Crítica: “Princesa Leia” mostra a heroína de Star Wars em busca de seu reino.

Em “Princesa Leia”, Waid e Dodson exploram o passado e o futuro de Alderaan, colocando Leia em uma busca pelos remanescentes de seu mundo natal.

Da tríade de protagonistas da clássica trilogia de Star Wars, confesso que Leia é a minha favorita. Carrie Fisher interpretou uma heroína corajosa que logo no primeiro filme se vê obrigada a superar um baque terrível. A primeira Estrela da Morte aniquilou seu planeta natal, Alderaan, a mando de Tarkin. A partir daí, a princesa Leia torna-se regente de um reino que não existe mais. Esse dilema não foi colocado tão em destaque nos filmes originais. Felizmente o universo expandido de Star Wars adora aproveitar essas pontas soltas e é exatamente isso que acontece na HQ “Princesa Leia“.

Uma princesa sem reino.
A capa da edição americana da HQ – quase igual à brasileira.

Princesa Leia é um compilado das seis primeiras edições da publicação de mesmo nome, lançada originalmente nos Estados Unidos em 2015. A publicação já tem o selo Marvel e faz parte do novo cânone de Star Wars. No Brasil, a HQ foi publicada pela Panini Comics. Quem dá vida à história são o roteirista Mark Waid e o desenhista Terry Dodson. A história se passa logo após a destruição da primeira Estrela da Morte. O Império Intergaláctico sofreu um grande golpe, mas a Aliança Rebelde está longe de ter vida fácil. A Princesa Leia é uma das principais opositoras do império e todo o movimento insurgente conta com a sua força. Entretanto, os poucos remanescentes do seu antigo planeta também. Nesse momento qual compromisso Leia deve honrar: a parceria com a aliança rebelde ou seu dever real de proteger seu povo?

Lembro que quando era criança e comecei a assistir Star Wars, eu estranhava muito quando as pessoas chamavam Leia de “princesa”. Eu não via nos filmes um reino, então do que exatamente ela era princesa? Se o seu planeta foi destruído, porque esse título se mantinha? Anos depois, após a leitura dessa HQ, finalmente entendi o porquê dessa forma de tratamento. Os autores exploram muito bem esse dilema envolvendo a personagem, forçada a catar os destroços do seu planeta e reino perdidos.

Um elenco que enriquece a história.
Evaan é uma das melhores personagens da história.

A HQ equilibra muito bem sequências de ação empolgantes e personagens bem construídos. Leia interage com muitos ex-habitantes de Alderaan em sua jornada e quase todos acrescentam algum elemento importante à trama. A principal coadjuvante da história é a a piloto Evaan, alderaaniana de sangue quente e sem papas na língua. Ainda que seja leal à Leia, ela não tem menor pudor em expressar suas opiniões, independente do quão inconvenientes elas sejam. Ela torna-se braço-direito de Leia e proporciona alguns diálogos bem legais com a protagonista.

Outras personagens também brilham durante a história. As gêmeas Tulia e Tace, sobreviventes da destruição de Alderaan, estão unidas pelo sangue mas separadas pelo conflito intergaláctico. Esse drama entre naturalidade x dever também é explorado de maneira inteligente na narrativa. Outra coadjuvante interessante é Jora, uma líder Alderaaniana severa e cheia de contradições. Sua inserção na trama mostra que o reino destruído não era feito apenas de santos e santas.

Arte no tom certo.
Feels…

Gostei muito da arte do quadrinho. Não sou muito fã de quando artistas resolvem desenhar os personagens de Star Wars de maneira muito semelhante aos atores que interpretaram esses icônicos personagens. Felizmente não é isso que acontece em Princesa Leia.  Terry Dodson e a arte-finalista Rachel Dodson dão uma identidade bacana à história, optando por um visual mais cartoon e com destaques às expressões faciais das personagens.

Conclusão

“Princesa Leia” é uma HQ muito bem-vinda no universo expandido de Star Wars e para a construção da icônica princesa. Com um estilo artístico agradável, personagens fortes e uma história que explora outro perfil da princesa mais procurada da galáxia, a história agrada tanto a velhos quanto a novos fãs da franquia.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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