Crítica: Star Wars – Marcas da Guerra

Meses atrás comecei uma empreitada de ler todos os livros de Star Wars disponíveis no Brasil, especialmente aqueles que pertencem ao novo cânone. Inclusive a crítica de vários deles você encontra aqui no site. Durante esse tempo, me deparei com histórias excelentes, medianas e outras que, digamos, desperdiçaram muito papel sendo impressas. Coincidentemente, na mesma semana a Amazon disponibilizou o ebook Marcas da Guerra” gratuitamente para os usuários do Kindle (a gente fala para vocês comprarem um negócio desses logo, mas vocês não levam fé…). Resumindo: o livro foi baixado, lido e agora está na hora de ser elogiado, pois ele é uma ótima história para fãs de Star Wars e também para os iniciantes que querem se aventurar nesse universo.

“Marcas da Guerra” chegou ao Brasil em 2015, pelas mãos competentes da editora Aleph. O livro inclusive ostenta, em sua capa, uma chamada para o Episódio VII da franquia, “O despertar da Força“, alegando fazer parte de uma jornada para o novo lançamento cinematográfico. Ainda que ele dê zero spoilers do filme em questão, um ou outro elemento presente na história se conecta aos eventos ocorridos no Despertar da Força. O livro tem autoria de Chuck Wendig e, como sugerido, os eventos retratados se passam pouco tempo depois da queda da segunda Estrela da Morte e da morte do imperador Palpatine e de Darth Vader, ambos os lordes Sith no comando do Império Intergaláctico.

Star Wars Marcas da Guerra Livro Capa

A bonita capa de “Marcas da Guerra”, ilustrada por Scott Biel. 

A trama principal do livro se passa em um pequeno planeta chamado Akiva, localizado na orla exterior, um local de pequena importância tanto para o decadente Império Intergaláctico quanto para a autodenominada “Nova República“, nome assumido pela Aliança Rebelde depois dos últimos acontecimentos. Entretanto, o planeta começa a ganhar relevância quando vira o palco escolhido para uma reunião secreta de membros do alto escalão do Império, com objetivo de descobrir o que deve ser feito para retomar o controle da galáxia. Infelizmente para eles, alguns operativos rebeldes encontram-se pela região e aí você já sabe né, como diria o locutor da Sessão da Tarde, todos viverão grandes aventuras de tirar o fôlego.

Um dos méritos da narrativa é alternar os acontecimentos ocorridos em Akiva com diversos Interlúdios, capítulos nos quais são retratados pequenos encontros ou eventos sucedidos em outros planetas da galáxia. Tatooine, Jakku, Coruscant, dentre outros locais são cenários para episódios que servem para mostrar não apenas como a Galáxia está reagindo a uma iminente troca de poder mas para suscitar discussões sobre essa transição nada pacífica de governo impacta a vida das pessoas, de diferentes raças, classes sociais e regiões do universo.

” – Agora, escutem. O que aconteceu antes vai acontecer de novo. A República era o jeito do mundo antes, e será o jeito de novo. E, por um tempo, todo mundo vai saudá-la, e tudo será bonitinho, mas virá um momento em que tudo ficará amargo e alguém decidirá que tem um jeito melhor de fazer as coisas. E a Nova República, ou a Nova-Nova República, ou ainda a República-que-temos-essa-semana vai reprimir tudo isso com força. Então, essas pessoas, vão se tornar a nova corajosa Aliança Rebelde, e a República vai virar o inimigo. E a roda vai girar mais uma vez. (…) A fruta sempre é melhor quando madura. Mas nunca permanece assim: toda fruta estraga, se demora tempo demais para ser colhida. Lembrem-se disso”.

