Review: The Legend of Zelda: Twilight Princess HD

Dizer que a franquia “The Legend of Zelda” é uma das mais belas e importantes do mundo dos games é um chavão tão recorrente quanto verdadeiro. Sendo assim, não deveria começar esse texto repetindo essa velha afirmação. Mas ao terminar de zerar “Twilight Princess HD“, após mais de 36 horas, 20 corações e todas as side-quests completas, é impossível não olhar para toda a jornada e pensar que só Zelda é capaz de proporcionar belas histórias como essa. E o fato desse tesouro estar disponível em HD para o Wii U, com direito a amiibo temático e tudo, só engrandece essa obra-prima.

“Zelda: Twilight Princess HD” é um dos grandes (re)lançamentos do Wii U em 2016. O game chega com a promessa de reviver um fan favorite da franquia com os gráficos que o jogo sempre mereceu. As novas texturas deixaram o jogo mais claro, mais polido e muito mais detalhado, tornando a Hyrule mais medieval da história de Zelda um colírio para os olhos. Mas além dos belos gráficos, o novo velho título impressiona pelas mudanças na jogabilidade, ainda que parte dessas alterações seja de responsabilidade dos amiibos – ou seja, tem que comprar uns bonequinhos aí pra curtir mais ainda.

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Escolha seu lado! Ok, na verdade você terá que jogar com os dois mesmo

O que há de novo em Twilight Princess HD, afinal? Bom, apenas relembrando, o jogo está em full HD, o que significa que está bonito demais. Mas além disso, a jogabilidade mudou significativamente – e para melhor. Agora há uma opção no Gamepad que torna possível transformar Link em Wolf Link e vice-versa com apenas um toque. Os itens ficaram mais acessíveis graças ao controle especial, assim como o próprio mapa, tornando exploração e resolução de puzzles mais rápidas. Um novo item, a Lanterna de Poes, torna possível que Link em sua forma humana descubra se ainda há fantasmas vivos (?!) na área. Esses e pequenos outros ajustes tornam a jogabilidade mais fluída e divertida. Ah, e ainda temos os benefícios dos amiibos.

O game pode ser adquirido junto com um amiibo exclusivo e lindo de Wolf Link e Midna, a dupla dinâmica. O simpático boneco permite o jogador realizar um Quick-Start (pular da tela inicial direto para sua gravação) além de abrir uma nova dungeon de desafios, a Cave of Shadows, que é até divertida, mas de maneira alguma indispensável. Os amiibos de Smash Bros também garantem benefícios: Zelda e Sheik recuperam seus corações automaticamente – um pouco roubado isso aí – o de Link e Toon Link recuperam suas flechas – esse é bem útil para agilizar o jogo – e o de Ganondorf duplica o dano desferido pelos inimigos – resolvendo um problema antigo do jogo, sua facilidade. Além dessas mudanças há também o Hero Mode, modo alternativo no qual o jogo fica espelhado, todos os inimigos dão o dobro de dano e não há corações escondidos em matos e barris prontos para lhe ajudar.

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Compra esse amiibo. Vende um rim se for necessário, mas compra essa lindeza

Após mencionar as novidades, é bom falar sobre uma coisa que felizmente não mudou nessa jóia: a história. Para os que não sabem o enredo do jogo, aqui vai um resumão do que se trata Twilight Princess. Link vive de forma simples e pacata em sua pequena vila quando descobre que seu querido reino de Hyrule foi invadido! Terríveis criatura das trevas surgem acompanhadas de uma atmosfera sombria que deixa o mundo em um eterno crepúsculo e torna todos os humanos espíritos fadados a solidão e desespero. Quer dizer, todos menos Link, aquele escolhido pelas deusas para possuir a Triforce da Coragem. Ao entrar em contato com a névoa sombria, nosso protagonista acaba transformando-se em um lobo feroz. Agora Link – seja em forma humana ou animal – tem de se juntar a Midna – a irônica e feroz habitante do reino de Twilight – para separar os reinos da luz e das sombras.

