Review: Zero Escape – Virtue’s Last Reward

“Uma grande continuação para 999”

Recentemente escrevi uma review sobre “999 – Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors”, um grande jogo estilo visual novel para DS. Caso não tenha lido ou não tenha menor ideia do que estou falando, só clicar nesse link: http://drophour.com.br/2014/08/30/review-999-nine-hours-nine-persons-nine-doors/. “Zero Escape: Virtue’s Last Reward”, esse game de nome gigantesco, é o sucessor de 999, e tem o mérito de ser tão quanto o primeiro.

Dessa vez seu personagem é Sigma, um jovem universitário estadunidense que, dotado do mesmo azar de Junpei, é sequestrado e obrigado a participar de um Nonary Game. Mas dessa vez o jogo é diferente, e por alguns motivos. Primeiramente: você não conhece nenhum dos outros participantes do jogo. Segundo: Não há tempo limite para o jogo ocorrer. Terceiro: o mestre do jogo é Zero Jr., que aparece para os jogadores na forma de um holograma de coelho sapeca. Quarto: agora estamos jogando o Nonary Game: Ambidex Edition.

Trailer do game: agora a brincadeira está um pouco mais cruel…

As novas regras são simples: após a resolução de cada puzzle, os jogadores devem se enfrentar em um duelo de confiança. Todos começam com 3 pontos, e quem chegar a 9 tem o direito de sair desse pesadelo. O único jeito de ganhar pontos é disputar o Ambidex Edition. Os personagens se dividem em equipes, e cada um tem que escoher se vai se Aliar (Ally) ou se vai trair o outro (Betray). Se ambos escolherem “Ally”, ambos ganham 2 pontos. Se ambos escolherem “Betray”, ninguém ganha nada. Mas se um escolher “Ally” e o outro “Betray”, quem escolheu trair recebe 3 pontos. E quem quis ser boa gente, perde 2. Ah, e quem chegar a 0 ou menos pontos, morre. Regras bacanas, né?

ally betrayE aí, o que você escolheria?

Vamos à história. Novamente você é forçado a se aliar  – e às vezes a trair – a pessoas que mal conhece para escapar de uma situação de vida ou morte. Mas as escolhas a fazer são muitas e as consequências variam consideravelmente, já que além de escolher caminhos a seguir, suas decisões de “Ally” ou “Betray” criam diferentes timelines. E aí o jogo mostra sua genialidade. O jogador conhece diversas timelines pois, afinal, ele está jogando todas elas. Mas Sigma também começa a se lembrar dos fatos de cada uma. Como é possível que ele lembre o que tal pessoa falou em um futuro que ainda nem existiu?? Jogue para descobrir! Mas jogue mesmo, porque a explicação para isso é fantástica – e os usos de tal habilidade mais ainda!

A jogabilidade recebeu algumas mudanças essenciais para tornar a experiência mais fluída. Dessa vez temos gráficos 3DS, algumas animações bacanas e um voice-acting bem feito, tanto em japonês quanto em inglês. Mas a maior adição ao jogo é a possibilidade de pular diretamente para um momento específico da história, ou seja, sem a obrigação ter que re-jogar um puzzle inteiro só para chegar a uma parte determinada da história e refazer uma escolha. Tal direito é essencial para o jogador não perder o interesse no jogo, já que não são apenas 6 finais alternativos dessa vez, mas sim 24! Prepare-se para jogar A NOITE TODA!

PhiO jogo está muito mais bonito graças ao gráfico 3D

Apesar das inovações na jogabilidade, não considero-o melhor que seu antecessor, 999, por 1 motivo: a história é boa, mas não é tão boa quanto a do primeiro. E muito dessa queda se dá devido a ausência de um romance forte. Junpei e June era um casal tão bom que você sentia vontade de ver o que iria acontecer com os dois – e torcia com todas as suas forças para que nada afastasse o casal. Dessa vez não há esse tipo de relação, no máximo um companheirismo entre Sigma e Phi, a misteriosa menina que te acompanha praticamente o jogo todo.

“Zero Escape: Virtue’s Last Reward” é um dos melhores games de 3DS disponíveis no Eshop e relativamente barato – comprei por menos de 60 pratas. Aliás, não sou só eu que o considero um jogaço: o site IGN o premiou com o título da categoria de melhor história em um jogo de 3DS/DS em 2012 e a Gamespot o consagrou como melhor jogo de console portátil no mesmo ano. Infelizmente ele não está inserido num gênero do qual muitos sejam fãs, o de visual novel, mas não deixe isso afastar você desse grande sucesso. Só tenho uma recomendação: se possível, jogue primeiro o 999, para poder entender melhor a história e, principalmente, a motivação de certos personagens. Afinal, nem todos ali são exatamente novatos nesse jogo…

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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