Crítica: “Capitão Feio: Identidade” é uma história simplesmente única.

O clássico vilão de Maurício de Sousa ganha vida nova pelas mãos de Magno Costa e Marcelo Costa, e o resultado é uma HQ de alto nível e personalidade ímpar.

Nós, nerds e geeks, adoramos super-heróis. Mas arrisco dizer que a maioria de nós gosta ainda mais é dos vilões. Olhem as suas histórias favoritas: normalmente os vilões são mais interessantes, não é? Simpatizamos com alguns de seus ideais. Entendemos suas dores. Até torcemos, lá no fundo, para que eles ganhem uma ou outra batalha. Mas será que muitas crianças torciam para o Capitão Feio, clássico vilão das histórias da Turma da Mônica? Não tenho essa resposta, mas o que posso dizer é que a pessoa que ler “Capitão Feio: Identidade“, dificilmente não vai simpatizar com o personagem.

“Capitão Feio: Identidade” é uma HQ publicada pela Panini Comics sob o selo Graphic MSP. Para quem não conhece, essa linha de quadrinhos apresenta os personagens clássicos da Turma da Mônica em uma pegada mais “adulta” e complexa. Aqui na Drop Hour, inclusive, já escrevemos críticas de algumas delas – confira os links lá no fim do texto. Essa história tem autoria de Magno Costa e Marcelo Costa e conta a origem do vilão fedorento que tantas vezes ameaçou a natureza. Mas bem ao estilo Graphic MSP, a HQ aprofunda o nascimento do vilão, explorando o homem amargurado e sem perspectiva por trás do uniforme malcuidado.

A bonita capa da HQ
Feio antes de ser Capitão

O mais encantador na trama proposta e desenvolvida pelos autores é como eles pegaram a clássica fórmula de “origem do vilão” e a complexificaram. Os autores não perdem tempo contando ou explicando a origem dos seus poderes. O enredo está muito mais focado em contar como o homem acaba sendo “forçado” a assumir a sua capa e tornar-se um super-vilão.

O prefácio de Maurício de Souza é brilhante e explicita uma das principais premissas da história: o Capitão Feio tem um poder essencialmente negativo. O problema é que além de seus poderes produzirem resultados desagradáveis, ele mesmo não consegue encontrar espaço na sociedade. A história mostra que mesmo quando ele tenta fazer o bem, frequentemente é mal interpretado por sua aparência considerada desagradável. A narrativa é brilhante por sua simplicidade: a feiura e sujeira do personagem são, simultaneamente, sua força e sua fraqueza.

E não é que aquela propaganda tava certa? Se sujar faz bem mesmo
A linda arte da HQ

É irônico que uma HQ intitulada “Capitão Feio” tenha uma arte tão excepcional. As paisagens retratadas, as cores, os personagens, o uniforme do vilão”, tudo é tão bem desenhado que cada página parece uma pintura a ser admirada. Entretanto, ainda que as ilustrações sejam ricas e belas, elas contém um pouco da estética simples e infantil da Turma da Mônica. Magno e Marcelo Costa conseguiram manter a aura do vilão clássico em seu uniforme e no uso dos seus poderes, mas ao mesmo tempo complexificaram esses elementos.

Nem os raios gostam muito do Capitão Feio
Referências sempre bem-vindas

A HQ tem uma verdadeira enxurrada de referências. Algumas delas são a elementos da pop culture e, portanto, são mais fáceis de serem identificadas pelo leitor. Outras, por sua vez, são mais específicas: prestam homenagens à história do personagem. Felizmente, não é necessário uma memória de elefante ou um acervo histórico em casa para pegar cada uma das referências. A maioria delas é identificada e explicada ao fim da HQ, na sessão de extras e bastidores da produção. Esse apêndice da edição, aliás, enriquece demais a edição. Nele podemos admirar o cuidado e o respeito que os autores tiveram ao desenvolver sua releitura do personagem de Maurício de Souza.

Um dos teasers da HQ. Se essa fosse a capa oficial, acho que comprava até duas edições.
Conclusão

“Capitão Feio: Identidade” é mais uma linda HQ do excelente selo Graphic MSP. Com uma arte estonteante, um enredo inteligente e profundo e muitas referências, a edição tem uma personalidade ímpar. Se você quer ler uma HQ esse mês, invista seu tempo e dinheiro nessa aqui. Vale muito à pena.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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