Crítica: “Lordes dos Sith” mostra o verdadeiro poder do lado sombrio da Força

“Testemunhe o verdadeiro poder do lado negro da Força”

Nenhuma franquia na história do mundo geek apresentou os seus vilões de maneira mais interessante e até charmosa do que Star Wars. O lado sombrio da Força, representados pelos impiedosos Lordes Sith, são adorados por muitos fãs, em boa parte por possuírem em suas fileiras alguns dos personagens mais icônicos da franquia, como Darth Vader e Darth Sidious, o imperador Palpatine. “Lordes dos Sith” é um dos livros do universo expandido de Star Wars que coloca os Sith em destaque e deixa claro o que significa ser uma divindade em meio a reles humanos.

“Star Wars – Lordes dos Sith” é de autoria do escritor Paul S. Kemp. Publicado originalmente em 2015, chegou ao Brasil em 2016 pelas competentes mãos da editora Aleph. O livro faz parte do novo cânone oficial de Star Wars e traz ao leitor o melhor enredo – pelo menos das obras que li até então. A história se situa entre os episódios III e IV: o Império já está consolidado e conta com duas figuras do topo da hierarquia como seus principais garotos-propaganda: o Imperador Palpatine e seu leal segundo em comando, Lorde Vader. Mas ainda há na galáxia aqueles que desejam a queda do império e focos de rebelião, ainda que tímidos, surgem aqui e ali. A trama gira em torno de um desses focos, o planeta Ryloth, no qual o movimento de resistência local ordenará um ataque audacioso, com objetivo de assassinar os próprios líderes do Império.

Lordes dos Sith Livro Capa

A capa de Lordes dos Sith – UNLIMITED POWEEEEEEEEEEEEEEERR!!!!!!!!!!!!!

Quando disse que o enredo é o melhor dos livros do universo expandido de Star Wars até agora é porque acredito que ele tenha encontrado um equilíbrio perfeito entre três polos: explorar a história dos personagens não-jedi/sith, oferecer sequências de ação empolgantes e propôr reflexões sobre sobre as filosofias sith e jedi. Alguns livros que avaliei bem aqui no site alcançam bons índices em 1 ou mais desses tópicos, mas só esse até agora foi excelente nos três.

Não há Jedi nesse livro, então a oposição ao Império e seus lordes Sith fica a cargo do movimento Ryloth Livre. O grupo rebelde – e não terrorista, diferença reafirmada constantemente na história – é liderado por dois personagens opostos e complementares: a Twi’Lek Isval, impulsiva, agressiva, ex-escrava do Império e sedenta pelo sangue de qualquer oficial em seu caminho; o outro Twi’Lek é Cham Syndulla, o líder do movimento, cauteloso e burocrático, preocupado em vencer a guerra sem perder os princípios morais que sustentam a rebelião e sua própria vida. Ambos os combatentes – e não terroristas, lembrando – são amigos próximos, quase amantes, mas mais importantes que isso, são os pilares que se alternam na decisão de quando é melhor atacar ferozmente ou recuar para organizar melhor o próximo ataque. Ah, uma observação interessante: Cham Syndulla é pai de Hera Syndulla, personagem principal do livro “Um novo amanhecer” e da animação “Star Wars Rebels“.

“A Twi’lek nunca tivera escolha, não uma verdadeira, não até estranguar aqueel cabo do exército imperial com a bandana e fugir para a resistência. Carregava, porém, as cicatrizes: sempre as levaria, não na pele, mas na alma, e as abria quando precisava se lembrar da dor ou atear mais combustível à sua raiva. Os aviltamentos da servidão a debilitaram. Sabia que jamais se reestruturaria, não por completo, mas não se importava. A ruptura a fragmentara, e agora usava suas partes afiadas e pontudas para cortá-los. Eles a transformaram em algo – uma escrava, uma possessão, uma coisa – mas, depois que escapara deles, o processo continuou. Ela forjou, a marteladas, o metal do próprio espírito, até se tornar algo novo: guerreira e, muitas vezes, assassina. E Cham Syndulla a deu um cargo, e ela o amava por isso” .

(Star Wars: Lordes dos Sith – pág. 78)

A ação do movimento Ryloth Livre é tão coordenada, planejada e bem escrita que dá gosto de acompanhar o processo. A estratégia do movimento rebelde é muito interessante e surte reais efeitos contra o Império, mas infelizmente para os simpáticos Twi’Lek, existem dois Lordes Sith do outro lado. E o livro é exatamente sobre isso: a diferença brutal entre um usuário da força e um combatente normal, especialmente quando esses guerreiros sobrenaturais são Darth Vader e Palpatine. Em nenhum momento do livro você tem real dúvida de qual lado será o vencedor das batalhas – até porque os eventos acontecem antes do episódio IV – então é angustiante assistir os insurgentes tentando bolar planos e alternativas para dar fim aos líderes do Império. Em alguns momentos você torce para que tudo dê certo, para que os simpáticos Cham e Isval encontrem o sucesso que almejem, mas você sabe que isso não será possível enquanto tiver pelo menos um daqueles homens de sabre de luz do outro lado.

Já que o resultado do combate é previsível, então a jornada tem que valer a pena, e felizmente o livro faz valer. Além das sequências de ação serem bem escritas e criativas, como já disse anteriormente, os capítulos nos quais os Sith são os protagonistas oferecem ao leitor um pouco da essência do lado negro da força: um relacionamento conturbado entre mestre e aprendiz, flutuando entre demonstrações impressionantes de poder e desconfiança mútua que deixa sempre uma tensão no ar. Palpatine e especialmente Vader protagonizam cenas espetaculares, deixando o leitor com a sensação de que ele está vendo semi-deuses em ação. Além disso, cada um ao seu modo dá o melhor de seu personagem: Palpatine com sua aparente onisciência e inigualável crueldade e Vader, com suas angústias e lembranças de um passado destruído pelo fogo da traição.

“Logo após destruir os Jedi, o imperador alertara Vader: um dia, ele ficaria tentado a matá-lo. Contara que a relação entre aprendiz e mestre Sith era simbiótica, mas com equilíbrio delicado. O aprendiz devia ao mestre lealdade. O mestre devia ao aprendiz sabedoria, demonstrada apenas pelo poder. Só que as obrigações eram recíprocas e contingentes. Se um deles não cumprisse a obrigação, o dever do outro era destruí-lo. A Força exigia isso. Desde antes das Guerras Clônicas, o mestre de Vader nunca mostrou além de poder, e então Vader não tencionava mostrar nada além de lealdade. Dessa forma, seu governo mútuo estava seguro”. 

(Star Wars: Lordes dos Sith – pág. 44)

“Star Wars: Lordes dos Sith” apresenta ao leitor a verdadeira extensão do lado negro da força. Semi-deuses entre humanos, Vader e Palpatine formam uma parceria onipotente contra um movimento rebelde que é tão bem desenvolvido na narrativa que nos faz torcer por eles mesmo sabendo que provavelmente sofreremos com isso. Meu livro preferido do novo cânone até agora, esse livro é obrigatório para todos os fãs de Star Wars e uma ótima pedida para aqueles que querem começar a se aventurar por essa galáxia muito, muito distante.

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Lordes dos Sith Crítica Nota

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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