Crítica: Bidu – Juntos

Cuidar de um animal de estimação não é uma tarefa fácil, seja para uma criança ou para um adulto. A relação do ser humano com seu bicho de estimação influencia diretamente no comportamento do animal e, em muitos casos, essa relação é de uma verdadeira amizade. É com base nisso que “Bidu – Juntos” da dupla Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho trazem ao público mais uma graphic novel da linha MSP.

Na segunda história da dupla criativa com Bidu, o leitor acompanha os primeiros meses da criação do famoso cãozinho da Turma da Mônica e como seu dono, Franjinha, precisa lidar com o desafio da responsabilidade de zelar pelo seu novo amigo. O menino observa esse momento como uma experiência cientifica, mas coisas não ocorrem conforme o esperado e é no momento mais difícil que a narrativa mostra para o que veio.

A dupla Damasceno e Garrocho apresenta ao leitor a perspectiva da criança e, assim como em Mônica – Força, a sensibilidade infantil é o que chama atenção no primeiro momento. Franjinha é um menino muito inteligente e perspicaz, mas ao se deparar com uma situação onde a emoção (não só sua, mas do seu cachorro também) é colocada em evidência, o menino não consegue resolver os problemas somente com planejamento. Por mais que o seu dono tente fazer tudo conforme as pesquisas sobre criação de cachorros, Bidu continua sempre bagunceiro e hiperativo, o que acaba gerando problemas com a mãe de Franjinha. Mas, mesmo com a pressão familiar, o menino não desiste do seu novo amigo e, ainda que tome  atitudes mais repressoras com o cão (como deixa-lo sozinho do lado de fora e preso o dia todo), é visível o amor que ele sente por Bidu.

Embora a perspectiva de Franjinha tenha grande destaque, é Bidu, como o próprio nome da revista sugere, o protagonista. Para dar destaque ao cão, a dupla responsável pelo quadrinho utiliza de balões de diálogo pouco convencionais para o latido do animal representando sua fala por imagens e não por letras. Esse recurso além de deixar a leitura mais dinâmica, acaba dando um tom único na quadrinização, principalmente em diálogos entre Bidu e Manfedro. Bidu, embora converse, literalmente, com o seu amigo canino, não consegue fazer o mesmo com o seu dono, mas mesmo assim o desenvolvimento da confiança mútua está presente e o leitor capta isso com mais clareza ao ver a fala do cão e a sua perspectiva.

Os autores conseguem construir a partir de uma simples situação cotidiana uma história de companheirismo e amadurecimento. A amizade e o entendimento dos protagonistas comove o leitor. A dupla criativa consegue passar, através de quadros grandes e páginas duplas, a sensação de tristeza do cão ao estar sozinho e, paralelamente, a alegria do mesmo quando o seu dono está ao seu lado. Essa é uma maneira de reafirmar o real protagonismo de Bidu sem a necessidade de diálogos, na medida em que o psicológico do cão ganha destaque em situações que, na perspectiva humana, parecem cotidianas ou necessárias para a educação do animal.

Com uma quadrinização de grande destaque e um enredo sensível, Damasceno e Garrocho trazem mais um ótimo quadrinho da linha Graphic MSP. Uma grata releitura do primeiro personagem de Maurício de Sousa e uma ótima leitura para qualquer pessoa que tenha um amigo animal, seja ele canino ou não.

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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