Na trama principal, o grande destaque ao meu ver está na construção dos personagens envolvidos. Todos tem um papel a desempenhar, nenhum deles fica “solto” na história, cada um tem seus motivos para estar participando do conflito ou até mesmo para NÃO querer estar no conflito! Do lado dos rebeldes, temos Norra Wexley, experiente piloto que quer encerrar sua participação na guerra e reencontrar seu filho, Temmin, habitantes de Akiva e que, infelizmente para ela, não tem vontade alguma de fugir do planeta tampouco reatar laços com sua mãe. Em missão no solo do planeta também se encontra a caçadora de recompensas Jas Emari, buscando uma maneira de obter uma gorda recompensa pela cabeça dos imperiais de alto escalão presentes no planeta. Tentando ficar alheio a todo o caos a sua volta encontra-se o ex-agente de lealdade do império, Sinjir Rath Velus, desertor imperial após a batalha de Endor e indeciso sobre a qual causa ele deve servir. Do lado do império a única personagem de grande destaque é a Almirante Rae Sloane – aquela mesma do “Um novo amanhecer“, quando ainda era capitã. Agora um pouco menos burra, Sloane oferece um bom contraponto aos rebeldes ao expôr as estratégias, a filosofia e mesmo as dúvidas dos membros do Império.

Dediquei grande espaço a apresentação dos personagens e os apontei como destaque positivo porque eles enriquecem a história por suas diferenças de pontos de vista e experiências de vida. Norra é uma rebelde até o último fio do cabelo: quando ela percebe que há uma chance de enfraquecer o Império e de quebra livrar Akiva da exploração imperial. O seu filho, Temmin, quer apenas seguir a vida dele de comerciante de itens especiais em paz, além de nutrir uma raiva pelo Império por ter tomado o pai de si e também da Aliança Rebelde por ter tomado sua mãe de si. Sinjir inicialmente só quer salvar a sua pele, mas lentamente percebe que talvez ele tenha muito a oferecer aos seus novos amigos – especialmente por ter estado do outro lado da guerra. Jas Emari, a combatente nata do grupo se mostra confusa entre tentar terminar sua missão sozinha, como a loba solitária que sempre foi, ou aceitar ser parte de um grupo e colher os bônus e o ônus dessa decisão.

“- Por que ser um rebelde? Pra que se alistar?
– Para destruir o Império
Ela balança a cabeça:
– Não. Fácil demais. Isso é apenas a pintura superficial. Raspe a cor e haverá algo pessoal embaixo dela.
Wedge novamente mostra os dentes, expostos em um sorriso terrível.
– Claro que há, Almirante. O Império prejudicou pessoas próximas a mim. Família. Amigos. Uma garota que eu amava. E não estou sozinho. Todos nós na Nova República, todos nós temos histórias assim – ele tosse. Os olhos ficam mareados – Nós somos a colheita de tudo de horrível que vocês semearam”. 

Ainda que o enredo tenha alguns furos ocasionais – nada que não seja típico de Star Wars – achei a narrativa menos “forçada” que em “Um novo amanhecer”, por exemplo. Sim, os Stormtroopers ainda são imbecis, o império ainda parece incapaz de vencer uma batalha área, mas pelo menos os não heróis resolvem todos os problemas possíveis somente com a ajuda do roteiro. A mensagem passada no livro, ao meu ver, é que a confiança dos membros da aliança rebelde uns nos outros é o grande trunfo contra o Império, cujos membros tentam constantemente passar a perna uns nos outros, prejudicando o sucesso maior da organização.

“O Império Galáctico é um espelho quebrado, com muitos reflexos de si mesmo, estilhaçados e separados. Sloane pensa: cabe a mim consertar o espelho. Dar um jeito no reflexo. Ela acredita no Império. E acredita ser a pessoa que pode e deve consertá-lo. Um Império superior governará a galáxia novamente. E o lugar de Sloane dentro dele será sedimentado: ela não ficará mais à margem, não ficará mais fora da lista. Sloane terá um papel importante”

“Marcas da Guerra” é uma ótima adição ao universo expandido de Star Wars. Com ótimos personagens e uma trama que nunca perde o ritmo, o livro funciona bem tanto para os que já conhecem os elementos da franquia faz muito tempo quanto para os iniciantes nesse universo. Estou ansioso pela continuação do livro.

Se você ficou interessado em ler o “Marcas da Guerra”, dá uma olhada no precinho camarada que a Amazon preparou para você. É só clicar no link: http://amzn.to/2nI2SBx

Star Wars Marcas da Guerra Crítica Nota

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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