Review: Pokémon ORAS

“Hoenn is back, bitches!” 

Parece que foi ontem, mas na verdade foi em 2003. Chegávamos em um continente novo, Hoenn, num caminhão de mudanças. Machokes ajudavam a montar nossa nova casa, na pacata Littleroot Town. Era só o início de uma nova aventura Pokémon, mas já sentíamos que ela seria inesquecível. Novos Pokémon, batalhas em dupla, Contests, bicicletas diferentes… A terceira geração da nossa franquia favorita invadia o Game Boy Advance. E em 2014, ainda que já no fim dele, tivemos a oportunidade de reviver todas essas emoções.

“Pokémon Omega Ruby” e “Pokémon Alpha Sapphire” são a terceira geração de remakes da franquia. Lançados para o glorioso 3DS – nunca prometi imparcialidade em meus textos – “Pokémon ORAS” (como são chamados os dois lançamentos) tem sido um sucesso de vendas. Por mais que o número total ainda não tenha sido revelado, sabe-se que nos primeiros 10 dias os jogos venderam, somente nos EUA, por volta de 1 milhão e meio de cópias.

pokemon-omega-ruby-and-alpha-sapphire-2HOENN CONFIRMED!

Mas o que justifica tamanho sucesso de um remake? Na verdade são muitos pontos a se considerar, mas tentarei ser bem abrangente em minha crítica. O primeiro deles é inegável: nostalgia. Pokémon marcou nossa infância e adolescência e a oportunidade de jogar um remake não pode ser desperdiçadas. Por diversos momentos durante o jogo eu me peguei pensando “cara, como eles refizeram essa batalha? Como será reencontrar Rayquaza, agora com gráficos melhores, mega-evolução e etc.”. ESSA é a grande sacada da Nintendo ao refazer seus principais jogos: instigar a nostalgia dos seus fiéis jogadores.

july_p06_03_uuwEu sou seu pai…NÃO, PERA, você já sabia disso…

Mas é claro que ORAS tem muitos elementos novos. Para começar: mais mega-evoluções. Não entrarei no aspecto competitivo do tema – até porque não jogo com esse intuito – mas o abordarei pelo tópico da diversão. As Mega-Evoluções tem dado sobrevida a diversos pokémon, alguns até esquecidos – cc Beedril – fazendo com que diversos jogadores capturem-nos e treinem só para ver como é usar a sua nova forma. Além disso, a nova Poké Nav trouxe uma funcionalidade sem a qual ficará difícil jogar um novo título da franquia: agora é possível “rastrear” os Pokémon da região, registrar automaticamente quais monstrinhos aparecem naquela área e procurar por um especificamente. Quer capturar um Zigzagoon – sabe-se lá porque – com uma habilidade específica ou bons IV? A Poké Nav te ajuda, mostrando informações sobre quem te espera naquele matinho esperto, ou simplesmente tirando os Poochyena do caminho.

pxuf34swnoyebqexngv7Outra ideia bacana: agora podemos caminhar na encolha, para surpreender um pokémon específico

Outra novidade são a penca de lendários disponíveis. São mais de 20 lendários possíveis de serem capturados. Dentre eles os originais da terceira geração (Groundon, Kyogre e Rayquaza), mas também de outras gerações, como Lugia, Ho-oh e os cães lendários, de Jhoto, ou Zekrom e Reshiram, da Black and White.  E o mais legal: a maioria deles é bem tranquila de capturar, não exigem side-quests enormes ou rituais satânicos. E talvez a mais bombástica delas: um episódio extra, pós main quest, intitulado “Delta Episode”, no qual você deve evitar que um asteroide atinja a terra. E quem lhe ajudará nessa missão? O todo-poderoso Rayquaza, claro!

screen-shot-2014-10-02-at-2-44-55-pmRayquaza envelheceu bem, né?

Agora vamos ao lado mais “pessoal” dessa análise, com os elementos que eu mais gostei. Primal Kyogre e Primal Groundon são muito bacanas: a evolução é visualmente muito bem feita, as novas habilidades são muito bem pensadas, e subiram esses dois lendários pro topo da minha lista de preferidos – Mewtwo e Rayquaza fazem companhia aos dois. O Delta Episode, apesar de curto, é bem divertido. E o final, mesmo que eu já tivesse lido anteriormente qual era, é bem bacana! Outra grande qualidade do jogo: as side quests. Tem MUITA coisa para se fazer mesmo após zerarmos, desde completar Pokedex, passando por coletar todas as mega stones até mesmo a vencer os Contests.

Pokemon-Ruby-Sapphire-Super-Secret-BasesAs Secret Bases estão melhores do que nunca em ORAS

Agora vamos às ressalvas, aquelas que tiram o “10” do jogo. Tá certo que era um remake, mas precisava copiar quase tudo fielmente? A partir da Black and White, a franquia implementou uma mudança que considerei essencial: a main quest não te obrigava a usar HMs (exceto Surf). Já em ORAS, em certa parte do jogo você precisa de Surf, Dive, Waterfall e Strenght! Conselho: pega um Marill qualquer e não tira do seu time, pois você vai precisar dele pra tudo. Mas que fique claro: não concordo com o polêmico “Too much water” da IGN, mas poxa, irrita ter que parar de 2 em minutos pra usar Surf, ou Dive, etc. Outro ponto negativo: a pouca variedade de Pokémon no início. É um festival de Zizagoons, Poochyena, Wurmple e Tailow, mas de resto…é difícil montar um time variado até o quarto ginásio, mais ou menos. E nem comentarei sobre os NPCs de ginásios: todos juntos usam uma incrível variedade de 3 Pokémon por ginásio. E normalmente o líder desse usa as evoluções desses três. Com o tempo você se cansa de enfrentar os mesmos monstrinhos.

546e6965bfcaeSempre desconfiei…

“Pokémon ORAS” é um dos grandes lançamentos da Nintendo nos últimos anos. Ele combina os avanços de X e Y, soma algumas boas sacadas e resgata a nostalgia de uma das melhores gerações de Pokémon. Se você tem um 3DS, é sua obrigação moral comprar um desses. Se você não possui um 3DS, cara…tá na hora de providenciar um, não é???

90

Facebook Comments

Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *