Crítica: Lordes dos Sith

A relação de mestre e aprendiz talvez seja uma das mais recorrentes na franquia Star Wars. Seja no lado do bem ou do mal, essa dualidade está sempre presente e é fundamental para o desenvolvimento dos personagens. Em Lordes dos Sith, livro escrito por Paul S. Kemp, a narrativa foca em uma das duplas mais conhecidas desse universo, Darth Vader e seu mestre, Darth Sidious.

A narrativa acompanha uma visita do Imperador ao planeta Ryloth, um local que encontra um grupo rebelde ativo que, ao saber de tal visita, arma uma emboscada para tentar matar os grandes líderes do Império. A história segue intercalando a perspectiva dos rebeldes, da dupla de Sith e dos subalternos do império responsáveis pelo planeta. Os rebeldes, buscando liberdade e vingança, criam um plano arriscado, mas que terá grande importância para a galáxia. Os imperiais estão tentando conter a ameaça e a si mesmos por conta de toda a intriga e jogo de poder que é imposto e incentivado pelo governo, jogo esse que a dupla de Sith também acaba encontrando e que serve como um teste para o poderoso, mas ainda aprendiz, Darth Vader.

Kemp apresenta ao leitor uma história cujo a relação entre os personagens é o grande foco. Com muitas cenas de ação e diálogos bem escritos, o autor transporta em seu livro a ambientação típica da franquia nos cinemas com diversos combates aéreos bem detalhados, discussões sobre a Força e relação de companheirismo dentro de todos os núcleos. Todos os personagens vão ganhando camadas com o decorrer da história e, mesmo sabendo o desfecho do ataque rebelde, o leitor consegue simpatizar com o povo de Ryloth e até torcer para que no fim tudo acabe bem e, ao mesmo tempo, conseguimos perceber a disparidade de poder dos demais personagens em relação aos Sith.

Um ponto que chama atenção é a preocupação do autor com os personagens secundários, no caso os rebeldes. Destaque principalmente para ex escrava Isval que tem uma relação de amor e respeito pelo líder do movimento Ryloth Livre, Cham Syndulla, mas que também é uma personagem forte por si só. Isval é uma pessoa amargurada pelo seu passado e que usa esse amargor para se vingar do império com ações brutais contra seus representantes. Kemp cria nesta personagem uma constante luta moral entre a vingança e a sua relevância na rebelião. Isval sabe que não é tão necessária para os Rebeldes como Cham quer que ela seja, no entanto, ela também sabe que o seu papel é o de apoiar o líder Twi’lek e faze-lo aceitar seu destino de ser algo maior para galáxia. Dessa maneira vemos como as relações sofridas dos rebeldes e suas discussões sobre o futuro da rebelião, mesmo cientes da sua inferioridade perante o império, são fundamentais para que a chama continue acessa.

Mas, mesmo com o destaque dos rebeldes, são os grandes vilões da saga Star Wars que brilham. Vader e o Imperador apresentam alguns dos seus momentos mais íntimos em Lordes dos Sith, momentos de diálogos e pensamentos que dificilmente veríamos nos filmes, mas que são essenciais para que o leitor entenda aquela relação. O jogo de palavras, a antecipação de movimentos e até mesmo a sutileza em gestos dos personagens mostra como o confronto de poder entre mestre e aprendiz é constante e também enfatiza como Vader, considerado por muitos a grande ameaça do império, é na verdade o único que conhece a verdadeira ameaça. Palpatine coloca seu discípulo em diversas situações onde este deve escolher entre a morte do seu mestre ou a lealdade e é nisso que está a genialidade da dupla e do roteiro de Kemp, mostrar como a relação doentia dos Sith é pautada no reconhecimento do poder e em saber reconhecer a importância do seu mestre, mesmo tendo ciência de que, em algum momento, você deverá mata-lo.

Lorde dos Sith entrega aos fãs da franquia uma história repleta de ação e com um desenvolvimento de personagens muito interessante. Com uma história simples, mas com diálogos cheios de discussões nas entrelinhas, Kemp nos apresenta uma das histórias com mais carisma e detalhes do universo Star Wars.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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