Opinião: o injustiçado Majora’s Mask

“É muito difícil ser o irmão mais novo de um gênio”

Você lembra quem é Ralf Schumacher? Esse sujeito é o irmão mais novo de Michael Schumacher, o heptacampeão mundial de F1. Ralf também fez carreira nessa categoria: ele correu durante 10 anos (1997-2007) e nesse período conquistou impressionantes 6 vitórias. Não estou dizendo aqui que vencer 6 Grandes Prêmios seja algo vergonhoso, mas convenhamos: quando seu irmão mais velho venceu mais de 90, é impossível não tecer uma comparação. Eis o que acontece com “ Majora’s Mask ”: é um grande jogo, um dos melhores Zeldas que já joguei, mas infelizmente ele foi lançado logo após um dos maiores da franquia – se não o maior: “Ocarina of Time”.

Eu não era tão maduro na época para lembrar – nasci em 1992 – então os mais velhos, por favor, confirmem essa hipótese para mim: o hype em cima de Majora’s Mask deveria ser algo colossal. “Ocarina of Time” reinava como o melhor jogo de N64, um dos melhores games da franquia e até da historia dos videogames. E o seu sucessor viria com a vantagem de usar a memória de expansão do 64, adicionado incríveis 4MB ao console (lembrando que isso na época era um puta acréscimo de qualidade). Tinha tudo para ser o maior lançamento da história de Zelda, da Nintendo e da história da humanidade, se bobear.

A opening do jogo, que deixou eu e muitos fãs com uma cara de “WTF?!”

Mas não foi. Majora’s Mask era diferente de tudo que os fãs esperavam. Link adulto? Não, vamos jogar com o criança mesmo, apenas com algumas habilidades do adulto, como montar em Epona e utilizar itens como arco e flecha. Triforce, Ganondorf, Sacred Realm, Hyrule…cadê? Não, MM era um spin-off por definição: a história se passa em Termina, um outro reino, e o plot nada tinha a ver com os elementos de OoT. E a Princesa Zelda, onde entra nessa história toda? Em um flashback, e acabou. Mas que raios de jogo de Zelda é esse?

Um puta jogo. Antes de escrever esse texto, me desafiei a citar pelo menos 5 motivos pelos quais esse jogo pode ser considerado um título tão excelente quanto único para a série. Logo percebi que passaria fácil desse número. Comecemos pela maior mudança: o tempo. Pela primeira vez um Zelda tinha tempo pré-definido para ser zerado, e por mais que você não seja exatamente obrigado a correr contra o relógio, é impossível se esquecer dele. Segundo ponto de grande diferenciação: as transformações. As máscaras passam a ter efeitos sobre Link, dar habilidades especiais ou até mudar sua jogabilidade!

1E quando você estava concentrado nas suas tarefas e DE REPENTE essa mensagem simpática aparecia na sua tela?

Isso sem falar em outros aspectos que fazem MM um jogo com bastante personalidade. A estética do game é bem diferente de OoT. Salas mais escuras, palheta de cor mais viva e um tanto psicodélica, meio gótico até…outra ambientação se comparado ao antecessor. Dessa vez o mapa é bem menor, e temos quase todos os itens logo de cara, porque o grande desafio do jogo é conquistar todas as máscaras. E para conquistá-las o jogador é obrigado a mergulhar em dezenas de side-quests. Algumas dessas exigem concentração e paciência para serem completadas, pois suas etapas devem ocorrer em determinadas horas de cada dia – um detonado cai muito bem nessa hora. Ah, isso sem falar que a história de algumas dessas, como a do casamento entre Anju e Kafei, são belíssimas.

anju-and-kafeiCaiu um cisco no meu olho, pera aí gente…

E sabe uma das coisas que, para mim, torna esse jogo mais especial? Existe um game-over para ele! Quando perdemos – o que nesse jogo se configura como deixando a Lua cair em Termina – realmente vemos a tragédia ocorrendo, há uma cena para isso! E as horas que antecedem esse momento possuem uma das músicas mais tensas da história da franquia.


2A casa caiu galera. Ou melhor, a lua.

Poderia ficar mais uns 15 parágrafos falando de mais elementos bacanas sobre esse jogo: a interação com praticamente todos os NPCs, o badass Fierce Deity Link – obrigado Nintendo por finalmente colocá-lo em Smash Bros! – o carismático Skull Kid, vilão do jogo…Mas mesmo que enunciasse todos esses pontos, alguém diria “ah, mas Ocarina of Time é melhor” – ou talvez dissessem “Skyward Sword”, “A Link to the Past”, enfim. E aí eu digo: ok, podem ser melhores, mas isso não torna “ Majora’s Mask ” um capítulo negro na história da franquia.

3Fierce Deity Link, como caracterizado no mangá de “ Majora’s Mask ”: prometo que um dia escrevo a review desse mangá ;P

“ Majora’s Mask ” é um dos melhores Zeldas que eu já joguei. Um dos mais difíceis da franquia – talvez não mais que o infernal “Spirit Tracks” -, um belíssimo  spin-off para uma história que as vezes se foca demais no trio Link-Zelda-Ganondorf e uma prova de que a Nintendo pode surpreender seus fãs com novos conceitos em seus títulos. Sempre que você ouvir alguém falando que “ Majora’s Mask ” é pior que outro Zelda, procure entender os motivos da preferência da pessoa. Mas se ela disser que MM é um “lixo” ou qualquer coisa do gênero, saiba que é puro haterismo.

Facebook Comments

Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *