Rewind: Sonic The Hedgehog, o raio azul.

Era uma vez um personagem de videogame super carismático chamado… Mario. O encanador gorducho e a Nintendo reinavam absolutos no mundo dos games, olhando todos os seus concorrentes de cima, cientes de que ocupavam um lugar central no coração e no bolso de seus fãs. Até que, em 1991, surgiu um relâmpago desafiador, um vulto azul, um inimigo à altura. O seu nome era Sonic The Hedgehog.

O orgulhoso pai de Sonic era Yuji Naka. Sua dona, a empresa japonesa chamada Sega Enterprises. Em uma audaciosa estratégia da empresa, o primeiro jogo de Sonic (do qual falo hoje nesse Rewind) foi vendido juntamente com o inesquecível Mega Drive, tão popular no Brasil. Ou seja: comprou o console, levou um Sonic de brinde. Numa época em que não era fácil adquirir muitos jogos diferentes, tal medida tornou-se um convite e tanto para os gamers experimentarem esse tal Sonic.

Curiosidade: essa belezinha já foi lançada (e relançada) para mais de 15 plataformas diferentes. 

E o tal Sonic era realmente especial. Pegarei emprestadas as palavras de Jeff Ryan, autor do livro “Nos Bastidores da Nintendo” (percebam a ironia) para descrever qual era a experiência exata do primeiro título de Sonic:

“O objetivo do Sonic era ostensivamente o mesmo do Mario: viajar de um canto a outro do mundo, pegando todas as coisas boas. Porém, enquanto o foco do Mario era voltar a jogar todos os níveis até todos os tesouros serem encontrados, o do Sonic era baseado em reflexos à velocidade da luz e os picos de adrenalina de sair rolando morro acima, fazendo loopings, passando por reviravoltas lentas e depois batendo em flippers para fazer tudo de novo de trás pra frente. […] Girando, ele se transformava numa bola de espinhos para passar por cima dos outros. Presume-se que todo choque contra um oponente os deixasse cobertos de espinhos”.
(RYAN, 2012, p. 103)

Em “Sonic: The Hedgehog”, seu objetivo era correr. E pronto. Chegue o mais rápido possível até o fim da fase e vença o chefão. Mas é óbvio que tal tarefa não era fácil. Inimigos surgiam do céu, da água e da terra, tentando te desacelerar. Alguns eram destrutíveis, seja com o potente giro do ouriço ou uma simples pancada na cabeça. Outros eram obstáculos mais ferozes, como as famigeradas bolas de espinhos flutuantes. E, tratando-se de um jogo plataforma clássico, obviamente havia o perigo sempre real de cair em abismos ou ser esmagado por elementos do gráfico. Como então equilibrar essa necessidade de acelerar constantemente e os perigos de um mísero erro de cálculo?

Se tocar na serra elétrica, toma dano. Se tocar no fogo, também. Se ficar parado, a esteira te joga na serra elétrica. Se correr demais, erra o timing e bate no fogo. É, complicado…

Essa era a grande sacada de Sonic (e ainda é, caso a Sega se lembre das origens do jogo e pare de fazer aberrações como “Sonic Boom”). Correr é sempre um risco: mas ficar parado é inaceitável. Durante 18 fases, dividias em 6 áreas distintas, Sonic corria, pulava, girava em direção ao seu destino. Cada zona possuía 3 fases, e na última você se confrontava com o chefe final, o maléfico Dr. Ivo “Eggman” Robotnik. Robotnik é um cientista insano que metade de sua vida criando máquinas para escravizar bichinhos inocentes de florestas e a outra metade criando outras bugigangas para tentar derrotar Sonic. Ou seja: um vilão típico de arcades.

Para os mais antigos, Dr. Robotnik. Para os gamers mais jovens, Dr. Eggman. Mas ambas as nomenclaturas estão corretas!

Caso você fosse realmente bem e possuísse mais de 50 argolas (ou anéis) ao fim das fases, uma fase bônus se abriria para você. Nela, Sonic surgia em um mundo distorcido e rodopiante no qual seu objetivo era pegar uma Esmeralda do Caos. Caso o jogador coletasse todas as seis, este era premiado com…alguns continues e uma tela final diferente ao zerar. Sim, a vida não é justa, e às vezes premia muito esforço com pouco.

Outros elementos faziam de Sonic uma experiência mais rica. As clássicas televisões com power-ups – desde 10 anéis adicionais à invencibilidade temporária. A trilha sonora do jogo é, até hoje, relembrada com carinho pelos fãs – e ressuscitada em diversos memes. As fases aquáticas, na qual o jogador experimentava a agonia da lentidão e a constante angústia do possível afogamento, são um ícone de uma geração traumatizada. Os caminhos alternativos, por mais que não fossem tão secretos quanto alguns de Mario, premiavam aquele que explorasse os quatro cantos das fases em busca de segredos.

Labyrinth Zone, a fase que separou os meninos dos homens. 

“Sonic: The Hedgehog” é um marco na história dos games. Apesar de ter completado, em 2015, 24 anos de vida, o jogo envelheceu muito bem: sua jogabilidade ainda é desafiadora, sua trilha sonora ainda cativa, e os puzzles e oponentes de cada fase ainda impressionam. Seja pelo sofrimento causado pela Labyrinth Zone ou pela alegria ao derrotar o último chefão do game, o bom e velho Sonic ainda perdura em nossos corações. Meu sangue gamer pode ser vermelho, mas o raio que o atravessa é azul. Os Marios que me desculpem, mas Sonic é fundamental.

 

OBS: para quem ficou curioso ou interessado em saber o que mais Jeff Ryan diz em seu livro sobre Sonic, Mario ou outros ícones da história dos games, confira minha review do livro nesse link: http://drophour.com.br/2014/09/09/review-nos-bastidores-da-nintendo/

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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