Opinião: Precisamos conversar sobre os Amiibos

“A linha tênue entre hobby e obsessão”

Foi na E3 (maior conferência de games do mundo) de 2014 que a Nintendo revelou sua nova jogada: os Amiibos. O que são esses tais Amiibos? Pequenas figures dos personagens da companhia, com um chip especial acoplado que permite interações específicas com o Wii U e o 3DS. Exemplificando: o Amiibo de Mario abre opções especiais em jogos como Smash Bros, Mario Party 10, Mario Kart 8, etc. A primeira coleção de Amiibos seria relativa a Super Smash Bros e abrangeria todos os lutadores do roster, ainda que em diferentes “ondas”. A primeira onda trouxe os personagens mais icônicos, como Mario e Link, por exemplo. O preço oficial dos pequenos brinquedos seriam módicos 15 dólares. Tinha tudo para dar certo. Mas de alguma forma, deu errado.

fig 1

Exemplo de interatividade: os amiibos abrem roupas especiais para os Miis em Mario Kart 8. 

Mas como assim deu errado? Não tá vendendo bem? Não, pelo contrário: os amiibos são uma febre mundial! Em Maio a Nintendo anunciou que já enviou, com sucesso, mais de 10 milhões de unidades dos simpáticos bonecos (mais de 60% deles para a América). A procura dos fãs foi tamanha que muitos simplesmente sumiram das lojas, obrigando a Big N a se virar tentando atender a demanda. Até um pedido de desculpas oficial teve de ser emitido pela companhia, no qual ela prometeu tentar resolver esse problema dos estoques limitados. Então cadê o problema? O problema está na outra funcionalidade que os Amiibos estão desbloqueando nos fãs: o colecionismo obsessivo.

fig 2

Bonitinhos, mas ordinários.

Vejamos por exemplo uma notícia que surgiu no My Nintendo News. Um fã endinheirado resolveu comprar 100 (CEM) Amiibos de Rosalina. Motivo? Para ninguém mais ter. Caso você queira acompanhar a rotina dos colecionadores de amiibos, basta você entrar nos grupos de compra e revenda no Facebook e admirar as fotos dos fãs, que exibem suas fileiras de dezenas de amiibos – muitos deles ainda lacrados e até mesmo repetidos! Os bonecos, lançados àquele preço de poucos dólares que mencionei anteriormente, são revendidos até por 20 vezes o seu valor – poderia linkar aqui uma loja online que oferece uma Rosalina por 400 reais, mas não o farei para não levar processos.

fig 3

Se você procura amiibos como Wii Fri Trainer ou Little Mac, por exemplo, se acostume com essas mensagens…

Não me entendam mal: eu gosto dos amiibos! Inclusive tenho dois deles, o de Link e o de Captain Falcon. Fiquei muito feliz quando adquiri o do Falcon porque sou fã do personagem e nunca tinha tido a oportunidade de comprar um produto oficial de F-Zero. Mas eu fico me perguntando…será que esses colecionadores realmente são fãs de TODOS os personagens? Wii Fit Trainer, sério mesmo? O Amiibo dela só tem interação com Smash Bros! E se você não tem uma relação de afeto com o personagem ou com o jogo…para que se matar procurando esse Amiibo? Só para ter? Somos fãs ou consumidores, afinal de contas???

fig 4
Meus amiibos se preparando pro Smash!

As primeiras ondas (sem trocadilhos) de jogadores insatisfeitos com essa febre dos Amiibos já pipocam na internet. São pessoas que gostariam de adquirir bonecos de seus personagens prediletos a preços justos, mas que graças à ganância de muitos e claro, a incompetência da empresa em produzir um volume de acordo com a demanda, saem prejudicados. Aqui no Brasil a situação é mais crítica: graças à saída da Nintendo do país e a alta do dólar, amiibos simples como o de Link, vendido a 10 dólares no ebay, por exemplo, chegam a custar 150 reais nas lojas! Se isso não é exploração gratuita, eu não sei mais o que é.

Resolvi escrever esse texto porque sinto que precisamos conversar sobre Amiibos. Precisamos reconhecer que, o que era uma boa ideia da Nintendo, acabou perdendo o propósito original, tornando-se um sinônimo de colecionismo obsessivo. Quero acreditar que o fanatismo tem um limite, e que devemos colocar na balança se é saudável (inclusive financeiramente) embarcarmos nessa jornada insana em busca de dezenas de bonecos com chips embutidos. E só para descontrair, mas sempre com uma provocaçãozinha lá no fundo, fiquem com esse hilário vídeo: Amiibo, the movii! Ou, se me permitem a inclusão de um subtítulo em português, “O preço do colecionismo”.

 

Facebook Comments

Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *