Review: Super Smash Bros (3DS)

“Mudando o jogo”

Há pelo menos 10 anos eu ouço a MESMA história. Talvez você também já tenha ouvido: chega seu amigo, dono de algum console da Microsoft ou da Sony, e diz “cara, a Nintendo já era. Tá falindo, só faz os mesmos jogos de sempre que ninguém quer mais saber…já era”. Aí, no mesmo ano, a gigante japonesa lança algum título novo que simplesmente é sucesso de crítica e de vendas, e o seu amigo repensa se não é melhor comprar logo um console dela…Pois é, em 2014 eu ouvi de novo esse papo, e dessa vez o responsável por mandar o recalque passar longe foi o novo “Super Smash Bros”.

Pela primeira vez essa franquia chega a um console portátil. O primeiro, para 64, o Melee (GC) e o Brawl (Wii) fizeram bastante sucesso entre os fãs e só aumentaram a expectativa para a chegada do 4º título, dessa vez para o 3DS. O console, líder absoluto do seu ramo – valeu PS Vita, aquele abraço – teria a missão de trazer a pancadaria insana de Smash Bros para uma tela menor e um hardware menos potente do que o do Wii U. Missão dada é missão cumprida, e hoje posso dizer que Smash Bros. para 3DS é um sucesso.

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A bonita arte que originou a capa do jogo

É provável que, assim que você for pegar para jogar, estranhe os comandos. Fica tranquilo: é normal. Jogamos Smash Bros em consoles de mesa há 15 anos: não será em 1 dia que já seremos especialistas no de 3DS. Mas assim que o costume aparece, você percebe que o sistema funciona. A minha única ressalva é com relação ao polêmico analógico. Não há como usar o D-pad para movimentar-se, e a estrutura frágil do analógico já fez com que alguns jogadores mais hardcores danificassem seus aparelhos na intensidade das batalhas. Como não gosto de terrorismo, prefiro seguir a lógica: se foram vendidos mais de 2 milhões de cópias até agora e apenas uns 100 relatos de problemas do gênero surgiram, não deve ser tão comum, não é? De qualquer forma, seria bom podermos trocar esse tipo de comando a fim de evitar um infortúnio.

smash bros 3DS analógico

Às vezes Deus se disfarça de analógico quebrado para testar sua fé

Mas vamos logo às novidades. São quase 50 personagens diferentes nesse novo Smash Bros. Apesar de nem todos terem move-sets diferentes – clones como Falco e Dr. Mario retornam ao jogo sei lá porque – é muita opção de boneco para você escolher. Gosta de um Close Combat? Captain Falcon e Little Mac são as minhas indicações. Prefere atacar de longe e ir minando a paciência do oponente? Robin e Zelda são bons nisso. Quer alguém bem versátil, que misture vários estilos? O sempre confiável Link está aqui para te ajudar. Isso sem falar na grande inovação desse game: a possibilidade de mudar os ataques dos personagens. Exemplo: Link tem o Gale Boomerang, que bate na ida e na volta puxa o oponente, mas caso você não goste desse sistema, há um bumerangue que dá dano na ida e na volta, e outro com menos alcance mas que pode atingir vários oponentes de uma vez.

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Sou eu, bola de fogo, o calor tá de matar… (apesar de ser uma imagem do jogo para Wii U, o sistema é o mesmo)

Outras novidades aguardam os jogadores. Agora é possível colocar itens em seus personagens. Apesar de não aparecerem durante o jogo, eles dão efeitos diferentes: ou acrescentam mais ataque, ou defesa, ou velocidade, ou te deixam mais tempo no ar, etc. Tudo isso torna o jogo mais variado, tornando os lutadores mais únicos. Junte isso às novas arenas, sempre imprevisíveis, e os novos itens que mudam a dinâmica do jogo, e você terá sempre partidas diferentes.

O que mais me impressionou na transição para o 3DS foi o cuidado que a Nintendo teve para fazer o jogo dar certo. Não há frame rate nas lutas, independente do número de eventos que ocorra na tela. Está difícil ver os personagens? Ative o Outline para poder enxergá-lo melhor. Não gosta disso? Beleza, você mesmo pode tirar. Tá achando estranho usar os botões de trás do console para alguma função específica? Só remanejar para os da frente e tá tudo certo.

characters outline

À esquerda, Link e Mario estão sem Outline (a linha preta ao redor do personagem). À direita, com a Outline.

Claro que nem tudo são flores na estreia da franquia nos portáteis. A jogabilidade online, por exemplo, ainda apresenta velhos problemas com selo Nintendo, como o tradicional lag. Talvez com uma internet melhor – o pessoal da Drop Hour sabe que a minha é lenta e nem um pouco confiável – a situação melhores, mas achei difícil conseguir jogar online em sequência. Com frequência tive problemas de lentidão e até de queda do servidor. Isso é um fator importante para aqueles que querem jogar competitivamente. Entretanto, nas partidas mais “próximas”, como as que fiz em casa contra meu irmão, por exemplo, não tive problemas. Outro ponto negativo é o modo exclusivo para 3DS, o Smash Run. Pouco divertido e aleatório demais, não apresenta nenhum grande motivo para que os jogadores passem muito tempo nele.

“Super Smash Bros. 3DS” é um game changer. É a jogabilidade consagrada de Smash Bros. em um portátil, ou seja: agora a diversão te acompanha no dentista, na fila do banco, na sala de aula… – se os professores reclamarem, a Drop Hour nunca mandou que você jogasse durante sua aula, muito menos o Luklab. São muitos modos de jogo – Pancadaria simples, Modo Clássico, Multiman-Brawl, Trophy Rush, All Star – e centenas de troféus para colecionar. Desde a trilha sonora sensacional, composta por sucessos de franquias da Nintendo e outros como Sonic e Pac-Man até os menus estilizados, Super Smash Bros. para 3DS veio acrescentar mais um grande título à história desse brilhante console.

SSBfWiiU_Box_ArtAh…e ainda tem o de Wii U esse ano, né? Que fim de ano maravilhoso….

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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