Rewind: Digimon – O Filme

“O surgimento de Gambiarramon”

Gambiarramon não é um digimon de verdade, mas sim uma invenção minha, uma mistura da terminologia presente no nome de todos os monstros do anime e a popular expressão brasileiro “gambiarra”. Para quem não conhece o termo, gambiarra significa algum tipo de solução precária, muitas vezes pouco elaborada, mas que resolve o problema. Defino o filme de Digimon como “gambiarramon” pois este é o único termo que explica o que é essa produção: um gigantesco improviso.

“Digimon – The Movie” foi lançado nos Estados Unidos nos saudosos anos 2000. Lembremos o cenário da época: Pokémon estourava no mundo, com o anime sendo o principal responsável pela popularidade dos monstrinhos de bolso no continente americano. Os primeiro filme da franquia foi um sucesso gigantesco de audiência, e “Pokémon 2000” estava prestes a sair. Todos viviam essa tensa rivalidade Digimon x Pokémon, e cabia aos monstros digitais responder a altura. Para isso, precisavam de um filme. E um foi providenciado.

digimon movie capa

Uma das piores artes de capa da história das animações, sem dúvida…

Como isso foi feito? Simples: alguém teve a brilhante idéia de juntar 3 OVAS de Digimon e fazer um filme com eles. A gambiarra surgiu e o filme saiu. Logo, temos três diferentes timelines na história: os primeiros 20 minutos acontecem 4 anos antes do primeiro anime, mostrando o primeiro encontro de Tai, Kari e outros digiescolhidos com Digimons, o tal incidente em Tokyo ao qual faz-se referência na saga de Myotismon. A segunda parte acontece pouco tempo após o filme do primeiro anime e se passa no mundo real, mostrando como Tai e os digiescolhidos derrotaram um Digimon vírus dentro da Internet. A terceira parte, por sua vez, se passa 4 anos depois da segunda, e tem como personagens principais os digiescolhidos de Digimon 2, Davis e seus amigos. Eles lutam contra Kokomon, um digimon corrompido de Willis, um garoto estadunidense.

A história não se ligou corretamente na sua cabeça? Normal, pois nem deveria. Os três OVAS possuíam enredos independentes e os roteiristas do filme tiveram que se virar para criar uma narrativa única. O resultado é satisfatório: muita coisa fica sem explicação, algumas cenas e diálogos parecem claramente encaixadas para conectar os acontecimentos, mas de maneira geral, é aceitável. A história que mais sofre é a da terceira parte, cortada de maneira brutal em relação à original.

Digimon Adventure 02 Digimon Hurricane Touchdown!! (XviD DVD-Raw) [B1EB0FEE]Willis e o simpático Terriermon: apesar da relação bacana entre os dois, a terceira parte do filme é a menos interessante

O que falta ao enredo, o filme compensa em ação. Criticado na época por sua violência desnecessária para uma produção infantil, aqui vemos os Digimons lutando para valer. Wargreymon parece uma máquina de guerra, distribuindo até soco nos inimigos. O tradicional e simpático “chama neném” de Agumon parecem mísseis teleguiados. Cada pancada sofrida pelos monstros é acompanhada de efeitos sonoros tão bacanas que quase compartilhamos a dor deles. Toda aquela luta bobinha do anime é substituída por confrontos mais corporais, com efeitos que mesmo após 14 anos não se mostram ultrapassados.

Wargreymon soco na cara

Você sabe que o bagulho tá doido quando Wargreymon já tá partindo pro soco…

“Digimon – O Filme” não é o melhor filme já feito, nem mesmo do gênero de animação. Mas é um longa bacana, que mostra os digiescolhidos e seus Digimons em situações inesperadas, lutando de maneiras que eu nunca tinha visto no anime. O humor é uma grata surpresa: algumas boas tiradas, sarcasmo e momentos cômicos valorizam a obra. Na época de seu lançamento, o filme chegou a receber prêmios de pior animação e muitas críticas negativas, mas humildemente discordo dessa recepção negativa. Apesar dos defeitos claros, principalmente no que tange ao roteiro, o considero um bom título para a minha coleção geek, e a maneira ideal de relembrar o sucesso desse grande anime.

Ah, fica aí o link do filme no youtube, para quem quiser ver. Deixo a versão brasileira pois considero a tradução bem feita e a nostalgia das dublagens originais do anime. Caso alguém queira ver a produção original, estadunidense, não se preocupe: é fácil de encontrar no próprio Youtube. Valeu galera!

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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