Opinião: Dá mesmo para aprender jogando vídeo game?

Quem nunca viu alguém falando “eu aprendi mais inglês jogando vídeo game do que na escola”? Eu mesmo já falei isso algumas vezes. No entanto, será que isso é realmente verdade? A escola realmente “não ensina nada” de língua inglesa?

Ao jogarmos vídeo game nós somos estimulados por diversas maneiras. Seja numa quest de RPG, em uma missão em grupo de um FPS ou até mesmo ao ler uma história em jogos no estilo novel. Com isso, já é fácil perceber como nós aprendemos sim com os jogos, afinal, estamos em um momento prazeroso e precisamos reconhecer aquela língua para ter um sucesso maior no jogo ou entender a sua história (quando necessário). Recentemente eu li um trabalho sobre o assunto e achei muito interessante. O autor, Vinicius Mattos, fez uma pesquisa bem bacana usando a famosa franquia The Sims no ensino de inglês em uma escola pública do Rio de Janeiro. Por se tratar de um simulador da vida real, o autor julgou ser uma escolha interessante até por se tratar de situações mais próximas da realidade do falante.

Logo de cara eu fiquei curioso porque normalmente os professores tem aquela ideia de “vídeo game pode atrapalhar os estudos” e nessa pesquisa foi justamente o contrário. Mattos mostra que o vídeo game pode sim auxiliar no estudo da língua e um dos motivos foram os estímulos que citei. Em seu trabalho, o autor buscou mostrar que com o auxílio do vídeo game nós podemos apreender não só palavras da língua, mas também criar frases e, consequentemente, nos familiarizarmos com a gramática. Mattos propôs aos alunos uma atividade em que eles deveriam, com seus personagens fictícios, realizar algumas “missões” dentro do jogo e posteriormente que os jovens respondessem algumas perguntas relacionadas com aquela experiência. Os alunos não só responderam às perguntas como alguns até mesmo usaram vocabulários que descobriram graças ao jogo, ou seja, a pesquisa teve sim resultados positivos. No entanto, esse aprendizado feito de maneira isolada não é ideal. Temos que ter consciência de que a diversão não é a única coisa envolvida se tivermos esse foco e, por conta disso, o apoio escolar se torna fundamental.

Mattos provou que nem o “professor tradicional” e nem os geeks mais radicais estão certos, nada sem um foco e algo que guie terá o melhor resultado possível. Obviamente nós queremos sempre fazer o que mais gostamos, mas não podemos nos deixar levar só por nossas vontades. Eu concordo e muito com essa visão, devemos SIM fazer coisas que nós gostamos até por termos mais vontade em faze-las, mas não podemos deixar de dar valor para outras coisas que também são importantes.

Não pense que ficar jogando o dia inteiro te fará mais inteligente ou um poliglota. Leve a sério seu curso (ou que estiver na escola, a escola) e procure informações com embasamento teórico, citei esse artigo aqui no texto justamente para mostrar que ambos os mundos funcionam juntos.

Quer jogar? Jogue a vontade, mas não menospreze as formas “convencionais” de ensino.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

Um comentário em “Opinião: Dá mesmo para aprender jogando vídeo game?

  • 23 de outubro de 2014 em 04:44
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    Opa, Mizu! Adorei esse post! 🙂
    É a minha área, então fico toda felizinho ahahah.
    Eu concordo muito com você. Na verdade, existem muitas pessoas que perguntam se é possível aprenderem inglês (ou qualquer outra língua) sozinha. E eu acredito piamente que é possível – sendo com videogames ou séries, filmes, etc – só que provavelmente vai envolver muito mais esforço e procura. Quando se tem um bom método e um bom ensinador, o processo se torna muito mais fácil =)
    Mas é claro que tudo depende do aluno 😀

    Baixei esse artigo do Mattos!! Maneiro!! 😀

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