Review: A queda do Governador

“O outro lado da moeda”

Às vezes é difícil dizer Adeus a um personagem. Nós, fãs de “The Walking Dead”, já vivemos muito a seguinte situação: o cara aparece, começa a contar sua história, faz coisas maneiras, você começa a se apegar a ele…e aí ele morre. E vida que segue, certo? Rick e os outros sobreviventes viverão novas aventuras e teremos que nos contentar com lembranças. Mas eis que surge uma luz no fim do túnel para quem é fã do Governador: a morte dele no quadrinho não é o fim para o personagem. Graças à “A queda do Governador” temos a oportunidade de acompanhar a sua caminhada até a trágica morte por outras perspectivas, diferentes das dos protagonistas da franquia.

Apenas para situar o leitor: “A queda do Governador” na verdade são dois livros diferentes. Espertamente, resolveram publicar a história em duas partes, 1 e 2, respectivamente (óbvio, né). Mas porque isso? Com o único intuito de ganhar mais dinheiro, ao meu ver. Não havia menor necessidade de quebrar o enredo no meio, e acabou que as duas publicações possuem pouco mais de 300 páginas cada. Ah, a ganância….enfim, voltemos ao que interessa.

the-walking-dead-queda-do-governador-parte-1Tapa-olho caído: signo universal para “deu merda”.

“A queda do Governador” é narrado através de alguns pontos de vista distintos, mas dois deles são os focos principais: o do próprio Governador, Philip Blake, cada vez mais insano e sádico, e o de Lilly Caul, protagonista do livro “O caminho para Woodbury” (prometo que em breve farei review dele, não o esqueci!). Enquanto o Governador segue fazendo de tudo para cumprir seu objetivo de proteger Woodbury e seus cidadãos, Lilly tenta entender qual seu lugar naquela cidade. Perdida e confusa, ela se envolve com Austin, um jovem local, e pouco tempo depois sua vida tem uma reviravolta inesperada: ela engravida. Como ela conseguirá criar um bebê em mundo tão caótico como esse? Será que é hora de confiar um pouco no Governador e tentar cuidar da dela e do seu futuro filho?

the-walking-dead-queda-do-governador-parte-2E quem tem que resolver a merda é a badass Lilly Caul.

O leitor tem a oportunidade de acompanhar essas e outras perguntas que Lilly se faz durante toda a obra, mas sem jamais perder o ritmo: a ação é frenética e todo capítulo novo pode reservar uma tragédia. Principalmente quando Rick e seus companheiros chegam a Woodbury, alterando completamente a rotina da tensa cidade. Por mais que o desfecho do enredo seja já conhecido – quem leu o quadrinho sabe o que vai rolar no fim desse encontro – é muito interessante ver através dos olhos de Lilly, Austin, Bob – o simpático e bêbado protegido do Governador – e outros habitantes da cidade o que significaram aqueles eventos.

“- E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, e eles serão julgados, e aqueles que temem meu nome, pequenos ou grandes, devem destruir aqueles que destroem a terra…e haverá guerra no Paraíso – Tyreese olha para os dois – É isso que está acontecendo…é do Apocalipse… não que vocês saibam alguma coisa da Bíblia. É isso que está acontecendo. Não podem fazer a maré retroceder; vocês abriram a porta”
(Tyreese) 

A narrativa continua tão intensa quanto nas obras anteriores (para quem não leu nem o primeiro da série, o “Ascensão do Governador”, aqui está a nossa review http://drophour.com.br/2014/07/25/review-the-walking-dead-a-ascensao-do-governador/ ). As descrições detalhadas de cenas macabras, entranhas de zumbi e todos os aspectos sombrios de um mundo governado pelos mortos ainda impressionam mesmo após muitas e muitas páginas lidas, e nessa obra há uma adição a esse mix de sucesso: os conflitos ocorridos dentro da mente de Philip Blake. Vale MUITO à pena conferir o que se passa na cabeça desse personagem fantástico.

“Ela enfia o cano de aço azulado na boca do Governador com força suficiente para quebrar dois dos dentes da frente dele. (…) Os dedos dela começam a apertar o gatilho. O único olho de Philip Blake encontra o olhar dela. O mundo inteiro parece parar – o tempo fica suspenso – como se o inferno tivesse, por fim, congelado”.

“A queda do Governador” apenas enriquece o já magnífico mundo de “The Walking Dead”. Todos os quatro livros da série acrescentam demais à personalidade e à história de diversos personagens, principalmente o Governador, Lilly e Bob. Leitura essencial para quem se considerar um fã da franquia, recomendo demais que você compre as duas partes e guarde um lugar na sua prateleira para uma continuação, pois algo me diz que a história de Woodbury ainda não acabou…

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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