Crítica: Fire Emblem Fates (Birthright + Conquest + Revelations)

“Crítica 3 em 1”

Em 2012 os donos de 3DS receberam um presente: ” Fire Emblem: Awakening “, um excelente título que, anos depois, descobriu-se que poderia ter sido o último da sua franquia caso não tivesse vendido o suficiente. Felizmente para a empresa e também para os fãs, o jogo vingou, fez sucesso, vendeu que nem água e forneceu as bases para o lançamento seguinte. Em 2016, novamente para o 3DS, foi lançado ” Fire Emblem: Fates “. Mas dessa vez o título chegou dividido em 3 versões! Duas delas foram comercializadas em mídia física: “Birthright” e “Conquest”. A terceira poderia ser baixada como DLC: “Revelations”. E todas elas são incríveis.

Fire Emblem Fates Capas

Sabe essa dançarina estilosa no meio? É a Azura, a grande estrela do “Revelations”, o jogo sem mídia física própria.

Se você não faz ideia de que jogos são esses que estou falando e não sabe nem minimamente o que é pra fazer em cada um deles, não se desespere. Em resumo, Fire Emblem: Fates é um jogo de estratégia no estilo japonês, ou seja, você deve mover seus personagens (ou unidades, como também são chamadas) pelo território com objetivo de derrotar o exército inimigo. A ação se divide em turnos, os quais você pode gastar para mover suas tropas, iniciar conflitos, usar itens de recuperação, etc. A pancadaria se desenrola numa sistema meio pedra-papel-tesoura, no qual certos tipos de unidade tem vantagens sobre outras mas perdem para um terceiro tipo e por aí vai. Outro aspecto da jogabilidade que merece ser destacado (até porque atraiu muitos donos de 3DS para esse título) é a possibilidade de “casar” as personagens do jogo, o que não só garante alguns “owwwn” com os diálogos, mas também filhos (que podem ser usados como unidades na guerra, vejam só) e claro, vantagens em termos de resistência e dano para o casal.

Feito esse resumão, vamos logo para a pergunta que não quer calar: qual a diferença entre as três versões do mesmo título? Seria uma coisa no estilo Pokémon, franquia na qual as diferentes versões são praticamente iguais em conteúdo, só variam alguns monstrinhos e o lendário capturável? Não, aqui não é tão simples assim. Em “Fire Emblem: Fates” existem diferenças bruscas na história e também na jogabilidade que tornam Birthright, Conquest e Revelations substancialmente únicos entre si.

Fire Emblem Fates Azura

Calma que muda mais coisa do que as roupas e a dança da Azura. 

Comecemos pela história então. Todas as três versões tem o mesmo início: você é o príncipe Corrin (ou princesa, já que seu avatar pode ser homem ou mulher), do reino de Nohr. Por razões desconhecidas, seu pai, o rei Garon, nunca permitiu que você fosse além das muralhas de sua fortaleza. Ainda assim, sua infância foi ótima, muito graças à convivência amorosa com seus irmãos Elise, Camila, Leo e Xander. Devido a alguns eventos e tretas ocorridas ainda no “prólogo” do game, sua personagem acaba sendo ferida em uma luta e se perde nas terras de Hoshido, reino vizinho e inimigo! Ela é resgatada pela família real de Hoshido, composta pela doce Sakura, a valente Hinoka, o ciumento Takumi, o bravo Ryoma e a mãe de todos eles, a rainha Mikoto. Em vez de aprisioná-la ou executá-la, os nobres de Hoshido fazem uma revelação bombástica: sua personagem na verdade é irmã deles, portanto, um príncipe (ou princesa) de Hoshido! Garon executou o seu pai e a sequestrou quando você ainda era um bebê, isolando-a então de sua família de sangue. Agora, no campo de batalha, Corrin é obrigado(a) a decidir se vai lutar na guerra por sua família de sangue (Hoshido), por sua família de criação (Nohr) ou se tentará seguir seu próprio caminho (Revelations).

Fire Emblem Fates Personagens

Algumas pessoas daí ficarão decepcionadas com sua escolha – que nem na vida real mesmo. 

E aí vem o grande detalhe: cada versão do jogo condiciona sua escolha. Se você comprar e jogar o Birthright, você obrigatoriamente escolherá lutar por Hoshido. Se optar por Conquest, se unirá às fileiras do exército de Nohr. E no Revelations, por eliminação, Corrin segue o seu próprio caminho. Essa mudança na história por si só já seria um fator decisivo para diferenciar as três versões, mas existe um outro aspecto ainda mais importante para você, jogador, levar em consideração na hora de escolher qual jogo comprar: as diferenças de dificuldade e jogabilidade entre Birthright, Conquest e Revelations.

Se eu pudesse resumir o que é o Birthright, diria que ele é o típico conto de fadas. Corrin e sua família de sangue devem lutar por Hoshido contra a tirania e crueldade de Garon e do exército de Nohr. A história torna-se até simples – o reino bom contra o reino mal – e a jogabilidade acompanha isso. Os inimigos não oferecem muita resistência, as recompensas em ouro e armas pipocam aqui e lá e o jogador pode ficar encontrando exércitos inimigos pelo mapa do jogo, realizando assim lutas infinitas que ajudam a aumentar absurdamente o nível de suas unidades. Se você tiver o mínimo de competência e malícia de jogo, Birthright torna-se um jogo tranquilo (menos no nível mais díficil, porque ai tudo fica impossível mesmo, andou pro lado já morreu). Com relação à história, essa versão foi a minha preterida pois achei a família real de Hoshido um tanto quanto chata. Todos são muito certinhos, defensores da justiça e da paz, estão sempre reafirmando o quanto estão felizes em rever sua personagem… se não fosse o rebelde Takumi, que dá um pouco de graça à história, e à grande participação de Azura, a dançarina, na trama, a historia se sustentaria apenas no drama de Corrin lutando contra sua família de criação.

