Crítica: Mônica – Força

Quando lembramos da infância, dificilmente aparecem problemas na mente. É diversão com os amigos, brincadeiras e as vezes algumas brigas, mas mais por implicância de alguns. No entanto, até mesmo nessa fase mais “tranquila” da vida, temos alguns contra-tempos que, apesar de não termos maturidade ou espaço de fala, precisamos conviver. Mônica – Força de Bianca Pinheiro trata justamente disso.

Mais uma graphic novel do selo Graphic MSP da Mauricio de Sousa Produções, a HQ apresenta a protagonista mais famosa do quadrinho nacional em um problema familiar. Bianca cria em sua obra uma situação de desconforto e até mesmo depressão para Mônica que, ao reagir com uma briga entre seus pais, acaba vendo que toda força que tem para resolver os problema com seus amigos de nada adianta diante dos adultos. Com muita sutileza e explorando a inocência da infância, a autora se aproveita dessa nova faceta da Mônica para trazer algo único e comovente.

Ainda que contenha elementos das clássicas histórias da Turma da Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão aparecem como uma forma da jovem protagonista tentar se esquecer dos problemas que está passando e, no entanto, a protagonista não consegue pedir ajuda aos seus amigos por não saber como e, embora não seja explicitado, por saber que os mesmos não saberiam ajudar. Dessa maneira, a autora cria uma ambientação em que a inocência da criança é destacada e posta em conflito com os problemas mais sérios, um recurso muito explorado durante a obra, tanto no descobrimento da Mônica quanto na solução dos problemas.

A preocupação de Bianca se mostra nítida desde o principio: a casa e os país de Mônica são o fio condutor da obra  e, a partir desse fio, a lição e o amadurecimento da protagonista se desenvolve. Utilizando de poucos diálogos, mas de uma quadrinização que se aproveita do espaço da casa e da movimentação dos personagens, a autora consegue expressar os sentimentos de tristeza, angustia, ansiedade e raiva daquele trio de personagens com poucas palavras. A obra segue quase a risca a máxima “mostre, não diga”, o que contribui para a sensação de inocência da Mônica que, por não entender muito bem o que está acontecendo, não consegue falar, mas apenas se sentir incomodada. Dessa maneira, a leitura desse quadrinho acaba sendo bem dinâmica, mas ao mesmo tempo requer atenção nos detalhes dos quadrinhos, pois os mínimos detalhes da casa são aproveitados (a pia, uma mesa, os quartos….).

Outro ponto que se destaca é a arte da HQ. Ainda que tenha design de personagens bem simples, a autora consegue transmitir a emoção de cada um deles com pouca variação facial nos personagens, além disso, a variedade de cores e a preocupação em manter tonalidades iguais para os diversos cômodos da casa também acrescentam na experiência visual e por fim é válido citar a maneira como os balões de fala estão dispostos nos quadros saindo da boca dos personagens através de fios, como se fosse de fato uma fala e, no entanto, nos momentos de discussão dos pais, os balões ganham formas diferentes de acordo com a intensidade. É uma arte simples, mas bem funcional.

Mônica – Força é uma HQ que sabe brincar com o lúdico e a inocência da infância de maneira muito bonita. Bianca Pinheiro apresenta ao leitor uma experiência visual aliada de uma história que, para muitos, pode ser corriqueira, mas que passa uma mensagem importante. A força é trabalhada de diversas maneiras durante a revista e é visível a preocupação e amor da autora por essa personagem. Se você não conhece o projeto das Graphic MSP, talvez essa seja uma ótima porta de entrada.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

2 comentários em “Crítica: Mônica – Força

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