Review: Divertida Mente

Nos ultimos anos a Pixar vem passado por uma crise criativa que estava limitando o grande estúdio a fazer continuações de suas franquias, basicamente. No entanto, a dupla Pete Docter e Jonas Rivera, o diretor e o produtor de Up – Altas Aventuras (2009), vieram para salvar a todos dessa crise.

Docter, através de questionamentos sobre a sua filha que repentinamente deixou de ser uma criança alegre e ficou introspectiva, resolveu elaborar uma história baseada na pergunta “E se personificássemos emoções? ”. Com isso tivemos a ideia base para Divertida Mente que, ao meu ver, é um dos fortes candidatos a melhor filme do ano.

Divertida Mente Diretores

Pete Docter e Jonas Rivera

O filme se passa na mente de uma garota chamada Riley que tem o seu “centro de comando das emoções” orquestrado pela Alegria que é responsável por catalogar os acontecimentos, preservar memórias fundamentais e outras coisas. Alegria, além de ser sua emoção principal, coordena as outras emoções: Tristeza, Medo, Nojo e Raiva.  No entanto, quando a família de Riley decide ser mudar, a mente da garota passa por mudanças drásticas e Alegria começa a “perder” o comando e se vê em busca de uma harmonia com Tristeza.

divertida mente emoções

As emoções no painel de controle

O processo do que se passa na mente da jovem é muito bem representado com efeitos de cores, formas e associações com jogos. As memórias são representadas por bolas semelhantes às de uma máquina de pinball e variam de cor de acordo com a emoção que estava sendo sentida naquele momento (por exemplo: memórias alegres geram bolas douradas). E algumas memórias mais marcantes parques temáticos com elementos relacionados. Além disso, outros elementos do consciente são materializados: a caverna onde ficam trancafiados os medos, a terra dos desejos representada por um mundo cheio de nuvens e doces, o estúdio dos sonhos onde elementos do subconsciente atual como atores e a terra do esquecimento que é um grande vazio onde memórias esquecidas são levadas. Todos esses locais da mente de Riley são explorados enquanto Alegria e Tristeza buscam seu entendimento.

divertida mente Riley

Riley, a dona do grande “palco” do filme

Durante as aventuras da dupla de sentimentos, o mundo real e o subconsciente interagem de maneira magnifica. Toda vez que Alegria e Tristeza tomam alguma decisão, isso afeta automaticamente em escolhas da Riley e até mesmo a ausência desses sentimentos no centro de controle já causa alterações drásticas. No entanto, vale ressaltar que, embora tenhamos dois sentimentos em destaque, os “sentimentos coadjuvantes” e outros elementos da mente da menina (destaque para o amigo imaginário Bing Bong) também tem a sua importância e não deixam nada a desejar. Vale destacar as situações cômicas nas escolhas do painel de controle, a impulsividade da Raiva e amor de Bing Bong por Riley, mesmo sabendo que ele foi esquecido. Essa interpretação de “ação e reação” que o filme proporciona é um dos pontos altos da animação pois consegue intercalar elementos cômicos e dramáticos para apresentar, de uma maneira didática, que devemos saber respeitar os nossos sentimentos e que nem sempre tudo é só alegria.

divertida mente Alegria e Tristeza

Alegria e Tristeza, a dupla principal 

Divertida Mente é um filme que emociona e mostra, de maneira lúdica, o que pode acontecer quando temos conflitos de emoções. Apesar de ser um filme com enfoque no público infantil, a animação agrada as idades e certamente irá acrescentar algo ao telespectador. Como disse no início do texto, esse é um dos filmes que eu considero um dos melhores do ano e, mais do que isso, uma renovação (espero que duradoura) do núcleo criativo da Pixar.

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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