Opinião: Não se faz mais jogos como antigamente

“O que aconteceu com os jogos de hoje?”

Durante uma rápida conversa com amigos e um pequeno mergulho na nostalgia,  provavelmente você lembrará dos games que jogou quando mais novo. E provavelmente dirá que o jogo x era muito complicado, que o jogo y era interminável, ou até que o jogo z foi planejado para não ter final, tamanha dificuldade para passar de fase. E uma coisa que me deixa preocupado é que agora é muito raro você escutar alguém falar que um game qualquer é impossível de zerar. Só ouvimos que os gráficos são espetaculares, por exemplo. preocupado.

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Que me perdoem os fãs de jogos recentes, mas Contra era infinitamente mais difícil que muitos.

Antigamente, pensando nas primeiras gerações de vídeo games, os jogos não podiam ser muito longos já que não existiam mecanismos de salvar (alguns até tinham, mas geralmente era por meio de códigos extensos que se você errasse uma letra na hora de copiar significava bye-bye para suas horas jogadas). Visando compensar o pequeno número de fatos ocasionado por essa limitação, muitos deles possuíam uma dificuldade alta.

Quem nunca ficou preso em uma fase por não conseguir passar de tal determinado chefe até descobrir que, na verdade, você tinha que esperar até certo momento para atacar? Tudo era basicamente uma questão de agilidade, pensamento rápido e, principalmente, timing. Além disso, normalmente se você perdesse todas as suas vidas, não retornava do começo da última fase, e sim do início do jogo todo!

Com o passar dos anos, criaram-se mecanismos que pudessem gravar o progresso (o que possibilitou enredos mais extensos, mapa maiores, etc.). E aí, para compensar, alguns jogos aumentaram ainda mais a dificuldade. Jogos como Mega Man e Zelda permaneciam fiéis à proposta de nos fazer a suar a camisa pra poder completar os objetivos. Mas nas sequentes gerações, observou-se uma mudança de focos nas produtoras de games.

E o ponto que eu quero chegar é que os jogos de hoje, embora estejam mais longos ( alguns podem levar semanas para que possam ser completados), não possuem mais toda essa dificuldade. O que antigamente requeria horas de paciência e esforço, hoje se tornou muito instintivo. Atualmente, games podem ser zerados sem nenhuma complexidade.

Por muito tempo, quando tratamos da evolução dos consoles, demos uma importância muito grande ao “poderio gráfico”, e penso que acabamos esquecendo um pouco do prazer que era superar os obstáculos e as adversidades. Claro que ainda é possível encontrar jogos assim em todas as gerações, inclusive nas novas, mas não é tão comum quanto antes.

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Shadow of the Colossus, um dos exemplos de que há vida após o N64.

E assim acabou-se trocando qualidade por quantidade. Um game visualmente impressionante faz você querer jogá-lo uma vez, mas só um game que faz com que você dê o seu máximo faz com que você o jogue constantemente. E eu vejo que cada vez menos temos exemplos dos últimos.  Zeram-se muitos títulos atualmente, porém muitos poucos em que ao finalmente chegar a tela dos créditos você dá aquele sorriso e tem a sensação de dever cumprido. E, infelizmente, esse é um panorama que parece que não vai mudar tão cedo.

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Rafael

Futuro Mestre Engenheiro, jogador de Lolzinho nas horas vagas, profundo conhecedor de cultura inútil e o portador da alcunha de “mais hipster dos mainstreams”

Um comentário em “Opinião: Não se faz mais jogos como antigamente

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