Opinião: E-sports: uma febre ou um fato?

Durante a minha infância eu me perguntava “como assim pingue-pongue é um esporte e, ainda por cima, olímpico?”. Essa pergunta era feita por não saber distinguir um jogo de um esporte, como se um esporte fosse algo mais “sério”. E, assim como no pingue-pongue, eu me questionava sobre os chamados E-sports.

E-sports é uma abreviação para electronic sports e teve um “boom” nos últimos anos. Essa popularidade sofreu grande influência dos jogos de gênero MOBA (como League of Legends e DOTA). Por jogar card games (Pokémon e Magic) e acompanhar um pouco do cenário competitivo, eu não me surpreendi tanto com essa ascensão dos jogos online. No entanto, eu considerava competitivo e profissional coisas distintas e, para esses jogos com perfil de hobbys, impossíveis de serem conciliadas. Uma coisa é você jogar campeonatos e se divertir com seus amigos, mas ao considerar aquele jogo uma profissão, você de fato vive disso e, ao meu ver, viver de um jogo online (como vemos os atletas de futebol, por exemplo) seria algo surreal.

A popularidade do gênero é tanta que há diversos campeonatos semanais ao redor do mundo, grandes marcas de eletrônicos figurando entre patrocinadores tanto de torneios quanto de times e até mesmo programas de televisão especializados no E-sport. Um jogador profissional ganha, além do seu salário, quantia dos patrocinadores e prêmios em campeonatos que podem passar de um milhão de dólares. Esses e outros motivos foram suficientes para me fazer aceitar o título de esporte e encarar a coisa com mais seriedade. Além disso, esses fatos servem como uma motivação perfeita para qualquer pessoa que goste de jogos online sonharem com esse nível e poder viver, literalmente, daquilo que gosta.

No entanto, nem tudo são flores nesse circuito profissional. Times e jogadores individuais tem carreiras como de qualquer atleta “normal”: horário de treino, local fixo, técnico e etc. Há também a rotatividade dos atletas e contratações de peso, como por exemplo a recente vinda de dois coreanos para um time brasileiro de League of Legends. Embora, para alguns, isso seja um pouco desmotivador (afinal de contas, você precisa de fato “trabalhar” e não só jogar como faz normalmente), creio que isso seja o que de fato o que legitima o gênero como um esporte. Afinal de contas, você está num regime de treino, está se exercitando de alguma maneira e tem horários e metas para se cumprir como em qualquer outro emprego.

Com esse apanhado geral eu acho que dá para ver a minha resposta para pergunta que eu propus no título. E-sports é sim um gênero esportivo, mas no momento está na fase de febre. Graças ao avanço tecnológico e, principalmente, da internet, creio que a tendência seja que o gênero se consolide. E quem sabe alguém no futuro não se pergunte o que um MOBA está fazendo nas olimpíadas? rs

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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