Review: Astronauta – Singularidade

“Comum”

Muitos brasileiros tiveram como sua primeira leitura um gibi da Turma da Mônica. Esses personagens marcaram nossa infância e tornaram-se um ícone das histórias em quadrinho nacionais. O sucesso da marca é tanto que o universo da Mônica recebeu adaptações para obras de arte, desenhos, o sucesso de vendas “Turma da Mônica Jovem” e, mais recentemente, a linha Graphic MSP, composta por Graphic Novels relacionadas aos principais personagens criados por Maurício de Souza.

A história que abriu a coleção foi “Astronauta: Magnetar“, escrito e desenhado por Danilo Beyruth. Como não tenho mais o quadrinho em mãos, preferi não escrever uma review para assim evitar um possível engano em algum ponto, mas deixo aqui minha opinião: é um belíssimo quadrinho que oferece uma releitura adulta para o carismático Astronauta. Solidão, arrependimento, paranóia, todos esses elementos fizeram de “Magnetar” um belo começo para a Graphic MSP, e era mais do que justo que o personagem também estreasse uma, digamos, “segunda rodada” dos títulos.  É uma pena que “Singularidade” deixe o nível cair – e muito.

A capa da publicação

Danilo Beyruth foi escalado para esse segundo título do Astronauta e muito por causa disso eu esperava um enredo no mesmo nível do antecessor. Infelizmente minha hipótese não se confirmou. Vamos à história: Astronauta vem sendo mantido em quarentena e avaliação psicológica pela BRASA (a NASA brasileira) para que se possa averiguar quais foram as consequências dos acontecimentos ocorridos em “Magnetar”. Uma psicóloga, chamada apenas de Doutora, o acompanha de perto, mas não consegue definir se ele está apto ou não a voltar ao serviço. Mas tais dúvidas tem que ser adiadas quando uma nação estrangeira, responsável pelo salvamento de Astronauta no quadrinho anterior, pede a sua ajuda para investigar um buraco negro, um trabalho que só ele é capaz de realizar. Entretanto, Astronauta dessa vez não viajará sozinho: ele é obrigado a embarcar com a Doutora e um Major desse tal país – que nunca é nomeado na história.

E é a presença dessa “tripulação” que dita o enredo da história. O tal Major não é exatamente um pilar da ética. A Doutora e o Astronauta se aproximam cada vez mais durante a viagem. E o buraco negro? Bom, ele é o coadjuvante de luxo. Perceberam que o enredo é idêntico ao de uns 372 filmes de 007? O agente talentoso mas atualmente questionado pelos seus superiores, um major misterioso, a mocinha, um obstáculo intransponível que ameaça a vida de todos… Todos nós já vimos esse filme, não é mesmo? Por mais que eu não tenha dado spoiler algum, provavelmente você sabe onde isso tudo vai dar.

“Singularidade” não é uma história ruim, mas de forma alguma é inesquecível. Os personagens anônimos, as longas, complexas e desnecessárias explicações sobre buracos negros e física, o enredo batido, tudo contribui para uma leitura rápida, sem surpresas e que não te convida a uma segunda leitura. Esperava muito mais do retorno de Danilo Beyruth e do personagem Astronauta às páginas da Graphic MSP, e infelizmente me decepcionei. “Astronauta: Singularidade” é, ironicamente, comum. E nada mais.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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