Crítica: A morte do Capitão América

“Uma sequência digna de Guerra Civil”

Quando um super-herói morre em um quadrinho da Marvel ou da DC, duas coisas são certas: os roteiristas fizeram isso com o intuito de vender um bom número de edições e o personagem em questão irá voltar à vida em breve para que se possam vender mais quadrinhos contando a história de seu retorno. Quando o Capitão América morreu nas HQs, logo após o término do mega evento chamado de “Guerra Civil”, eu lembrava de ter gostado bastante da história mesmo tendo ciência dos dois fatos anteriores. Porque havia um background criativo por trás do ocorrido, um simbolismo para a sua morte e ela apresentava uma espécie de fechamento para a própria Guerra Civil. Quando me dediquei à leitura do livro A morte do Capitão América, inspirado nos eventos retratados na HQ, felizmente encontrei as mesmas qualidades e uma narrativa que enriquece a história da maneira que só um livro é capaz.

“A morte do Capitão América” tem autoria do escritor estadunidense Larry Hama e foi publicado pela editora Novo Século em 2016. Como eu já sugeri na introdução, o livro pode ser encarado como uma continuação direta de outra obra também publicada pela Novo Século: “Guerra Civil” – cuja crítica você também encontra aqui em nosso site: http://drophour.com.br/2014/12/03/review-guerra-civil-livro/ . Infelizmente, para poder apresentar a sinopse desse livro, sou obrigado a dar alguns spoilers sobre o fim de Guerra Civil: a facção anti-registro perdeu o combate quando o Capitão América desistiu de continuar a lutar seus amigos super-heróis temendo que tivesse perdido a razão em meio ao combate. O Capitão América então foi preso e esperava julgamento. Infelizmente para ele e para os seus amigos, Steve Rogers é abatido a tiros enquanto caminhava para a corte e o mundo perdeu um dos seus maiores super-heróis.

A morte do Capitão América Livro Capa

A dolorosa capa do livro “A morte do Capitão América”

Esse é o ponto de partida do livro – ainda que não ocorra exatamente no início dele – e a partir daí o leitor acompanha a trama através de diversos pontos de vista diferentes. Do lado dos mocinhos a história é narrada através dos olhos, principalmente, de Sharon Carter (ou Agente 13, como preferir) e Bucky Barnes, o ex-companheiro de guerra de Steve Rogers e também ex-Soldado Invernal. Outros super-heróis também tem capítulos próprios, como o Homem de Ferro e Falcão. Com relação aos vilões, os leitores podem acompanhar os planos malignos do Caveira Vermelha, as armadilhas mentais do Dr. Faustus, os atos insanos de Pecado (filha do Caveira Vermelha), além das reflexões de Zola e outros personagens.

O interessante é que o livro ainda apresenta em sua narrativa outro personagem que, embora ausente fisicamente, se mantém presente como fio condutor da narrativa: o próprio Capitão América. A morte de Steve Rogers é importante para o livro em diversos sentidos. Os amigos próximos lamentam a perda de um amigo e tentam vinga-la. Os vilões tem um plano para se aproveitar das consequências de seu falecimento. Mas mais importante que isso, a morte do super-herói tem uma carga simbólica que frequentemente é explorada no livro: o que significa para o mundo a morte de um herói de guerra, o fim da história daquele que foi não apenas a representação de todos os valores do sonho americano, mas a própria personificação do homem ético e cheio de virtudes? O livro, às vezes diretamente e muitas outras indiretamente levanta essa pergunta e muitas respostas podem ser obtidas através da leitura.

” – Antes da guerra… a grande guerra… eu fiquei de pé em uma sala sem janelas no Forte Hamilton, de frente para uma bandeira, e fiz um juramento de proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos da América. Não há data de validade para esse juramento, nem cláusula de desistência, nem de ‘responsabilidade limitada’. Não me importo se sou o único a ver desse jeito. É o meu fardo a carregar e, parafraseando o Padre Flanagan, ‘Não é pesado, é o meu país’. Então mandei para o inferno Tony, a S.H.I.E.L.D. e todos eles” 

(Capitão América – A morte do Capitão América, página 46)

Gostei do ritmo que Larry Hama impôs à narrativa. Através de capítulos curtos e um enredo que alterna de forma competente sequências de ação, momentos de reflexão dos personagens e revelações sobre a trama, o autor deixa o leitor constantemente curioso para ver o que vem a seguir sem mantê-lo totalmente no escuro sobre o que esperar.

” É difícil dizer se o Caveira Vermelha está brincando. Há fotografias de Hitler e Stalin rindo. E nenhuma de Caveira Vermelha”

(A morte do Capitão América, página 251)

O grande personagem do livro, a meu ver, é Bucky Barnes. O personagem cresce durante a trama, passando do estágio de rapaz de temperamento explosivo que ainda sofre com os pecados cometidos em sua trajetória como Soldado Invernal a um verdadeiro herói aos moldes do que seu amigo Steve Rogers foi. Além disso, Bucky amarra bem a trama por ter uma história com cada um dos personagens, evitando assim ficar isolado em um núcleo específico. Seja com Tony Stark, o Caveira Vermelha ou mesmo a Viúva Negra, o ex-Soldado Invernal apresenta uma boa interação e os diálogos nos ajudam a compreender melhor sua personalidade.

” Armas, facas e granadas não eram nada comparados ao escudo. E este era o verdadeiro, um ícone, como a Excalibur, mas melhor, porque o escudo era um símbolo da defesa da liberdade. Manejado por mãos habilidosas, era capaz de derrubar os inimigos da liberdade com mais força do que qualquer ‘espada mágica’ “

(A morte do Capitão América, página 213)

“A morte do Capitão América”, livro sequência do grande sucesso “Guerra Civil”, fica à altura dos quadrinhos nos quais é inspirado e oferece ao leitor Marvel uma história recheada de ação mas também de reflexões sobre o significado da morte de Steve Rogers, o Sentinela da Liberdade. Como ponto negativo, poderia destacar apenas a forma abrupta pela qual o livro é concluído, dando a impressão de que os eventos retratados nos capítulos finais poderiam ter sido trabalhados com mais calma. Mas isso não tira o brilho de um dos melhores livros da Marvel publicados pela Novo Século até agora. Cabe ainda destacar que a obra ainda conta com algumas ilustrações retiradas dos quadrinhos originais que ajudam o leitor a visualizar os personagens retratados.

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A morte do Capitão América Crítica Nota

 

 

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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