Review: Steve Jobs

A Apple é o que é hoje graças a um dos ícones da área de informática, Steve Jobs. No entanto, Jobs tinha uma mente tão brilhante quanto perturbada e, por isso, conflitos cercavam a sua vida. É com base nessa dualidade gênio/dramático que a mais nova cinebiografia de Jobs trabalha.

Com um filme dividido em três atos (marcados por três lançamentos: Macintosh, NeXT e iMac), o roteirista Aaron Sorkin (também conhecido por “A Rede Social”) apresenta um pouco da realidade de Jobs (Michael Fassbender) e daqueles que estavam no backstage de uma das maiores empresas de eletrônicos do mundo. Sorkin adapta a biografia escrita por Walter Isaacson, jornalista que cobriu grande parte das apresentações de Jobs e, através da divisão em atos, consegue usar deixar os computadores apenas como um plano de fundo para a real proposta da adaptação: os embates psicológicos do criador da Apple.

Steve Jobs Michael FassbenderVisualizando o futuro, algo que marca bem Steve Jobs e que Fassbender nos trasmite

A discussão familiar é o tema principal nos 122 minutos do filme e é muito bem trabalhada. Os conflitos internos gerados pela adoção de Jobs, a afeição por John Sculley (Jeff Daniels), CEO da Apple, como uma figura paterna e a rejeição da paternidade de Lisa ilustram bem a dualidade presente na mente de Steve. Dentro da empresa temos um homem imponente, arrogante e confiante em suas decisões, mas que também tem os seus próprios fantasmas do passado (e presente) que o atormentam e fazem aqueles ao seu redor sofrerem direta ou indiretamente.

Steve Jobs LisaApesar da relação conturbada com a filha, até que Jobs tem uns momentos de pai

Além da sábia decisão do roteiro por seguir por um caminho mais psicológico em vez da parte business da carreira de Jobs, o elenco contribui para o alto nível da obra. De Michael Fassbender, Kate Winslet e Seth Rogen são os principais destaques, mas todo o elenco se encaixa perfeitamente na proposta. As reações exageradas, os diálogos e reflexões, as lições de moral, tudo é feito com muita alma e nós, telespectadores, conseguimos captar cada mensagem que cada personagem quer passar. A fala de Joanna Hoffman (Kate Winslet) para Jobs sobre a aceitação da paternidade e a relação de amizade e antagonismo entre Steve Wozniak (Seth Rogers) e Steve são alguns dos grandes destaques.

Steve Jobs Kate WinsletKate Winslet por si só já vale o filme, personagem mais presente (depois do principal) e com ótimos momentos

Vale ainda ressaltar a direção de Danny Boyle que ilustra bem o teor reflexivo que o filme propõe durante as suas filmagens. Apesar de ser um filme com poucos cenários, os corredores e camarins sempre passam a sensação de que nós, espectadores, estamos na mente dos personagens nesse momento solitário e distante que ilustra, principalmente no personagem de Fassbender, as dúvidas e receios.

Steve Jobs foi uma grata surpresa que esse início de 2016 trouxe. Um bom filme de drama que consegue humanizar um grande ícone da sociedade contemporânea, mas se deixar de lado aqueles que o cercam.

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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