Mais de 20 anos depois, ainda é possível se divertir com Pokémon Red, Blue e Yellow?

“Tantos anos depois e ainda é divertido encontrar, batalhar e pegar todos os 150”

O objetivo desse texto não é criar qualquer tipo de polêmica dentre os Pokémaníacos. Ao escrevê-lo não pretendo desmerecer os lendários jogos que deram origem a uma das franquias de maior sucesso não apenas da Nintendo, mas de todo o mundo dos games. Esse texto surgiu exatamente da pergunta do título. No fim de 2016, me vi sem dinheiro para comprar os jogos recém-lançados – dar 200/250 reais em um jogo quando você tá desempregado é complicado – e sem paciência de jogar os mais recentes. Eu havia acabado de terminar Pokémon Moon, com direito a PokéDex completa, mas não tinha mais vontade de jogar essa versão.  Entretanto, algo me dava vontade de continuar no mesmo universo. Foi aí que vi os jogos da primeira geração sendo vendidos no Virtual Console do 3DS e pensei… Será que depois de todo esse tempo ainda é possível se divertir com os primeiros jogos de Pokémon? Decidi que o melhor jeito de me responder essa pergunta era jogar, então escolhi a Yellow e parti para a minha nova velha jornada por Kanto. Após vencer a elite dos 4 e capturar Mewtwo, posso dizer com total sinceridade: ainda dá pra se divertir muito nessa brincadeira.

Pokémon Red Blue Yellow

A grande trindade de Pokémon – e não to nem aí para a versão Green, antes que perguntem

Lembro que quando foi lançada a sexta geração de Pokémon (X e Y) escrevi um texto no qual falava que o grande mérito dos títulos recém-lançados era tornar os anteriores obsoletos. Hoje vejo que tinha razão, mas apenas em parte. X & Y trouxeram sim inovações substanciais à franquia dos títulos para portáteis, como os gráficos 3D, Mega-Evoluções, um sistema online mais robusto, dentre outros, mas ao afirmar que jogar todos os outros seria de alguma forma esquisito, estava desafiando o poder dos games, sejam esses antigos ou novos, de promover a diversão. Felizmente, ao re-jogar Pokémon Yellow tantos anos depois, eu recebi essa lição.

Lembro até hoje da primeira vez que zerei a minha Pokémon Blue. O meu time oficial, aquele com o qual venci a elite dos 4 e me tornei o treinador pokémon mais poderoso do mundo – ao menos do MEU mundo – foi composto por Blastoise, Jolteon, Dugtrio, Venomoth e Moltres. O sexto e último Pokémon do meu esquadrão foi Mewtwo, claro. Levei todos esses ao nível 100 enfrentando hordas de Pidgey e Rattatas – na época isso fazia sentido, mas o porque disso é muito chato e longo de explicar. Além desses seis, treinei diversos outros ao nível máximo. Joguei mais de 255 horas: não sei dizer o número exato porque o contador de tempo da fita simplesmente parou. Completei a PokéDex e peguei todos os TM possíveis. Levei meus Pokémon para a Stadium 2, no saudoso 64, e desafiei o videogame e amigos em épicas batalhas. Mas isso foi há uns 10, 15 anos… Tive medo que em 2016, quase 2017, não sentisse vontade de passar da batalha contra Brock. Felizmente, eu passei por todos eles. E me diverti contra todos eles. E formei um novo time Pokémon, um novo grupo de amigos. Pikachu, Blastoise, Charizard, Nidoking, Mew e Hitmonchan foram os escolhidos para me acompanhar nessa jornada.

Mewtwo Pokémon

Isso aqui era treta de verdade, o resto que tem nos games de hoje é no máximo contratempo. 

Serei franco: tinha medo de não ter paciência para jogar as versões mais antigas – nesse caso, a Yellow – por um grande motivo chamado jogabilidade limitada. Com o advento das versões recentes, uma série de novos recursos foi introduzido em Pokémon: novos ataques/tipos/pokémon, habilidades especiais, itens, dentre outros. Considerando que pouco tempo antes de me aventurar nessa viagem ao passado eu havia zerado um título da sétima geração, temi que a diferença seria ainda mais sentida. Mas apesar dos pesares, hoje posso dizer que consegui me adaptar rápido e realmente consegui me empolgar com as capturas, as batalhas, enfim, todos os momentos mais legais e marcantes do game.

