Crítica: “Catherine” é um jogo sobre escolhas e consequências.

Você é totalmente feliz com a sua vida atual? Em algum momento do seu dia, preso no trânsito no caminho do trabalho, ou naquela aula chata da faculdade, quem sabe até naquela DR com seu/sua namorado(a), você já se perguntou “e se eu tivesse escolhido outro caminho?”. Esse “E SE” é o x da questão. Quando escolhemos a opção em detrimento da B, criamos diversos cenários A1, A2, A3… E sofremos as consequências dessa ação. Catherine, o objeto dessa crítica, trata exatamente sobre dilemas morais e éticos de nossas vidas. O quanto estamos preparados para decidir nosso futuro quando somos obrigados a fazê-lo?

Trailer de “Catherine” – preste atenção nas cinemáticas, no melhor estilo Anime.

Dividido entre as (C)Katherines de sua vida.

Catherine foi desenvolvido pela Atlus Persona Team e lançado para Xbox 360 e PS3 em 2011. Não deixe que a “idade” do jogo te engane: tanto seu enredo quanto jogabilidade ainda são bem atuais. Falemos então do enredo, ponto forte do jogo. Você joga com Vincent Brooks, um homem de 32 anos que leva uma vida boa (embora não fantástica). Típico trabalhador de escritório, Vincent namora já alguns anos com Katherine, uma bonita mulher mais ou menos da sua idade. O namoro vai bem já há alguns anos e Katherine começa a questionar seu parceiro sobre o futuro dos dois. Ele pretende pedi-la em casamento em breve? Afinal, nenhum dos dois está ficando mais novos, não é?

Essa é a Katherine com “K”. Esse detalhe será importante para nossa história, então não se esqueça!

Atormentado por esse “ultimato” de Katherine, Vincent decide repensar sua vida. Nesse mesmo dia, ele encontra seus amigos no bar de sempre, o Stray Sheep. Mas aquela não seria uma noite comum: é nessa mesma ocasião que ele conhece uma garota, Catherine. A jovem e provocante mulher o chama para conversar, e após muito papo, álcool e investidas, Vincent se entrega aos seus encantos. Resultado: na manhã seguinte nosso protagonista acorda ao lado de Catherine e percebe que traiu sua namorada.

Catherine, a “outra”.

E agora? É aí que o jogador – ou melhor, você – entra.

Gameplay e história: etapas que se alternam e complementam.

O jogo se divide em duas etapas, que se alternam. A etapa Gameplay consiste na luta de Vincent para escapar da morte subindo eternas escadas formadas por blocos. Essa etapa ocorre sempre nos pesadelos do personagem e caso você falhe em sua subida desenfreada, Vincent morrerá durante o sono. Mas qual a lógica disso? Calma, isso – e outros pontos do plot – são explicados na outra etapa do jogo, a Novel, na qual acompanhamos o desenrolar da trama. É nessa parte que você, jogador, pode tomar pequenas, médias e grandes decisões. Independente do tamanho delas, todas são capazes de influenciar o futuro de Vincent.

SOBE, VINCENT! E NÃO OLHA PARA BAIXO!


A princípio, julguei que uma única pergunta me incomodaria: Katherine ou Catherine? Afinal, esse é o plot central da história. Mas conforme avancei no jogo, percebi que diversas outras são capazes de te fazer refletir sobre sua própria vida. Pegarei só um exemplo, até para não tirar a graça do jogo: em determinado momento da trama, Vincent se vê obrigado a responder essa questão: “Você seria capaz de revelar tudo sobre si mesmo para a sua pessoa amada?”. E aí, o que VOCÊ responderia?

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Grandes decisões do jogo serão tomadas dentro desse “confessionário” – e nenhuma delas envolverá eliminar algum BBB.

Há outros pontos que merecem destaque nesse game: as cinemáticas são MUITO bem feitas. Suas passagens pelo Stray Sheep, principal ambiente do jogo, são marcadas pela ingestão – ou não, caso você assim queira – de volumosas quantidades de álcool. Vincent tem a opção de beber whisky, saquê, cerveja ou cocktail. Sempre que ele terminar uma dose, o locutor do jogo lhe dirá uma curiosidade sobre esse tipo de bebida. Legal, não é? Ah, e a trilha sonora do jogo é bem bacana, com novas músicas ambientes podendo ser desbloqueadas dependendo do seu sucesso nas etapas do Gameplay.

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Vincent e seus bros no bar de sempre, o Stray Sheep.

A dificuldade que estimula – e por vezes desanima.

Uma última observação: é um jogo DIFÍCIL. Você tem um certo tempo para subir as escadarias de blocos, e conforme o jogo avança, os puzzles se complicam e esse tempo de reação diminui. A jogabilidade é tão complexa que é normal perder entre 10 e 20 vidas em alguns chefões – isso jogando no nível Normal. Então, caso você esteja morrendo compulsivamente, nada de tacar o controle na tela da TV ou se achar o pior gamer da Terra, beleza?

“Catherine” é um game meio fora do radar: eu mesmo só o conheci por acaso, quando estava olhando as promoções da PSN e me deparei com o título incomum. Jogabilidade com alto nível de desafio, questionamentos éticos complexos, muita reflexão sobre nossos relacionamentos e, principalmente, Originalidade, são os diferenciais desse jogo. E antes que você pense que independente de suas escolhas estará fadado a um destino, fica o aviso: são oito finais diferentes. Boa sorte, Vincent… quer dizer, leitor.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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