Crítica: “Skywalker Ataca” mantém a essência dos filmes de Star Wars.

Na HQ “Skywalker Ataca”, Aaron e Cassaday entregam ao leitor uma experiência fiel aos mais icônicos filmes da franquia.

Enquanto lia a HQ sobre a qual escrevo minha crítica hoje, confesso que me senti um pouco confuso. Eu lia um quadrinho, um produto impresso, mas tinha a nítida sensação de que assistia a um filme. Essa desordem mental se deve à proximidade da narrativa das histórias. “Skywalker Ataca” aproxima-se tanto da essência dos episódios IV, V e VI de Star Wars que consegue recuperar as qualidades e defeitos das tramas originais.

Skywalker Ataca é um encadernado de histórias pertencentes ao novo cânone. As edições originais que compõem a HQ foram lançados em 2015, mas chegaram ao Brasil em 2017 pela Panini Comics. A história é entregue aos leitores pelas mãos do roteirista Jason Aaron e pelo desenhista John Cassaday. A trama se passa após os eventos do episódio IV. A Estrela da Morte foi destruída, mas o Império está longe de ser derrotado. O trio de ferro, formado por Luke, Leia e Solo partem em missões pela galáxia buscando dar pequenos, mas sucessivos golpes nas linhas de produção do inimigo. Infelizmente, uma dessas missões requer mais do do que enganar oficiais e atirar em Stormtroopers: quando o próprio Darth Vader se interpõe entre os heróis e o objetivo da missão, eles terão de lutar pela própria sobrevivência.

A capa da HQ
Bebendo da fonte milagrosa

A HQ opta por uma narrativa tão próxima dos filmes originais que qualquer fã mais antigo da franquia vai se sentir familiarizado com o enredo imediatamente. A história possui todos os elementos que fizeram dos filmes um clássico. Batalhas espaciais, tiroteios sem fim com Stormtroopers, duelos com sabres de luz… A guerra entre Império e Rebeldes são intercaladas com reflexões sobre o destino dos personagens principais.

Mesmo Leia, Han Solo e outros personagens tendo papel decisivo na história, quem rouba a cena é a dupla Vader e Luke Skywalker. A HQ narra o primeiro combate entre os dois personagens, que ainda não sabem que são pai e filho. Esse primeiro encontro é sangrento, é salpicada de referências a Obi-Wan Kenobi e antecipa momentos marcantes do Episódio V.

Eita bicho… que climão, hein?
Os mesmos problemas de sempre

Infelizmente “Skywalker Ataca” comete alguns erros, a meu ver, comuns às narrativas clássicas de Star Wars. Novamente os Rebeldes são dotados de uma sorte incrível e os imperiais de uma incompetência lendária. Darth Vader, pintado como um guerreiro impiedoso e implacável, pesa a mão apenas contra figurantes. Os protagonistas sempre escapam de alguma retaliação maior.

É claro que ao trabalhar com um produto de Star Wars, há limitações possíveis ao enredo. Luke não pode morrer na história, por exemplo. Mas a sensação que fico ao ler HQs como essas é que Vader é inserido em situações nas quais a narrativa não poderá tirar o melhor dele. Por exemplo: em vez de colocar Anakin frente a frente com seu filho, em um combate no qual nenhum dos dois pode se ferir gravemente graças ao cânone, porque não é inserido um personagem extra – um grande caçador de recompensas, um Jedi perdido, sei lá – e deixa ele tentar a sorte contra o lorde Sith? Nesse caso, ai sim o leitor poderia ver algo diferente acontecendo na história, algo imprevisível.

Adivinha quem vai morrer nesse encontro? Isso mesmo, ninguém.
A arte que carece de identidade

Já reparei um padrão em muitas HQs de Star Wars: a necessidade dos desenhistas de aproximar o traço da estética dos filmes e até da aparência dos atores originais. Eu não entendo porque isso acontece, mas sinceramente, não me agrada. Nessa história, por exemplo, Cassaday desenha Luke Skywalker tão fiel à fisionomia do jovem Mark Hamill que me sinto assistindo ao filme. O problema é que não quero assistir o filme de novo: quero sentir que estou lendo uma HQ. Os traços são bonitos, a arte é boa, mas não ajuda a história a ganhar sua própria identidade.

Conclusão

“Skywalker Ataca” é uma ótima HQ, fiel em quase todos os elementos à trilogia original. Ainda que a narrativa beba da fonte milagrosa que tornou a franquia um sucesso mundial, ela falha na busca por sua própria identidade e contenta-se em tornar-se uma espécie de Episódio 4.1.

 

 

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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