Fire Emblem Fates Xander

Escolha Birthright e se vire lutando contra seu querido irmão mais velho, Xander. 

Bem diferente do que descrevi acima é o Conquest. Se eu novamente fosse resumir essa versão em poucas palavras (e vocês sabem que farei isso), diria que ele é a tempestade antes da bonança. Quando Corrin (e o jogador) decidem lutar por Nohr e sua família, infelizmente isso significa optar por defender o exército de Garon, seu pai. E ele odeia você. Tanto que quer matá-lo(a) (!!!!) e para fazer isso ele prepara todo tipo de armadilha possível para você. Corrin é enviado em missões suicidas, enfrenta os aliados de Garon, etc. E a dificuldade do jogo reflete esse cenário. Os inimigos vem em maior número e são mais inteligentes. O ouro é escasso (pra você ter uma ideia, o meu só dava para comprar os itens de recuperação e mais nada) e não existe a possibilidade de enfrentar inimigos aleatórios pelo mapa. Portanto, existe um número limitado de fases a serem jogadas e se você não conseguir construir um exército capaz dentro desse limite, bom… problema é seu. O jogo é irritantemente difícil até mesmo no nível médio e te faz ter vontade de tacar o videogame na parede, mas ao mesmo tempo é recompensador. Pois a cada vez que você termina um nível difícil após 2 ou 3 horas de jogatina, você se acha o maior estrategista do mundo. E a própria história também te premia, porque ao fazer a difícil escolha de lutar por sua família de criação, Corrin se vê na obrigação de lutar e até matar seus irmãos de sangue ao mesmo tempo em que tenta dar fim à insanidade de Garon, tornando Nhor um reino mais justo e pacífico.

Fire Emblem Fates Capitão Amér

Escolha o Conquest e se vire contra o Capitão Amér… quer dizer, seu irmão de sangue, Ryoma. 

Revelations, como o próprio nome sugere, é um jogo destinado a fornecer respostas para diversas perguntas deixadas tanto em Conquest quanto Birthright. Nenhuma das três versões apresenta um panorama completo da história, nem mesmo o Revelations, portanto todas as três devem ser jogadas caso você queira entender todos os detalhes da trama. Nessa versão a dificuldade é posta em um meio termo entre Conquest e Birthright: você tem a oportunidade de fortalecer suas tropas com os desafios pelo mapa mas os níveis são chegam a ser uma passeio que nem em Birthright. A história é uma das mais divertidas porque mostra Corrin aliando-se às duas famílias na luta contra o real inimigo por trás de tudo – não darei spoiler sobre quem é, mas certamente não é o rei vacilão, Garon. Revelations cresce justamente por essa interação entre a família real de Hoshido e Nohr: os irmãos de Corrin se provocam, se desafiam, promovem diálogos tensos mas também hilários, e podem até mesmo ser casados durante a história! Fora que em termos de batalha, algumas combinações tornam-se simplesmente impossíveis de serem derrotadas –  Ryoma e Xander juntos, por exemplo, zeram o jogo praticamente sozinhos se você deixar.

Fire Emblem Fates King Garon

Imagem de King Garon com prisão de ventre para a sua apreciação. 

Com relação ao aspecto “casamenteiro” de “Fates”: se você é um jogador ou jogadora que se interessa mais por esse aspecto do game, eu recomendaria que você investisse seu dinheiro e tempo no Birthright e, principalmente, no Revelations, pois esse último oferece uma ampla variedade de personagens e também mais tempo para que essas uniões aconteçam. O Conquest, infelizmente, é tão curto e difícil que você praticamente não consegue combinar as unidades da maneira que gostaria e quando o faz, elas morrem. É sério, eu terminei a minha história com apenas um casal vivo: todos os outros ficaram viúvos ou viúvas.

Além ainda disso tudo que falei, ainda faltaram destacar duas coisinhas sobre o jogo. A primeira é que o game oferece suporte para amiibos, então se você tiver um New 3DS (ou um 3DS velho mas com aquele leitor doido) e um ou mais amiibos dos personagens de Fire Emblem que aparecem em Smash Bros, basta conectar e jogar com eles! Isso mesmo, você pode ter Lucina no seu “Fire Emblem: Fates”. O segundo ponto, esse não tão bacana, foi a adição de um modo “My Castle”, no qual o jogador pode organizar o seu castelo, decorá-lo, construir prédios e estátuas para os seus personagens, tudo com o objetivo de fazer lutas no estilo “invasão” contra exércitos inimigos, sejam esses da própria história ou de outros jogadores espalhados pelo mundo. Infelizmente a ideia, ao meu ver, não vingou: fiz algumas lutas mas todas me pareceram um desperdício de tempo e um grande desvio do que realmente queria: saber qual seria o próximo momento sofrido da vida de Corrin.

Fire Emblem Fates Lucina

Oi, Lucina. 

“Fire Emblem: Fates” é um game tão bom que consegue agradar dois públicos distintos, os casuais e os hardcore, oferecendo para ambos uma jogabilidade sólida, viciante e desafiadora, além de uma excelente história, sustentada em grande parte pelo(a) protagonista e seus irmãos mais velhos, Xander e Ryoma. Birthright, Conquest ou Revelations: faça a sua escolha da maneira que achar melhor, só não deixe de escolher jogar “Fire Emblem: Fates”.

Fire Emblem Fates Crítica Nota

 

Facebook Comments

Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *