Crítica: Em “Life is Strange”, passado, presente e futuro se unem para contar uma bela história.

Houve um momento em especial no qual soube que “Life is Strange” iria me conquistar. Ele ocorreu ainda no primeiro episódio. Na verdade, foi antes mesmo da introdução do primeiro episódio. Antes da história começar, o jogo te avisa que suas escolhas afetam o futuro. O presente. E também o passado. Fiquei intrigado com isso. Animado também. Ansioso. E sorri, pois sabia que estava prestes a embarcar numa aventura.

A maior de todos os tempos? Não, nem tanto. Mas valeu o esforço.

“Life is Strange” é um point-and-click adventure – típico jogo de investigação, bate-papo e escolhas – produzido pela Square Enix. Dividido em 5 episódios – todos já disponíveis para baixar – e lançado para, hum, um zilhão de plataformas, menos as Nintendistas. Eu joguei a de ps3, mas acho que o conteúdo é o mesmo em todas as versões. O game tem como premissa o poder de voltar no tempo e desfazer acontecimentos, alterar diálogos e até mesmo evitar mortes. Com as devidas consequências, claro.

Life-is-strangeA pacata tela de início do game – SPOILER: ela muda ao decorrer do jogo…

A história gira em torno da Blackwell Academy, um prodigioso colégio localizado em Arcadia Bay. A protagonista é Max Caulfield, uma jovem fotógrafa que sonha em ser uma artista profissional. Sua vidinha mais ou menos é interrompida após presenciar um assassinato e descobrir, em meio à ocasião, que ela tem o poder de voltar no tempo – alguns minutos apenas, mas já é alguma coisa. Nesse mesmo dia – e no caso, nesse mesmo Episódio 1 – ela reencontra uma velha amiga da infância, se envolve na investigação do desaparecimento de uma ex-estudante da sua escola e ainda se vê obrigada a tentar entender as estranhas visões que começa a ter.

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Max Caulfield, a garota capaz de fazer o tempo retroceder

A Square Enix fez um trabalho maravilhoso ao elaborar o cenário de “Life is Strange”. Há pelo menos uma dúzia de personagens interessantes, com personalidades bem desenvolvidas e histórias às quais você ficará com vontade de acompanhar – e interferir, claro. Alguns cenários oferecem centenas de informações, desde flyers com dizeres inúteis até mesmo bilhetes e diários com informações cruciais para um entendimento maior da trama. Algumas áreas são tão complexas e recheadas de possíveis ações que chegam a confundir o jogador. Em termos de side-quests, além das conversas e descobertas opcionais com os NPCs, existem 10 fotos em cada episódio que você pode ou não tirar. Cada uma dá um troféu/achievement e se você é obcecado em zerar 100%, fique de olho, pois algumas das oportunidades de foto só aparecem em circunstâncias específicas.

chloeChloe, a melhor amiga de Max Caulfield – e também aquela menina gata alternativa com quem muitos já sonharam em ficar. 

Sobre a qualidade das escolhas propostas pela Square Enix ao fazer o enredo, fiquei um pouco dividido. Quase todas são pertinentes e algumas são muito, mas muito difíceis mesmo de escolher. Entretanto, a opção de poder retornar no tempo e acompanhar a consequência – pelo menos imediata – de todas, acaba estragando um pouco a graça, porque tira o peso do jogador de não ter ideia do que aconteceu em seguida. Além disso, tirando uma ou outra que realmente tem peso na narrativa, muitas delas influenciam apenas diálogos futuros, causando a impressão de que na verdade pouco interferimos na história pré-estabelecida.

Ok, tem escolhas bem mais importantes que essa, mas juro que fiquei uns 5 minutos travado nessa aqui

Analisando agora alguns outros aspectos que também influenciam na qualidade do jogo. A trilha sonora do jogo é bacana, mas deixo um aviso: as músicas do primeiro episódio são BEM melhores que as escolhidas para o resto do jogo, então não se iludam achando que o nível se manterá até o fim. O gráfico é bem bacana mesmo, principalmente se tratando de um game adventure. Não presenciei nenhum tipo de frame-rate – aprenda, Telltale – o que é ótimo, pois não interrompe os momentos chave.

