Crítica: ”Illidan”, de Traidor à herói?

Quando comecei a jogar World of Warcraft em 2014, iniciei na expansão Warlods of Draenor aka Como Pior Expansão deste Jogo ™ e não tenho certeza onde me perdi mas eu odiava saber a lore, quis passar todos os vídeos, pulava as falas das quests e só meu consciente sabe o quanto me arrependo hoje em dia. Nestes últimos meses, comecei a procurar pela história, saber como meus heróis chegaram onde chegaram e nessa busca, me apeguei ao Illidan, que na minha opinião, é um herói injustiçado e neste livro, ele prova que é mais nobre do que Azeroth pensa.

”Sinta o ódio de dez mil anos!”

No começo do livro temos um Illidan sendo libertado do seu cárcere de dez mil anos, onde ele cultivou um enorme ódio por todos aqueles que o trancafiaram e mais ainda, pela Legião Ardente. Tyrande, sua amada, o liberta pois acha que o único que pode conter este mal é ele, ela de certa forma, ainda hesitante, confia nele, no que ele era. Illidan em sua essência, não é ruim mas é facilmente corrompível pelo poder. Quanto mais ele tem, mais ele quer. Em sua mente, ele também é o único que pode conter a Legião e assim o fará. Sua lógica é, basicamente: se for preciso matar mil civis para salvar todo o mundo, tudo bem. Mas esta não é a idealização de herói que o povo de Azeroth tem…

 

Os caçadores de demônios e a sede por sangue vil

Depois da sua liberdade, Illidan então toma o Templo Negro com a ajuda de Lorde Akama, Lady Vashj e o príncipe Kael’Thas. E é lá que acontece uma das coisas mais legais do livro: o treinamento dos caçadores de demônios. Para quem está por fora do jogo, esta foi uma nova classe adicionada na última expansão, Legion. Basicamente essa nova classe foi feita para caçar os demônios da Legião Ardente, ela é a ”imagem e semelhança” de Illidan, possuem duas glaives, chifres enormes, asas majestosas e muitas tatuagens pelo corpo. E assim como Illidan, os caçadores de demônios são altamente atraídos pelo poder e principalmente, pelo sangue vil dos demônios mas é daí que a essência deles vem: eles eram elfos nobres, que perderam alguma coisa que amavam muito para a Legião e sairam em busca de vingança.

Maiev e Illidan: o caçador e a caça

Nem todo mundo ficou tão satisfeito assim com a liberdade de Illidan, Maiev Cantonegro, por exemplo, vive sua agoniante busca por justiça. E é aí que acontece o paradoxo mais legal do livro, Maiev se vê fazendo exatamente a mesma coisa que seu inimigo fez: justiça com suas próprias mãos que na verdade, é vingança. Lutar por sua causa individual e não se importar com o bem comum. A única a estar incomodada com a luta de Illidan contra Legião Ardente, é ela, que incansavelmente tenta provar para todos que ele é um mal pior do que qualquer outro e deve ser combatido. Somente no final, depois de tantas reviravoltas que ela enxerga o erro que comenteu…

Até onde a nobreza de um herói deve ir?

Quase no final do livro, Illidan se mostra mais nobre do que pensávamos e sentimos aquela pontadinha no peito, depois de tantos julgamentos, tantas desconfianças, que apesar de não serem infundadas, o proporcionaram o título de O Traidor e assim se tornou conhecido por todos, nós vemos o quanto ele realmente quer salvar aquele mundo. Sua motivação não é tão ambiciosa quanto imaginamos. Sua motivação é a vingança, mas não seria essa o suficiente para lutar contra o mal?

– Nós salvamos a Aliança e a Horda hoje, e eles jamais saberão disso – comentou Vandel por fim.
– Eles não precisam saber. Basta que estejam aqui – O sorriso de Illidan revelava o tamanho da sua satisfação.

Onde enxergamos a linha tênue entre vingança e justiça aqui? Até onde os limites do certo e errado se cruzam na personalidade de Illidan Tempesfúria?

Sobre o autor: a escrita que temos, não a que precisamos

William King possui inúmeros prêmios mas nenhum deles significou nada para mim após o termino deste livro, que apesar da ótima historia já moldada pelo jogo, de forma alguma, foi bem fluída. Senti um pouco de descaracterização de personagens. Illidan, por exemplo, no começo do livro parecia super perdido, sempre com frases de efeitos, com uma personalidade confusa.

As cenas de batalhas, poderiam ser infinitamente mais bem escritas e detalhadas, aconteciam rápido demais, eu me senti em batalhas de cinco minutos. A história so emplacou de verdade, em mais de 50% do livro, onde nos encontramos mais próximos do protagonista e ele se torna mais complexo. Pois se tem uma coisa que Illidan Tempesfúria é, é complexo de todos as formas.

De forma alguma é um livro ruim, se você ama World of Warcraft e quer saber mais sobre sua história, esta é uma ótima pedida.

Nota:

2/5

 

Alias, eu sou a Lolla, nova resenhista de livros, principalmente de fantasia, do Drop Hour. Para acompanhar mais um pouco das minhas leituras e minha loucura por jogos online, me siga nas redes sociais:

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Cyah! ♥

 

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