Review: Capitão América: Soldado Invernal

“Capitão América para maiores de 18 anos”

Meus amigos sabem que curto filmes de super heróis e que quando se trata de fazer um ranking dos longas dessa categoria, sempre afirmo: “Vingadores” está no topo da lista e com larga vantagem em relação aos outros. Ou pelo menos era esse meu discurso até ontem, porque hoje “Capitão América: Soldado Invernal” diminuiu demais essa distância a ponto deu considerar, sinceramente, um empate técnico entre ambos.

“Capitão América: Soldado Invernal” é o segundo filme solo do Sentinela da Liberdade. O longa começa após os eventos retratados em Vingadores e já é possível notar como Steve Rogers mudou desde então. O Capitão se alistou em definitivo à S.H.I.E.L.D. e é um dos melhores operativos sob o comando de Nick Fury, ao lado da Viúva Negra, interpretada por Scarlet Johhanson. Mais forte, mais rápido e mais brutal do que nunca, Steve começa a se adaptar a tecnologia do século XXI, mas ainda tenta entender como as pessoas mudaram tanto.

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Segundo Round, galera

E é nesse ponto que o filme me ganhou: o roteiro. Eu adoro “Vingadores”, acho que foi um marco na história dos filmes de super-herois, mas sejamos francos: o roteiro é simples e não oferece reflexão alguma. “Capitão América: Soldado Invernal”, por sua vez, questiona o espectador o tempo inteiro sobre o que ele acha mais importante: liberdade ou segurança? Será que vale a pena ter a vida vigiada por supostos “guardiões” em troca de um suposto conforto? Em tempos de escândalos de invasão de privacidade promovida pela NSA – Agência Nacional de Segurança Americana, o plot torna-se atual, complexo e pertinente.

captain-america-the-winter-soldier-trailer-0Isso sim é um uniforme, meus amigos.

O segundo aspecto do filme que me fez gostar (e muito) dessa sequência foi a violência empregada em cada cena. Não sou fã de pancadaria insana, golpes sangrentos e violência gratuita, mas sinceramente, seria estranho o Capitão América, um veterano de uma guerra mundial, pegar leve com seus adversários. O mesmo vale para o Soldado Invernal: um assassino não costuma ser delicado em suas missões. E essa mensagem foi entendida pelos produtores do filme e foi repassada para os espectadores. Cada golpe do escudo dói até em você, as lutas travadas nas ruas de grandes cidades têm consequências catastróficas para os civis e os combates “mano-a-mano” são de tirar o fôlego.

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Escudo? Não, valeu, não preciso disso

Cabe um destaque especial aos coadjuvantes. Scarlet Johhanson interpreta a Viúva Negra pela terceira vez e é impressionante como o personagem cresce a cada participação. Dessa vez vemos que, além da assassina profissional, há uma mulher ali também, com medos, compaixão e lealdade. O Falcão (Anthony Mackie) é uma grata surpresa no longa, indo além do papel de sidekick, justificando sua participação com cenas impressionantes de ação e comentários sagazes. E Samuel L. Jackson, como Nick Fury? Bom, ele dispensa comentários, atuou bem como sempre.

falconNunca gostei do Falcão nos quadrinhos, mas esse aí eu curto e compartilho

“Capitão América: Soldado Invernal” é um dos melhores filmes de super-heróis que eu já vi, e assim como a última trilogia do Batman, não me parece feito para crianças. O roteiro é denso, os debates éticos são complexos e pertinentes e as cenas de ação são brutais. Definitivamente é o melhor filme pós-Vingadores, e caso alguém diga que o considerou o melhor filme da Marvel, não considerarei um exagero.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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