Mas no final tudo volta para a história, não é? A qualidade do enredo é o que realmente dá o veredicto nesse tipo de jogo. E ao fim do quinto episódio – jogado horas antes de escrever esse texto, posso dizer que aprovei a história contada pela Square Enix. Mas com ressalvas. Eu adoro viagem no tempo e acho realmente que o plot trabalha bem com os elementos, às vezes conseguindo até me surpreender, e olha que me considero um veterano nesse ramo. Mas lá pro final da história, só sobraram os velhos clichês. Não esperem um desfecho surpreendente, pois não há. Inclusive, logo no começo do episódio 5 eu saquei qual seria o gancho final da trama. Porém, acreditem em mim quando digo que existem cenas memoráveis nesse jogo, momentos, diálogos, eventos nos quais você literalmente agradece por poder voltar no tempo e poder rever. Felizmente o roteiro é generoso nesse quesito e por isso no geral, o saldo é bastante positivo.

CDH1Jg6W0AAflvJUm tributo a Warren, o coadjuvante de luxo de “Life is Strange”

“Life is Strange” é único, é inteligente, é tocante. Não é o melhor adventure do mundo e tenho a sensação de que “The Walking Dead” é mais forte em termos de envolvimento com a história, mas acreditem: vale o dinheiro e o tempo investidos. Qualquer coisa envolvendo viagens no tempo já são dignas de minha atenção, mas esse game também tornou-se digno da minha aprovação. Jogue pelo menos o primeiro episódio, já que ele funciona bem como argumento de compra – apesar deu considerar o episódio 2 o melhor do game. A vida é estranha, sim, guarda imprevisíveis consequências para nossos atos, mas também oferece boas surpresas, como este jogo.

90

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

4 comentários em “Crítica: Em “Life is Strange”, passado, presente e futuro se unem para contar uma bela história.

  • 11 de novembro de 2015 em 20:54
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    Eu adorei o game, a história me envolveu e me deixou muito curioso para saber como seria seu final(eu me surpreendeu com o final ao contrário de vc), esse é um game que explorou meus sentimentos como nenhum outro e admito que chorei ao final do 5 episódio (esse game me fez sorrir e chorar várias vezes ao longo da trama).Ele é o primeiro game no meu top 10 de games(tudo graças a história), antes Uncharted 2 era o primeiro.Para encerrar eu digo que o game mostra que a vida apesar de ser feia, algumas vezes tbm é bonita, e que no fim de tudo, a vida é estranha(esse nome sempre me deixa pensativo).

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    • 27 de novembro de 2015 em 01:33
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      Fala Henrique!

      Obrigado por ter lido o meu post. Eu gostei do jogo também e com certeza, você tem razão, é um game que mexe com suas emoções e mostra várias facetas da vida. Não cheguei a chorar com esse não, aconteceu comigo em The Walking Dead, que é no mesmo estilo desse, aliás. Continua acompanhando a Drop Hour que de vez em quando aparece review minha sobre outros títulos desse mesmo gênero – sempre que possível né, pq a grana é curta e o tempo de jogar é pouco, haha. Abraços!

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  • 7 de Janeiro de 2016 em 03:02
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    9.0?! D: Merecia 10! Esse jogo é sensacional!

    Como o Henrique falou, esse jogo mexe com os nossos sentimentos, principalmente naqueles que tem aquele amigo inseparável e que certamente, faria qualquer coisa por ele. Eu me senti assim porque, na real, sou a Max e a minha melhor amiga, a Chloe da vida real. Justamente esses feels que o jogo traz que faz essa ocasiona essa coisa de ”plmdds, eu quero jogar o outro episódio”.

    E de fato, é muito dificil escolher entra panquecas ou bacon com ovos :X

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    • 7 de Janeiro de 2016 em 18:10
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      Hey Lolla!

      Obrigado por acompanhar a Drop Hour e por dar a sua opinião 🙂
      Abraços pra você e pra sua Chloe!

      OBS: agora estou fazendo dieta e está mais difícil ainda fazer essa escolha, porque agora nem panqueca e nem bacon com ovos, tenho é que escolher frutas ou uma salada ¬¬

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