Opinião: qual o futuro de Sonic?

“Não deixem Sonic morrer, não deixem Sonic acabar”

A ideia de escrever esse post surgiu enquanto fazia uma partida em Smash Bros. Eu jogava com Sonic, um dos meus personagens favoritos, no estágio Miiverse. Para quem não conhece o jogo, é bom explicar que durante a partida são exibidas ao fundo da arena são exibidas mensagens dos jogadores relativas aos personagens que estão lutando. Enquanto distribuía giros e pancadas, um dos recados me chamou atenção, pois mostrava um Sonic desesperado e os seguintes dizeres: “SEGA, why you don’t let me die?” – ou, em tradução livre, “SEGA, porque você não me deixa morrer?”.

Fiquei impressionado com essa mensagem. É sabido que tivemos jogos muito ruins de Sonic nos últimos dez anos e a SEGA parece um pouco indecisa sobre o que fazer com a franquia, mas será que a resposta para esse problema seria acabar de vez com tudo? Nós realmente queremos que Sonic seja o novo Megaman?

Afinal, o que nós queremos de Sonic?

Sonic_WallpaperE aí, qual vai ser?

A minha infância foi marcada por esse ouriço azul cheio de personalidade. Eu via meu pai jogar e aprendi com ele como era divertido correr, girar e derrotar o Robotnik (a.k.a. Eggman) ao fim de toda fase. Não joguei todos os games estrelados pelo ouriço, mas consegui desfrutar de 12 deles, então me sinto qualificado para comentar a evolução (ou retrocesso) da franquia. Além disso, graças às redes sociais é possível acompanhar também a opinião dos jogadores acerca desses mesmos títulos. E isso tem me assustado um pouco.

Pegarei três jogos para exemplificar o meu ponto de vista. O primeiro: “Sonic and the Black Knight”. O jogo é trágico, ponto final. A SEGA cometeu um erro drástico de percurso e isso repercutiu nas críticas especializadas e na recepção negativa dos fãs. Página virada, vamos recomeçar. “Sonic Generations” caiu nas graças de muitos fãs por ter resgatado fases antigas enquanto misturava alguns bons elementos introduzidos no “Sonic Colors”, e tal mistura foi bem absorvida por muitos fãs. Além de homenagear os primeiros títulos da sua franquia, a SEGA ofereceu um gameplay que parece ser o sonho de consumo de muitos jogadores: o clássico plataforma, old-school, correr e pular, nada mais que isso.

sonic-generations-1124-025o nome desse jogo devia ser “Sonic: Nostalgia”

O terceiro game que quero analisar é o “Lost World”, lançado pra Wii U e 3DS. As críticas especializados foram cruéis: a IGN, por exemplo, deu 5.8 pro título de Wii U e 6,8 pra versão portátil. Embora alguns fãs tenham apreciado o jogo, muitos outros trataram-no como ridículo, infantil, um insulto à franquia. Jogando o “Lost World” recentemente, fiquei me perguntando porque foram tão rígidos com um título que é nota 7,5, na minha opinião: não é ótimo, mas possui pontos positivos. Novamente me fiz a pergunta: afinal, o que nós queremos de Sonic?

5aa2608bcb68d3c9976bd99cd2ec2d930383a885RUN, SONIC, RUN!

Qual é o futuro ideal para a franquia? Retornar à jogabilidade clássica, do Mega Drive? Isso significa que teríamos consoles de última geração produzindo games nos quais temos de correr, girar e pular apenas. Não estou me colocando contrário a essa perspectiva, calma, só quero lembrar que provavelmente se um novo título com esses parâmetros for lançado, a crítica especializada irá destruí-lo: chamarão de bobo, sem recursos, monótono, etc. Já posso até imaginar o especialista criticando: “você pula, bate e corre na primeira fase, aí na segunda também, na terceira… repetitivo demais”. Quem acompanha o mercado de games sabe que muita gente compra ou deixa de comprar um jogo por causa dessas notas. Considero essa opção um risco, mas vai agradar muitos jogadores, os reais consumidores.

maxresdefaultVou resumir essa fase do Lost World pra vocês: você pega umas bolas de neve e fica empurrando pra lá e pra cá. É isso. Durante uns 15 minutos. 

Ou será que o caminho é introduzir novos elementos, diversificar a jogabilidade? Sonic veio incorporando muitos recursos ao longo dos anos: os diferentes tipos de escudos, homing attack, o parkour, Wisps, etc. Isso torna o jogo mais complexo, sem dúvidas: em Lost World, por exemplo, muitas vezes você pode passar pelo mesmo trecho fazendo um parkour, usando um Wisp específico ou transformando-se em Super Sonic e voando em linha reta. Mas há um perigo em introduzir novos elementos: descaracterizar a franquia. Colocar Sonic pra usar uma espada, ficar empurrando maçãs para jogar em trituradores ou transformar-se em um asteroide é simplesmente fugir da proposta inicial. A SEGA tem acertado em alguns novos recursos, mas precisa ter cuidado e respeito com o DNA da franquia.

Mas claro, há também o caminho da destruição. Encerrem a franquia e fiquem revendendo eternamente os clássicos. Tem uma galera aí que prefere essa alternativa, tenho certeza.

SuperSonicGenerationsVou deixar esses dois Super Sonic aqui pra ajudar vocês a pensar

Gostaria de saber qual o melhor caminho para Sonic e como poderíamos chegar até ele, mas não sou desenvolvedor de games e nem especialista nesse mercado. Mas eu acho é que na verdade quase ninguém sabe, haja visto que não há um consenso entre os próprios fãs. Só peço uma coisa à SEGA e aos jogadores, parafraseando uma grande canção: não deixem Sonic morrer, não deixem Sonic acabar.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Um comentário em “Opinião: qual o futuro de Sonic?

  • 27 de agosto de 2015 em 04:10
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    É só a sega parar de fazer jogos exclusivos para a plataforma Nintendo e se focar no Generations e o Adventure.

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