Review: X-Men: Apocalipse

Desde X-Men: O confronto final, os fãs dos filhos do átomo sempre tiveram certo receio com as futuras adaptações nas telonas. Bryan Singer, em sua nova trilogia, aceitou o desafio de voltar com os mutantes ao cinema e reestruturar a cronologia dessa saga. X-Men: Apocalipse marca o fim desse trabalho e, apesar de alguns problemas, consegue cortar parte do receio que os fãs tinham.

O filme se passa anos após os acontecimentos de Dias de um futuro esquecido e agora já temos um mundo onde os mutantes vem, aos poucos, ganhando seu espaço na sociedade. Apesar da maior motivação ser o medo, essa relação abre espaço para o jovem Charles Xavier (James McAvoy) continuar seguindo o seu sonho de abrir uma escola que visa a interação entre os humanos e as pessoas do seu povo. No entanto, seus planos acabam colidindo com o primeiro mutante, Apocalipse (Oscar Isaac), um ser considerado um Deus pelos seus seguidores e que acorda de um longo sono para reconstruir o mundo com seus princípios deturpados.

X-Men: Apocalipse era um filme que, desde seus trailers, prometia duas coisas distintas, mas importantes para essa franquia: um embate de proporções épicas e com reflexo mundial; e uma história de origem da equipe mutante desde suas primeiras relações na adolescência. Temos aqui uma ameaça das proporções prometidas, mas a origem da equipe, no entanto, deixa um pouco a desejar.

Apocalipse é um ser de fato imponente e prova isso já na cena inicial do filme onde temos vemos o seu ritual de transferência de consciência. Sabendo utilizar da megalomania egípcia, a montagem deixa clara a admiração que os cavaleiros nutrem pelo mestre e como o povo endeusa o primeiro mutante. Durante os anos 80 (onde se passa a maior parte do filme), no entanto, o roteiro aborda menos a faceta divina e abraça o lado conquistador do personagem. Essa mudança de motivação incomoda um pouco, mas não compromete tanto. Deus ou conquistador, Apocalipse mostra para o que veio e o quão ameaçador é. Seus cavaleiros, no entanto, pouco acrescentam a trama. Magneto (Michael Fassbender) rouba a cena dos outros três e é o único que de fato faz a trama se movimentar. Acabamos tendo uma Psylocke (Olivia Munn) perfeita para os posteres de divulgação, mas que pouco faz no filme, um Arcanjo (Ben Hardy) sem um propósito e uma Tempestade (Alexandra Shipp) que visivelmente está ali só para mudar de lado no final do filme.

No outro lado, temos Charles e seus alunos desfrutando um breve momento de calmaria que é interrompido pela chegada da Mística (Jennifer Lawrence) e a noticia de que Magneto está de volta a ativa. Embora esse seja a motivação para que as peças entrem de fato no tabuleiro (e tenhamos mais uma ótima cena do Mercúrio), a sua antecipação acaba tirando muito potencial da interação dos jovens mutantes e cria um laço de companheirismo artificial demais.  Jean Grey (Sophie Turner), Scott Summers (Tye Sheridan) e Kurt Wagner (Kodi Smit-McPhee), jovens com seus próprios conflitos internos que acabam sendo envolvidos no confronto para salvar o planeta e os demais alunos acabam sendo completamente ignorados (Jubileu é praticamente um easter-egg). Falando em easter-egg, a aparição de Wolverine no filme, apesar de ser uma homenagem aos fãs dos quadrinhos, acaba sendo bem jogada e não acrescenta nada de fato a trama.

Apesar dessas falhas no roteiro e pouca profundidade de muitos personagens, as cenas de ação e a escolha de atores salva o filme. Os jovens mutantes dão uma cara nova aos X-Men e Sophie Turner brilha como Jean Grey. Noturno e Ciclope também se aproveitam dos seus atores e, no caso do Noturno, acrescenta mais um alivio cômico ao lado de Evan Peters, o carismático Mercúrio. Oscar Isaac, que vinha sofrendo críticas pela falta de semelhança dos seu personagem em relação a versão original, consegue convencer no papel do vilão e em poucos minutos de filme você consegue esquecer aquela versão quase robótica dos quadrinhos e aceitar o Apocalipse mais próximo de um humano que o filme propõe. Jennifer Lawrence continua roubando a cena de sua própria personagem, mas o roteiro acerta em deixá-la com menos importância na tela para dar espaço aos estreantes.

As batalhas acrescentam bastante a experiência visual e empolgam, apesar de alguns problemas de computação gráfica. A interação entre os mutantes para lutas em equipe são ótimas e a violência visual (no que a censura permite) ajudam na imersão do telespectador naquela zona de guerra. Fazendo com que a ação seja o grande destaque do filme.

X-Men: Apocalipse é um filme que tinha grande potencial, mas falhas do roteiro acabam impedindo o filme de ser algo excelente. No entanto, os atores e a promessa de uma equipe de mutantes mais interessante permite que os fãs da franquia tenham esperança novamente.

70

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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