Review: TWD: The Game – Season 2

“Esse é o The Walking Dead que amamos”

“The Walking Dead” não é uma franquia sobre zumbis. Não, é muito mais do que isso. É um mundo que busca nos ensinar uma lição: viva, viva intensamente. Pois quando a morte se aproxima, coisas horríveis acontecem. E quase nunca temos meios de impedir que tudo se acabe. Clementine, protagonista do primeiro jogo de TWD, aprendeu essa lição na marra e retorna para nossas vidas na segunda temporada deste que merece, novamente, o título de jogo do ano.

Clementine, a menina de 9 anos que adoramos conhecer e proteger no primeiro jogo, não existe mais. Sim, ela está viva, mas pouco daquela inocência permanece. A morte de Lee, seu mentor, protetor e melhor amigo, afetou-a de uma maneira que só um mundo como o de TWD pode ocasionar. Agora vemos uma menina um poucos mais velha – por volta de 11 anos – mas muito mais madura do que eu ou você, caro(a) leitor(a.) Ela quer sobreviver, sabe o que tem de fazer para conseguir alcançar seu objetivo e fará exatamente o que for preciso. Ela cuida dos seus próprios ferimentos, enfrenta zumbis no mano-a-mano, persuade e bate de frente com seus adversários. Sabe o Carl, filho do Rick, do quadrinho e da série? Ele é um Ursinho Carinhoso perto dessa menina.

Clementine

O tempo voa, Clementine…

Mas o que aprendemos em TWD, seja no quadrinho, série, livros ou jogos, é que nunca estamos completamente preparados para aquilo que o futuro nos reserva. Você pensa que já viu pessoas morrerem de todas as formas? Pense de novo. Acha que o Governador é o pior vilão que o universo de Robert Kirkman pode oferecer? Repense isso. Acha que, depois da morte do Lee, nunca mais terá de segurar o choro durante esse jogo? Eu também pensava isso…e me enganei.

Quando só o trailer já te emociona, significa que o jogo é tenso

A segunda temporada oferece poucas mudanças em termos de jogabilidade. O jogo possui menos puzzles e mais escolhas difíceis, aproximando-se do gênero visual novel. Agora temos a opção de andar mais rápido nas partes de exploração, o que é sempre bem-vindo. Também temos de novidade a dinâmica que chamo de “reflexos”: decisões rápidas sobre para qual lado devemos nos esquivar de um zumbi, ou para onde correr, etc. Apesar da minha intitulação, tais movimentos não são exatamente difíceis de serem feitos.

A história, graças a Deus, continua com a mesma intensidade de TWD e o brilhantismo da Telltale Games. Nessa segunda temporada, Clementine cai de paraquedas em um grupo de sobreviventes que possui seus próprios problemas internos, muitos deles oriundos de um passado terrível. É válido lembrar que já se passaram mais de dois anos desde o início do apocalipse zumbi, então todos aqueles que ainda resistem já viram o que de pior o mundo pode oferecer. Além de ter de lidar com os problemas dos outros, a protagonista percebe que ela é melhor do que todos os outros no quesito sobrevivência. E aí surge o dilema: vale a pena se esforçar por eles ou o melhor a fazer é abandoná-los à própria sorte?

Luke and Clementine

Um novo personagem, Luke, é uma espécie de irmão mais velho para Clementine

As escolhas estão cada vez mais éticas, morais e até políticas, e quase perdi o tempo inúmeras vezes, de tanto que ficava me questionando o que faria naquela situação. Todos os capítulos são bons, mas alguns são excepcionais. O 2 e o 5, de maneira análoga à primeira temporada, são os melhores de todos. E prepare seu coração para o 5, porque a história e suas tragédias o atingirão em cheio.

TWD The Game

Se você não se emocionar com esse episódio, desiste e vai jogar Tetris

A primeira temporada do game venceu diversos Game of The Year e colocou a Telltale Games no hall das grandes produtoras de jogos. E a segunda temporada dessa franquia confirma que o sucesso não foi um mero acaso. Espero que “The Walking Dead:The Game – Season 2” conquiste diversos prêmios internacionais e que o próximo título venha logo, pois a história de Clementine é TWD em sua essência. Hoje, o jogo supera o quadrinho, e Clementine torna-se a grande protagonista de The Walking Dead – e Robert Kirkman que me desculpe.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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