Essa história de luz, escuridão e tons crepusculares é escrita através de nove dungeons, dezenas de side-quests e mais de uma centena de desafios especiais. Os templos, grandes desafios que aguardam os zeldamaníacos, são quase todos excelentes – estou colocando como exceção o chatíssimo City in The Sky. Os colecionáveis incluem três sacolas diferentes pra bombas, quatro garrafas, 60 fantasmas espalhados pelo mapa, 20 insetos dourados, dentre outros. Mesmo sendo veterano em Zeldas e especificamente desse jogo, gastei umas boas 25 horas completando essas tarefas. Mas e as personagens, quem são os atores desse espetáculo e o quanto eles contribuem para a narração dessa história? É aí que chegamos a um dos poucos defeitos de Twilight Princess.

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A quest dos insetos dourados te torna muito, mas muito rico no jogo – então não ignore-a!

Não me entendam mal: existem personagens brilhantes nesse game, inclusive falarei deles daqui a pouco. Mas tirando Midna e Zant – os meus queridos – o resto é completamente dispensável. Não que eles não influenciem a história: por diversas vezes o que move Link e o faz chegar a um novo desafio é o auxílio de um coadjuvante ou a necessidade de salvar um deles. O problema é que após realizar sua função temporária, eles se retiram da história. E como não são carismáticos, em nenhum momento deixam aquela sensação de “poxa, que saudade de fulano”. Simplesmente não dá vontade de parar, apertar A perto deles e ler o que estão falando. Passa direto que é melhor, na maioria das vezes.

Mas calma, Midna e Zant estão aqui para trazer à redenção às personagens de Twilight Princess. Midna é a melhor acompanhante de Link na história da franquia, em termos de simpatia e utilidade. Ela é responsável por teletransportar você e outros objetos, transformá-lo em lobo, auxiliá-lo na porrada quando você está jogando com Wolf Link e ainda por cima joga umas dicas ocasionais. Sua relação com Link é um misto de camaradagem e romance, tornando o casal alvo de muitos shippers. Além disso, seu ódio por Zant e seu desejo de vingança acabam tornando-se um elemento motivador para que o jogador continue em sua jornada.

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Imagem só para agradar aos shippers de plantão

Zant, por outro lado, é o antagonista em 95% do game e, pra mim, o grande vilão desse jogo – um tal rei das trevas que me desculpe. Ele é o rei de Twilight e o responsável pela invasão a Hyrule. Dotado de um estranho poder incomensurável, Zant por diversas vezes chega a assustar com sua falta de piedade e a facilidade com que tem de brincar com Midna e Link. Entretanto, quase no fim do jogo nós descobrimos que no que tange ao Rei Usurpador, nem tudo é exatamente o que parece.

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Zant e os bros dele chegando no castelo de Hyrule

Há algumas outras falhas no jogo dignas de nota. Algumas das quests a serem desenvolvidas unicamente com o Wolf Link são desnecessariamente longas, deixando o jogador ansioso para voltar à forma humana, o que pode levar a um desgosto pela forma animal do protagonista. Também considero que alguns itens no arsenal de Link são completamente dispensáveis. Spinner e Dominion Rod, por exemplo, são pouco explorados fora de seus templos de origem, não são úteis para as batalhas e nem maneiros são. Outro ponto negativo é a ausência de um instrumento musical, como a Ocarina of Time, por exemplo. Por mais que a trilha sonora do game seja excelente, sinto falta de poder fazer minhas próprias canções – ou pelo menos tentar.

Por fim, é válido mencionar que se Twilight Princess está no meu Top 5 de melhores Zelda da história, é muito devido a sua capacidade de proporcionar momentos inesquecíveis. As justas nas pontes de Hyrule, a invasão stealth à Hidden Village, a batalha final do jogo com direito a três rounds distintos, o desafio mortal de enfrentar três Darknuts simultaneamente em um círculo mortal, esses e outros momentos são únicos e brilhantes, enriquecendo uma já excelente história.

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Lágrimas masculinas e heroicas com as lições que esse camarada nos passa durante o jogo

“The Legend of Zelda: Twilight Princess HD” revive e revigora um dos melhores títulos da franquia. Com gráficos lindos e jogabilidade mais fluida e divertida, os jogadores tem a oportunidade de desfrutar novamente dessa bela história com novas possibilidades. Há de tudo um pouco aqui, seja para novatos ou veteranos, então venham todos curtir esse excelente relançamento.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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