É claro que a falta de alguns recursos provaram-se um teste de paciência. Os TM, itens que te permitem ensinar golpes especiais aos seus Pokémon, só podem ser usados UMA ÚNICA VEZ. Eu esqueci como era só poder ensinar Earthquake para um dos seus monstrinhos. Ter de usar Surf e Cut abrindo o menu perto do local adequado e selecionando a opção em vez de simplesmente ir de encontro ao objetivo é lento e irritante. Isso porque nem vou falar do limite de 20 itens – contando mapa, TMs e poké-bolas – na sua mochila… Pokémon evoluiu e agradeço todo dia por isso, mas acreditem, isso não conseguiu impedir a minha diversão.

Zubat Pokémon

Da série “frases que ninguém nunca disse ou irá dizer”: GRAÇAS A DEUS APARECEU UM ZUBAT TAVA PRECISANDO MESMO DE UM AGORA NESSE TÚNEL.  

Eu atribuo esse prazeroso tempo dedicado a Pokémon Yellow, mesmo após duas décadas de seu lançamento, a três grandes atributos que na época tornaram a franquia um sucesso e ainda hoje tornam esses títulos notas 10. O primeiro é o objetivo do jogo. “Temos que capturar todos eles!” não era apenas o slogan do jogo e do anime, mas é a missão de todos os jogos. Claro que provavelmente você não completou a PokéDex de todos as versões, mas ainda assim, cada nova espécie encontrada nos matinhos significa um novo desafio. Eu me senti assim ao re-jogar a Yellow: fosse um Pidgey ou um Scyther da Zona Safari, eu queria capturar todos eles! É simplesmente viciante.

O segundo atributo que dá qualidade aos primeiros títulos de Pokémon eram a qualidade dos monstrinhos disponíveis à época. Não vou cair naquele discurso fácil e raso de que apenas a primeira geração prestou e o resto é uma porcaria, eu juro. Mas tenho que admitir que os 150 Pokémon, no geral, são bem melhores que os introduzidos em Black & White, por exemplo. Aliás, lembro que quando comecei a jogar a minha versão White, rezei para encontrar ao menos um Rattata perdido pelos matos da vida porque ele seria melhor que pelo menos 5 dos outros que escolhi para completar o meu time. São muitas as possibilidades de bons times a serem feitos, principalmente se você tiver um amigo para trocar com você e gerar uns bons Gengar e Alakazam, por exemplo.

Lavander Pokémon

Precisamos falar novamente sobre a Torre Pokémon e a treta da mamãe Marowak ou é melhor deixar isso quieto pra não bater aquele suor nos olhos?

O terceiro elemento que torna a geração Red/Blue/Yellow divertida até hoje são os desafios oferecidos pelo jogo. O primeiro deles, se você jogou Red ou Blue, era o mais brutal: começar com Charmander, Squirtle ou Bulbasaur? Essa questão filosófica e existencial ainda assombra muitos jogadores e promove debates acalorados. Dependendo da sua escolha, os líderes de ginásio eram verdadeiros desafios: derrotar Brock tendo começado com Charmander ou o Pikachu da Yellow, por exemplo, era uma provação. Atravessar o Rock Tunnel sem se perder era um teste de habilidade e paciência. Cada Psychic do Alakazam de Sabrina era um mini-ataque cardíaco. Capturar aquela Chansey na Zona Safari era mais difícil do que passar no vestibular de Medicina. Esses e outros desafios estimularam milhares de gamers a vencer seus próprios limites e fizeram de nós verdadeiros Pokémaníacos.

Um amigo, um estilo de vida, um destino… tudo isso era escolhido nesse momento. 

Hoje, em 2017, Pokémon já está em sua sétima geração e o número de monstrinhos disponíveis já chega a quase 1.000. Mas caso você queira retornar a uma era mais simples e até mais divertida que muitas outras gerações que vimos surgirem ao longo dos anos, eu realmente recomendo que você jogue novamente Pokémon Red, Blue ou Yellow. Não deixe os gráficos antigos ou a jogabilidade limitada te impedirem de se divertir novamente com esses monstros sagrados da história dos games. E se você nunca jogou nenhum desses títulos que falei… você está mais de 20 anos atrasado, então vê se arranja um game boy agora e começa a jogar!

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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