O haterismo nosso de cada dia: Switch, a nova vítima

“Falem bem ou falem mal, mas falem do Switch – com alguma lógica, por favor”

Muitas coisas me incomodam no mundo geek: machismo, fanatismo, o alto preço dos produtos relacionados às franquias que gostamos.. mas poucas delas me incomodam tanto quando o que chamo de “haterismo”. Essa expressão (que não sei exatamente quem usou primeiro) vem de outra expressão: hater. Hate, em inglês, significa “ódio” ou “odiar”, então um “hater” seria uma espécie de odiador, alguém que faz questão de ficar implicando com as coisas ou reclamando de tudo. Logo, o tal haterismo seria uma espécie de comportamento epidêmico não só no mundo geek, mas principalmente nele, que faz diversos indivíduos começarem a reclamar infinitamente sobre qualquer coisa e muitas vezes sem menor embasamento para tanto. A vítima da vez, na minha opinião? O Nintendo Switch.

O Nintendo Switch, a propósito, ainda nem foi lançado: estamos diante de uma pré-corneta ensaiada por várias profetas gamers do apocalipse. Pude observar diversos jogadores chegando às mais distintas conclusões (e muitas delas sombrias para o futuro do Nintendo Switch) a partir de um vídeo promocional de 3 minutos lançado pela empresa – vídeo esse sem nenhum gameplay real ou final de nenhum dos jogos apresentados. É claro que muita gente elogiou e gostou do videogame apresentado – inclusive eu – mas ainda assim me assustei com a recepção tão negativa de alguns.

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Soon…

Mas o ponto no qual quero chegar e que realmente me deixou impressionado são alguns dos argumentos utilizados para sustentar as críticas ao novo console. A que mais me incomoda e com certeza proporciona um bom debate está relacionada aos gráficos do Nintendo Switch. A empresa japonesa ainda não anunciou oficialmente as especificações técnicas mas já vi jogadores afirmando que pela finura do console já se pode falar de que 1080p ele não passa, ou seja, o queridinho 4K da galera ficaria de fora. Partindo do pressuposto que as mães-diná do mundo gamer acertaram, eu deixo uma pergunta: e daí?

Eu tenho uma opinião sobre gráficos em um game e ela pode ser resumida em uma metáfora: o gráfico no jogo é como o arroz no churrasco. É legal comer aquela picanha mal-passada, linguiça, coração, tudo isso acompanhado por um arroz fresquinho? Com certeza. Se o arroz estiver ruim, eu saio reclamando do churrasco todo? Provavelmente não, porque ele é só o complemento. É exatamente essa a função dos gráficos nos jogos: ele acrescenta experiência ao jogo, mas dificilmente tira. Assim como o console poder ou não gerar uma resolução 4k, ao meu ver, não é um fator tão diferencial para a qualidade do mesmo. Eu quero boa jogabilidade, afinal, não vou ficar apenas olhando para o meu jogo.

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Já imagino as meninas jogando e falando “nossa, esse jogo em resolução 4K é muito bom! Se fosse 1080p eu nem jogava”.

Outra crítica que tenho visto alguns jogadores fazerem ao Nintendo Switch diz respeito à bateria do controle/tablet/gamepad/qualquer nome que vocês queiram. Rumores da internet – algo tão confiável quanto nota de 3 – dizem que a duração da bateria do eletrônico durará, no máximo, 3 horas. Claro que essa especulação já foi suficiente para fazer muita gente tentar tirar a cueca por cima da cabeça. Como assim ele não vai durar até o fim das minhas aulas no colégio, para que eu vou ter isso então? Então, vou contar o segredo: provavelmente será possível conectar o videogame na tomada e olha só, recarregá-lo! Claro que 3 horas de bateria é muito pior do que 6, 9, ou 20 horas de duração, mas se estou fazendo brincadeira é porque não entendo como esse fator poderia determinar um dos grandes fatores determinantes para o fracasso ou sucesso do console. O meu 3DS, modelo clássico, aguenta umas 5 a 6 horas de jogo e sinceramente isso nunca realmente tirou a minha diversão. Antes de sair de casa, eu o recarregava. Na rua, a bateria nunca chegou a realmente terminar. Entendo o incômodo de ter que ficar preso à tomada algumas vezes, só não entendi todo o drama em cima desse aspecto.

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Correm boatos de que esse negócio vai recarregar o tablet também, ou seja… ele vai sair de casa cheinho de bateria só para você. 

Alguns jogadores também criticaram de maneira incisiva o lançamento por uma suposta “falta de criatividade” no console. Vi algumas pessoas alegando que Switch não passava de um Wii U que se desmontava ou que era mais fácil colar dois Wii Remote no Gamepad e jogar do que comprar um Switch. Vamos refletir juntos: qual companhia de games realmente vem ao menos tentando inovar nos últimos 5 anos? Só me vem à cabeça a Nintendo. O PS4 é quase que exclusivamente uma evolução de software do PS3, por exemplo. A empresa japonesa por exemplo tentou ousar com o Wii U – sabemos que nem todos compraram a ideia e as vendas foram um fracasso – e agora tenta apresentar um híbrido eficiente entre portátil – mercado dominado pela empresa e sua linha de 3DS – e console de mesa. A criatividade existe: se vai der certo ou não, ai é outra história.

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Na lista de alvos dos haters, até os pequenos cartuchos entraram na mira, tadinhos. 

Listei aqui apenas as principais críticas que me incomodaram por não terem muitas justificativas. Claro que é possível apontar defeitos ou listar fatores que podem prejudicar as vendas dos consoles, mas acredito que essas críticas devem seguir um caminho diferentes das que eu citei acima. Acho que muito mais importante do que nos perguntarmos se o console vai gerar gráficos a 4k ou 1080 p é debater se todas aquelas third-parties listadas realmente apoiarão o console – a Bethesda, por exemplo, em seguida ao trailer deixou no ar se Skyrim realmente receberá um port para o Switch. Esse tipo de debate, ao meu ver, é muito mais pertinente. Questionar qual será o valor do console ou o impacto da oficialmente não-declarada retrocompatibilidade do console com o Wii U também são bons tópicos para discussão. Mas a crítica apenas como ferramenta de haterismo, essa eu penso que não acrescenta à discussão.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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