uma pandemia se inicia, transformando boa parte da população local em zumbis. O leitor acompanha a transformação da ilha em um verdadeiro inferno através da perspectiva de quatro personagens: Logan, um ex-jogador de futebol americano arrogante; Sam B, um rapper de um sucesso só; Purna, uma australiana meio aborígene em busca de um sentido pra sua vida; Xian Mei, uma policial chinesa em uma missão muito estranha.

dead island morrisA capa do livro é a mesma do game – provavelmente para gerar identificação imediata entre os fãs

São os personagens principais que tornam a leitura de Dead Island interessante. Logan e cia tem suas personalidades bem construídas, assim como seu background. Apesar do livro ser curto demais para que suas histórias se desenvolvam da maneira que mereciam, os protagonistas são construídos de maneira a se destacarem do enredo simplório, fazendo com que o leitor realmente se apague a eles. Os coadjuvantes também apresentam características, sejam psicológicas ou físicas, que o tornam memoráveis, o que é legal, pois mostra que a obra não está totalmente focada nos horripilantes zumbis.

Embora tenhamos bons diálogos e interações entre personagens, em 50% do tempo o que acompanhamos são tiroteios contra mortos-vivos. A fórmula do livro é essencialmente hollywoodiana: começo parado e pacífico, de repente o caos se inicia e a partir daí temos cenas de ação frequentes, intercaladas por alguns momentos de conversa. Tudo ocorre muito rápido – apenas 2 dias separam o início da trama e o seu desfecho – e a sensação que fica é que se os acontecimentos se desenrolassem com mais calma ou fossem mais detalhados, a trama pudesse ganhar em profundidade. Alguns episódios até são descritos com mais complexidade, mas alguns deslocamentos, por exemplo, que poderiam reservar surpresas ou comportar diálogos enriquecedores, são suprimidos. As personagens simplesmente já aparecem em seu destino e eu fiquei com a sensação de que houve uma certa preguiça em contar o que rolou no caminho.

“- Acho que você precisa lembrar que aquelas coisas…os infectados, quero dizer…não são as mesmas pessoas que um dia eles foram. Aquelas pessoas não existem mais, estão mortas. E o que quer que nos torne o que somos – Sam bateu no peito para enfatizar esse argumento – e com isso quero dizer nossa alma, ou nossa essência, ou não importa o que seja… Partiu, seguiu em frente, foi para onde quer que vamos quando morremos. E as coisas que sobram… os corpos… são apenas marionetes para o vírus. Não são pessoas. São apenas coisas”. 

Ao contrário de The Walking Dead, obra que considero referência ao falarmos sobre qualquer coisa envolvendo zumbis – Dead Island não é sobre sobrevivência. Não há grandes detalhes sobre escassez de alimentos, água, etc., tampouco detalhes sobre como os protagonistas pretendem sobreviver ao caos instaurado na ilha – até porque, como já disse, tudo acontece em praticamente 2 dias. O livro é uma grande aventura na qual os sobreviventes tentam encontrada a saída do inferno no qual a sua vida se transformou, e pouco mais do que isso.

“Dead Island” é uma aventura com bastante tiro na cabeça de mortos-vivos, algumas cenas tocantes e protagonistas bem construídos, apesar da curta duração do livro, tanto em termos de enredo quanto em tamanho propriamente dito, já que a obra tem menos de 300 páginas. Apesar de tecnicamente o livro não concluir a história, o arco é fechado de maneira satisfatória. Dead Island pode não ser a melhor obra do gênero do mundo, oferecendo em 60% do tempo mais do mesmo em termos de literatura pós-apocalíptica zumbi, mas vale o tempo e dinheiro investidos – comprei o meu exemplar por 32 reais.  Aguardemos agora uma continuação, sobre a qual você certamente poderá conferir a minha opinião aqui na Drop Hour!

75

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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