Review: Operação Big Hero

“Herói em treinamento”

A mais recente aposta em animação da Disney é “Operação Big Hero” (no original, “Big Hero 6”). Lançado oficialmente no Brasil em dezembro de 2014 na Comic-Con Experience, evento no qual tivemos a pré-estréia, o filme chegou aos cinemas em pleno natal. Com uma pegada muito mais “Frozen” do que propriamente super-heróica, o filme agrada aos fãs com uma história legal e muitas tiradas cômicas, mas deixa o gostinho de “quero mais”.

O filme é baseado em um quadrinho da Marvel Comics de mesmo nome, lançado em 1998. Graças à união entre Disney e Marvel, temos visto cada vez mais aproximações entre os dois universos, como o game “Disney Infinity” com os personagens de Vingadores, por exemplo. É provável que vejamos mais disso no futuro, afinal os cross-over estão na moda.

cartaz bh

Cartaz do filme

O enredo conta a história de dois irmãos. O protagonista é Hiro Hamada, de 13 anos, um prodígio da ciência; já seu irmão mais velho é Tadashi, estudante universitário que projetou um robô “enfermeiro” chamado Baymax, a figura carismática que parece um Mashmallow gigante. Ambos vivem em São Fransokyo, uma mistura entre São Francisco e Tóquio – e acredite, a junção entre as típicas ladeiras e bondes da cidade americana com as cerejeiras japonesas fica irada. Hiro, apesar de sua inteligência fora de série, desperdiça seu tempo em lutas de robôs, uma espécie de rinha de galo do mundo deles. Seu irmão então o leva para seu laboratório e apresenta seus amigos e seu professor, Callaghan, que juntos conseguem convencê-lo a entrar para a universidade. Mas como nem tudo são flores nessa vida, uma tragédia ocorre e um grande vilão surge, obrigando Hiro a decidir se vai se isolar do mundo e continuar desperdiçando seu potencial ou se vai finalmente encarar desafios e tornar-se um verdadeiro herói.

Big-Hero-6Nosso amigo Baymax caminhando tranquilamente por São Fransokyo: ele é super-herói mas também é gente como a gente

O lance é que eu não senti essa pegada super-heróica tão forte em “Operação Big Hero”. Convenhamos, a mesma Disney junto com a Pixar já nos presenteou com “Os Incríveis”, uma animação com excelentes questionamentos e reflexões sobre o que é ser um super-herói. Comparado a este clássico, Big Hero é apenas um coadjuvante. A transição do papel de civis para super-heróis é protagonizada pelos 5 adolescentes em tempo recorde – no melhor estilo Mulan de treinar um exército inteiro em 3 minutos! E o vilão, sinceramente, não acrescenta muita coisa à trama. Até porque ele passa metade do filme calado, e vilão calado comigo não se cria.

BH6 3… nada a declarar

Mas o que perdemos em super-heroísmo, ganhamos em conflitos humanos. No melhor estilo “Frozen”, Big Hero explora amores fraternais. Primeiro dentro do núcleo familiar de Hiro, que compreende sua relação com seu irmão mais velho e “herói”, e com sua própria tia, a mulher responsável pela criação dos dois rapazes. E em um segundo momento a divertida relação entre Hiro e Baymax, na qual o robô acaba tornando-se uma espécie de irmão mais novo bobão pro qual o protagonista tem que se virar para proteger e, ao mesmo tempo, ensinar a ser um super-herói.

big+hero+6+seis+grandes+heroes+walt+disney+family+familia+hiro+hamada+little+pequeño+niño+kid+baby+bebe+tadashi+aunt+tia+photoFoto com os 4 membros da família Hamada: Hiro (acima), a tia Cass, o irmão Tadashi e os sentimentos.

Com relação aos coadjuvantes, poucos realmente se destacam. Da equipe super-heróica que acompanha Hiro, juro que ao fim das 1h e 45 minutos de filme eu só sabia o nome do Fred, o mais divertido de todos, dublado por Marcos Mion. O resto dos personagens até arranca algumas risadas suas, mas poderiam ter sido melhor trabalhados. O foco do filme é sempre em relação à Hiro e seus dilemas familiares e existenciais, o que é bacana, mas acaba ofuscando os demais.

5-big-hero-6-3d-movie-characters.preview-610x455Nomeando o time da esquerda pra direita: não lembro, não lembro, Hiro, Baymax, não lembro, Fred.

Uma observação com relação às dublagens: as animações brasileiras normalmente recebem boas dublagens – tiremos “Enrolados” desse bolo – mas a de Big Hero é excepcional. Destaque para o já citado Marcos Mion no papel do divertido Fred, para Silvia Suzy no papel de Cass Hamada, tia do protagonista, e Márcio Araújo que dá voz ao carismático Baymax.

marcos mionMarcos Mion é a grande estrela da equipe brasileira de dubladores

“Operação Big Hero” é uma boa animação da Disney, mas mais importante até do que a qualidade do filme em si é o precedente aberto para o cinema das animações. Afinal, só vejo vantagens em adicionar franquias e personagens Marvel a esse rico universo. Apesar da longa duração para um desenho, fiquei com a sensação de queria ver mais a equipe de super-heróis em ação, por isso estou ansioso para uma continuação. Agora vão voando para o cinema pois o longa já está saindo de cartaz. Valeu!

Ah, e minha nota final é:

75

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

2 comentários em “Review: Operação Big Hero

  • 19 de janeiro de 2015 em 15:47
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    O filme é bom, mas acho que ficou faltando alguma coisa. Como um filme de super-heróis não achei que ele se destacou tanto. Achei o vilão bem fraquinho e a motivação dele também. Em relação a dublagem não poderiam terem escolhido dubladores melhores. Acho a dublagem de Enrolados muito boa, o que estraga mesmo é a voz do Luciano Huck. =P

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  • 20 de janeiro de 2015 em 02:48
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    Muito bom o texto, primeiro que leio do site achei bacana a forma como detalhou o filme, lerei os outros.
    Eu assisti o filme umas semanas atrás e gostei, realmente não achei um ótimo filme mas é legal de ver. Adorei a colocação sobre as dublagens porque Enrolados ninguém merece!

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