Crítica: “Viúva Negra – Vermelho Eterno” apresenta a heroína Marvel em seus melhores tons.

A Viúva Negra alcançou o posto de personagem icônico da Marvel graças a sua participação no universo cinematográfico da empresa. Vivida por Scarlett Johansson nas telonas, Natasha Romanoff ficou conhecida por ser uma mulher linda e fatal. Entretanto, se comparada a personagens como Capitão América ou Homem de Ferro, a espiã é uma coadjuvante nas aventuras dos Vingadores. Mas se no cinema a personagem nunca foi agraciada com um título próprio, na vertente literária da casa das Ideias a história é outra. “Viúva Negra – Vermelho Eterno” apresenta a nossa vingadora favorita em seus melhores tons e é uma ótima pedida para qualquer apaixonado pelo universo Marvel.

“Viúva Negra – Vermelho Eterno” chegou ao Brasil pelas mãos competentes da Editora Novo Século em 2017. A autora é a escritora Margaret Sthol. A edição tem um acabamento excelente: lombada avermelhada, marcador de livro exclusivo, páginas coloridas e alto relevo parcial na capa. A história gira em torno de uma tríplice de personagens. A Viúva Negra, treinada na temida Sala Vermelha pelo sádico Ivan Somorodov. Ava Orlova, uma jovem russa, também ruiva e também vítima de Ivan, é outra protagonista da obra. Quem fecha a tríade é Alex Manor, um típico adolescente estadunidense de classe média que aparentemente não tem menor conexão com as duas mulheres, a Rússia ou qualquer conspiração internacional. Mas nem tudo é o que parece, especialmente quando falamos de uma aventura da Viúva Negra.

A elegante capa do “Viúva Negra: Vermelho Eterno”: vermelho e negro são os tons predominantes do livro.

Três pontos de vista e uma excelente narrativa.

A história é narrada a partir dos pontos de vista dos três protagonistas que se intercalam durante o desenrolar do livro. Ava Orlova, a adolescente russa que vive uma vida simples em Nova York, tende a ser a mais desconfiada do trio. Ela tem um medo constante de alguma forma ser perseguida pelos fantasmas do passado. Ao mesmo tempo, ela possui sonhos recorrentes com Alex, o garoto que permanece boa parte da trama surpreso com todos os eventos nos quais se vê envolvido mas que tenta manter uma postura otimista mesmo assim. Natasha, por sua vez, tenta oferecer a perspectiva mais racional na narrativa. Buscando sempre encontrar as soluções para os problemas encontrados em sua aventura, a Viúva Negra tem seu discernimento prejudicado por sentimentos difíceis de lidar com relação aos dois jovens.

A narrativa segue uma espécie de “slow start”. Até um terço do livro, mais ou menos, a história se arrasta. O leitor encontra descrições dos personagens, pequenas interações entre eles e informações desconexas sobre o enredo geral. Felizmente, a partir daí a trama finalmente engrena e o ritmo acelera. Com isso não quero dizer que as cenas de ação se intensificam, mas sim que os diálogos se intensificam e o enredo ganha corpo.

Viúva Negra em muitos tons de vermelho.

A meu ver são duas as grandes qualidades do livro. A primeira delas está na construção do relacionamento entre o casal de adolescentes. Os diálogos são gostosos de ler, a proximidade entre eles não é forçada e em certo momento torna-se até justificada. Na reta final do livro eles tornam-se uma espécie de dupla dinâmica pela qual o leitor tem prazer de torcer. O segundo atributo positivo fica por conta da abordagem escolhida pela autora sobre a Viúva Negra. Principalmente quem acompanha o Universo Cinematográfico Marvel conhecia a faceta assassina da personagem, os comentários sagazes, os estratagemas da espiã… Mas o lado humano da personagem permanecia em grande parte desconhecida. Nesse livro, Natasha não é apenas heroína, mas também é humana. Ela tem dúvidas, dificuldade em lidar com seus sentimentos, sente saudades e até apresenta algum amor fraterno. A assassina fria está aqui, mas a mulher traumatizada, porém valente acima de tudo, também está aqui.

Ritmo alucinante – até mais do que precisava ser.

O grande defeito do livro está em uma certa pressa na construção da história. Em certos momentos fiquei com a impressão de que alguns eventos ocorrem com uma velocidade que era desnecessária. É claro que o livro quer manter a atmosfera de perseguição, espionagem, adrenalina à flor da pele, e isso pressupõe um certo dinamismo do enredo, mas penso que algumas sequências poderiam ter se desenrolado com mais calma, para poder explorar ainda mais os sentimentos dos personagens em diferentes momentos de sua aventura.

“Viúva-Negra – Vermelho Eterno” é um livro muito bem-vindo no Universo Marvel e na cultura geek de maneira geral. Adoro quando uma heroína como a Viúva Negra é posta em evidência, principalmente em uma obra de qualidade. Em um meio no qual somos bombardeados com histórias – muitas vezes medíocres – de protagonistas masculinos, esse livro é uma agradável mudança de perspectiva, especialmente por ser de autoria de uma escritora. Recomendo demais a leitura!

 

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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