Crítica: “Deadpool” é fiel à essência do personagem e acerta em cheio.

O primeiro filme super-heróico de 2016 já está entre nós! Dentre todos os que ainda virão, esse era o que eu tinha mais medo do resultado. “Deadpool“, na minha análise prévia, ou seria excelente ou seria uma completa desgraça. Porque poderia ser ruim? Ora, porque é a FOX a responsável por produzir o longa! “X-Men Origens: Wolverine” e o novo “Quarteto Fantástico” foram traumáticos o suficiente para muitos fãs como eu, que com certeza hoje foram ao cinema um tanto quanto desconfiados. E porque afinal esse filme poderia ser bom? Porque ele poderia ter violência, cenas politicamente incorretas e diversas piadas escrotas e hilárias. E qual o resultado? Felizmente, a glória. A FOX finalmente acertou em alguma coisa.

282911Um dos muitos excelentes pôsters oficiais de Deadpool

“Deadpool” traz novamente Ryan Reynolds interpretando o mercenário tagarela. Mas dessa vez, graças a Deus, ele não solta lasers e nem tem lâminas que saem de sua pele. O filme recebeu classificação indicativa de 16 anos no Brasil, o que nos proporciona um longa sem cortes e sem vergonha nenhuma também: temos aqui tiros na cabeça, sangue jorrando, seios de fora, sexo explícito, diversas piadas envolvendo drogas e temas sexuais. É tanta coisa imprópria pra menores junta que fiquei me perguntando o que seria a versão com cortes desse filme: um vídeo de 3 minutos e os créditos já começam a subir?

DEADPOOLAcredite, a violência aqui não fica restrita aos desenhos de Deadpool

O roteiro do longa é, ao mesmo tempo, seu ponto forte e fraco. Ponto forte porque é construído de maneira idêntica aos quadrinhos: sexo, violência e piadas infames. Ah, e o fan-service está por todo o filme, o que garante boas gargalhadas e deve trazer uma bilheteria considerável. Mas também é o ponto fraco pois não tenta ir além, em nenhum sentido, do que se espera de uma aventura de Deadpool. Metade do filme consiste em flashbacks mostrando como Wade Wilson tornou-se Deadpool, desde sua vida com sua namorada, passando pelo câncer e o tratamento que lhe dá suas habilidades. A outra metade se passa no presente, no qual o mercenário quer matar o filho da puta que o transformou no que é hoje. A parte dos flashbacks é legal, mas desnecessariamente lenta. Alguns bons 10 minutos de filme eram dispensáveis ali. A metade na qual o mercenário já age uniformizado é legal também, mas se resolve de maneira tão rápida e prática que ficou um gostinho de “quero mais”.

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Colossus está nesse filme também! Com apenas duas funções: fornecer bons diálogos  com Deadpool e um link com os X-Men

Então porque o filme é tão bom? Porque ele põe na tela exatamente o queríamos ver em um filme de Deadpool! A violência gratuita e desmedida de um mercenário que distribui tiros na cabeça e corta membros com suas katanas está ali? Sim. O nosso protagonista faz piadas infames e foras de hora? Sim, o tempo todo. A chamada fourth wall é quebrada – ou seja, um dos personagens interage diretamente com o público e quebra a ilusão de que o filme não é um filme – tal qual frequentemente acontece nas HQs? Graças a Deus, sim. A FOX se auto-ridicularizou pela produção desastrosa de “X-Men Origens”? Felizmente, sim. Os grandes fãs de Deadpool só queriam ver essas coisas em um longa-metragem e finalmente nos deram isso! Bom trabalho.

Agora vamos à principal qualidade do filme. Não, não é o elenco, nem os efeitos especiais, tampouco a trilha sonora – que aliás, é ótima também. Estou falando do exército de referências e easter eggs que invadem o filme. Desde referências a a atores e celebridades  – até mesmo os que atualmente interpretam outros filmes super-heroicos – passando por alfinetadas na DC e o horroroso “Lanterna Verde” e chegando até mesmo à referências a personagens de dentro do universo de Deadpool – sim, o Bob está aqui! -, Deadpool premia os fãs com elementos que farão você pensar “caraca, não acredito que falaram disso nesse filme!” e consequentemente começar a rir histericamente no cinema.

deadpool1-gallery-imageAh, você achou que eu fosse adiantar algum dos easter-eggs né? Nope, a graça é você encontrá-los sozinho!

“Deadpool” é a melhor coisa que a FOX já fez até hoje se tratando de cinema super-heroico. Em teoria, era fácil acertar nesse filme: bastava colocar alguns bang-bang, piadas sem graça e uma classificação indicativa adequada e Deadpool faria o resto por si só. Mas ao mesmo tempo o desafio era grande, pois um novo Deadpool soltando laser no Wolverine poderia fazer os fãs tacarem seus baldes de pipoca na tela tamanha à frustração. Apesar do baixo orçamento do filme – visível na CGI relativamente fraca e no elenco limitado a uns 10 ou 12 atores – “Deadpool” finalmente faz jus ao degenerado regenerado que tanto gostamos e queríamos ver na telona.

90

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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